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Cólicas menstruais: 4 em cada 10 meninas faltam à escola no Brasil

Cidades Menstruação 28/05/2026 15:13 Folhapress noticiasaominuto.com.br

Pesquisa revela que quatro em cada dez meninas brasileiras que menstruam faltam às aulas pelo menos uma vez por mês por causa de cólicas e outros sintomas. O estudo mostra que isso afeta milhões de estudantes, prejudica o aprendizado e a saúde mental, e que meninas negras são ainda mais afetadas.

(FOLHAPRESS) - Ana Beatriz Oliveira, de 13 anos, convive com fortes cólicas menstruais desde os oito anos, quando menstruou pela primeira vez. Dançarina desde a infância, ela precisou interromper atividades e passou a faltar frequentemente à escola por causa das dores.

Este ano, fiquei com muito medo de repetir de ano por causa das faltas, conta a adolescente, que estima já ter perdido ao menos 12 dias de aula desde o início do ano letivo.

  • 4 em cada 10 meninas faltam à escola por causa de cólicas menstruais
  • Cerca de 3,6 milhões de estudantes são afetadas no Brasil
  • 6 em cada 10 meninas têm cólicas fortes ou moderadas que atrapalham o dia a dia
  • Meninas negras faltam mais do que as brancas, mas relatam menos dores intensas
  • 1 em cada 10 professoras também já faltou ao trabalho por causa da menstruação

A realidade enfrentada por Ana Beatriz se repete em milhões de lares brasileiros. Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (27) pelos institutos Alana e Equidade.info aponta que quatro em cada dez meninas brasileiras que menstruam faltam à escola pelo menos uma vez por mês por causa de sintomas menstruais.

Segundo a pesquisa, cerca de 3,6 milhões de estudantes convivem com esse problema no país. O estudo também mostra que seis em cada dez meninas sofrem com cólicas fortes ou moderadas, capazes de atrapalhar atividades diárias e exigir uso de medicamentos.

A frequência das faltas aumenta conforme a intensidade das dores. Entre as meninas que deixam de ir à escola, 20,5% perdem um dia por mês, enquanto 16% ficam afastadas entre dois e cinco dias por mês.

O levantamento foi divulgado na semana do Dia Internacional da Dignidade Menstrual, celebrado em 28 de maio, e ouviu 2.551 estudantes, além de professores e gestores das redes pública e privada em todo o país.

Para Sofia Reinach, líder da iniciativa de endometriose, dor pélvica e saúde menstrual do Instituto Alana, o problema ainda é invisível.

Muitas meninas e mulheres estão sofrendo com dor e tendo suas vidas afetadas por isso, mas hoje ainda há uma baixíssima visibilidade desse problema, afirma.

O estudo também mostra que o tema continua cercado de tabu nas escolas. Ana Beatriz afirma que assuntos relacionados à saúde menstrual quase não foram abordados em sala de aula e que, quando surgiram, acabaram tratados como piada entre colegas.

A percepção sobre o impacto da menstruação também varia entre meninos e meninas. Enquanto 41,2% das alunas acreditam que o período menstrual atrapalha os estudos e atividades esportivas, apenas 23,7% dos meninos enxergam esse impacto.

Os pesquisadores alertam ainda para desigualdades raciais no acesso ao diagnóstico e no impacto das dores menstruais. Meninas negras faltam mais às aulas por questões menstruais do que meninas brancas, apesar de relatarem menos episódios de dores intensas.

A pesquisa também identificou reflexos no ambiente de trabalho. Uma em cada dez professoras afirmou ter faltado ao trabalho no último ano por motivos menstruais. Entre gestoras escolares, o índice sobe para 16,2%.