Ex-servidores da Prefeitura de São Paulo são alvo de operação do Ministério Público por suspeita de fraudes em licitações. A denúncia partiu da ex-mulher de um dos investigados, após uma briga do casal. O prefeito Ricardo Nunes confirmou a informação e disse que seis servidores foram exonerados.
A denúncia que deu início à operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra um esquema de fraude em licitação na prefeitura da capital foi feita após uma briga entre a ex-mulher de um dos alvos, que é ex-servidor municipal e foi exonerado em março deste ano.
- A ex-mulher de um dos servidores denunciou o esquema após uma briga com ele.
- Seis servidores foram exonerados da prefeitura por suspeita de participação no esquema.
- Uma licitação de ar-condicionado que estava superfaturada foi suspensa e refeita pela metade do valor.
- Os investigadores também apuram se os suspeitos compraram imóveis e carros com dinheiro ilegal.
- A prefeitura disse que não compactua com irregularidades e que ajudou na investigação.
A informação foi dada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) durante evento. O casal teve um desentendimento e a partir daí ela contou sobre a possível prática de atos ilícitos nas licitações.
Os dois alvos da operação são Vinícius Felipe Moreno, que atuava na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras, e Bruno Conrado do Espírito Santo, que era coordenador de licitações na Secretaria Municipal das Subprefeituras.
Investigação do Gaeco
Segundo a investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP, a denúncia foi recebida em fevereiro e reúne indícios de que, entre 2022 e 2025, os investigados interferiram em contratos públicos para beneficiar empresas em troca de vantagens indevidas.
Realmente, os relatos da ex-mulher de um deles eram bastante contundentes, por isso que, no dia seguinte, já iniciamos as exonerações de todos os seis que estariam supostamente envolvidos no esquema, disse Nunes sobre a operação.
Economia aos cofres públicos
Nunes disse que a licitação de ar-condicionado foi suspensa quando o caso passou a ser investigado. Segundo ele, o novo edital para a mesma contratação está em andamento, por metade do valor negociado. Foi emitida uma nova licitação de R$ 512 milhões. Então de R$ 1 bilhão caiu para R$ 512 milhões.
Além de investigar as suspeitas de fraude, o Gaeco também apura a evolução patrimonial dos investigados. Há indícios de aquisição de imóveis, veículos e outros bens incompatíveis com a renda oficialmente declarada por eles, inclusive por meio de pessoas interpostas.
As diligências foram realizadas em imóveis ligados aos ex-servidores na capital paulista e na Região Metropolitana, com recolhimento de celulares e outros materiais que serão submetidos à análise pericial. As sedes da Prefeitura de São Paulo e das secretarias municipais não foram alvo da operação.
Vice-prefeito pede investigação dos omissos
O vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo (PL), defendeu que o MP investigue os funcionários que teriam sido omissos na fiscalização das licitações. Parabenizo o Ministério Público e espero que eles apurem não só os responsáveis, mas também os omissos, aqueles que deveriam fiscalizar e impedir que isso acontecesse, disse Mello Araújo, nas redes sociais.
O que diz a Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de São Paulo reforçou que em março não só exonerou preventivamente seis servidores, como também levou a denúncia ao Ministério Público. A Prefeitura reforça que não compactua com desvios de conduta ou qualquer tipo de irregularidade. O compromisso da administração é com a ética, a transparência e o respeito ao dinheiro público, diz a nota.


Fábio Vieira/Metrópoles





