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23 de março de 2026

Molécula identificada em pítons pode contribuir para novos tratamentos contra obesidade

Cidades obesidade 22/03/2026 15:12 Nathânia Ortega https://primeirapagina.com.br/saude/molecula-identificada-em-pitons-pode-contribuir-para-novos-tratamentos-contra-obesid ade/

Uma molécula encontrada no sangue de pítons após grandes refeições pode abrir caminho para novos tratamentos contra a obesidade.

Uma molécula encontrada no sangue de pítons após grandes refeições pode abrir caminho para novos tratamentos contra a obesidade. 

A substância, chamada para-tiramina-O-sulfato (pTOS), mostrou potencial para reduzir o apetite e promover perda de peso sem efeitos colaterais comuns em medicamentos atuais, segundo estudo publicado na revista Nature Metabolism.

Molécula identificada em pítons pode contribuir para novos tratamentos contra obesidade – Foto: TV Globo/Reprodução

A descoberta surgiu a partir da análise do metabolismo desses répteis, conhecidos por suportar longos períodos sem se alimentar apósingerirem presas inteiras. Após a alimentação, o organismo das pítons passa por mudanças intensas, o que chamou a atenção de pesquisadores da Universidade do Colorado em Boulder (CU Boulder).

Nos testes, o pTOS foi identificado em níveis elevados no sangue das serpentes logo após a digestão. Em experimentos com camundongos, a substância atuou diretamente no hipotálamo, região do cérebro que regula a fome, reduzindo a ingestão de alimentos e levando à perda de peso, sem provocar náuseas, perda muscular ou queda de energia.

De acordo com os cientistas, o composto é produzido por bactérias intestinais das pítons e aparece apenas em pequenas quantidades no organismo humano. Ainda assim, os resultados indicam que ele pode inspirar uma nova classe de medicamentos para controle do peso.

Atualmente, tratamentos contra obesidade baseados em hormônios como o GLP-1 presentes em remédios como a semaglutida ajudam a aumentar a saciedade, mas podem causar efeitos colaterais gastrointestinais e perda de massa muscular em alguns casos. O pTOS surge como uma possível alternativa ou complemento, com ação semelhante, mas sem os efeitos adversos observados até agora em animais.

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que ainda são necessárias novas etapas de estudo para confirmar a segurança e a eficácia da substância em humanos. 

A equipe também pretende investigar outros metabólitos identificados nas pítons, que podem ter aplicações no tratamento de doenças como a sarcopenia, relacionada à perda de massa muscular com o envelhecimento,  para a qual ainda não há tratamentos eficazes.