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04 de agosto de 2026

PM ignora pedidos da Prefeitura para derrubar construções ilegais na Rocinha

Cidades Irregularidades 04/08/2026 16:36 Daniela Calcia - Diário do Rio diariodorio.com

A Prefeitura do Rio enviou mais de 50 pedidos à Polícia Militar para derrubar construções irregulares na Rocinha, mas nenhum foi atendido. O caso veio à tona depois que um imóvel irregular foi anunciado por quase R$ 1 milhão na comunidade.

A divulgação de um imóvel irregular em construção na Rocinha, anunciado por quase R$ 1 milhão como investimento para a construção de quitinetes, trouxe à tona um problema antigo na comunidade: a dificuldade do poder público em agir com o apoio das autoridades para impedir o avanço das construções clandestinas.

Documentos obtidos pelo Diário do Rio mostram que a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) encaminhou, durante 2022 e 2023, 51 ofícios à Polícia Militar pedindo apoio para as operações de demolição de imóveis erguidos irregularmente na Rocinha. Segundo os documentos, nenhuma dessas ações chegou a ser realizada.

  • A Prefeitura do Rio enviou 51 pedidos à Polícia Militar para derrubar construções irregulares na Rocinha entre 2022 e 2023, mas nenhum foi atendido.
  • Um imóvel na comunidade, anunciado por quase R$ 1 milhão, gerou polêmica e chamou a atenção para o problema das construções ilegais.
  • O ex-subprefeito da Zona Sul e vereador Flávio Valle afirma que a Prefeitura perdeu a autoridade para controlar as construções nas favelas.
  • A Prefeitura afirma que vai enviar agentes para fiscalizar o imóvel anunciado e que já demoliu mais de 6.500 construções ilegais na cidade desde 2021.
  • O Diário do Rio tentou contato com a Polícia Militar para saber por que os pedidos de apoio não foram atendidos, mas não obteve resposta.

Os ofícios, enviados ao comando responsável pela segurança da região, pediam reforço policial para proteger as equipes municipais durante as demolições. O assunto ganhou repercussão depois que um vídeo do influencer Ruan Juliet mostrou a venda de um prédio na Rocinha, considerado o maior da comunidade, com 400 metros quadrados distribuídos em três andares.

Segundo o ex-subprefeito da Zona Sul e vereador Flávio Valle, a Prefeitura não tem mais o apoio da polícia para combater as construções ilegais. Ele lembra que, no passado, havia um programa chamado Pouso, em que arquitetos e engenheiros orientavam e exerciam autoridade dentro das comunidades, limitando o crescimento irregular. No entanto, quando as facções criminosas descobriram o mercado imobiliário ilegal, a Prefeitura, muitas vezes sem o apoio da Polícia, foi expulsa das comunidades e deixou de fazer esse trabalho importante.

Prefeitura promete fiscalização

Em nota, a Secretaria Municipal de Ordem Pública informou que enviará agentes da Coordenadoria Técnica de Operações Especiais para fiscalizar o local do imóvel anunciado. Se forem encontradas irregularidades, serão tomadas as medidas administrativas necessárias. Desde 2021, a Prefeitura já demoliu mais de 6.500 construções ilegais em toda a cidade, causando um prejuízo estimado em R$ 1,1 bilhão para os infratores.

O Diário do Rio também questionou a Polícia Militar sobre os 51 pedidos de apoio da Seop, perguntando por que as operações não foram feitas e se existe algum protocolo para atender a esse tipo de solicitação. A corporação também foi questionada sobre eventuais ações relacionadas ao imóvel anunciado. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta.