A poetisa Milena Martins Moura, que nasceu no Rio de Janeiro, escreveu um livro de poesia chamado 'o carro de apolo capotou no horizonte'. Este livro ganhou o Prêmio LOBA de 2025 e fala sobre a dor de crescer sendo uma mulher autista em um mundo que nem sempre a entende. A obra é como um caderno de rascunhos, mostrando o processo de criação e convidando o leitor para uma brincadeira poética sobre a memória e a verdade.
O novo livro da poetisa Milena Martins Moura, chamado 'o carro de apolo capotou no horizonte', foi lançado pela Macabéa Edições e tem 156 páginas. A obra junta poesia com brincadeiras e mostra a dor e o desconforto de ser uma mulher autista em um mundo que não acolhe as diferenças. O livro ganhou o Prêmio LOBA de 2025 e traz textos escritos só por mulheres, como Thaís Campolina, Luizza Milczanowski e Ana Luiza Rigueto.
- O livro venceu o Prêmio LOBA de 2025, um prêmio importante para escritoras.
- A obra parece um caderno de rascunhos, com versos repetidos e riscados, mostrando como a poesia é criada.
- Milena é escritora, tradutora, editora e pesquisadora, e já foi semifinalista do Prêmio Jabuti em 2024.
- Ela nasceu em 1986 no subúrbio do Rio de Janeiro e está fazendo doutorado em Literatura Comparada.
- O livro fala sobre trauma e a sensação de ser uma pessoa neurodivergente em uma sociedade que não entende bem essas questões.
O livro é feito com repetições e rasuras, como se fosse um caderno de rascunho. Isso mostra o próprio processo de escrever poesia. Milena faz uma investigação sobre a memória, a dor e a escrita, e ao mesmo tempo brinca com o leitor sobre o que é verdade ou não na história. Ela diz: 'Sobre o pretenso elemento autobiográfico, o livro brinca com ele, essa tentação crítica. Narrar é recortar o real. E por isso mesmo, toda narrativa já parte de um pressuposto de falta.'
Humor e dor andam juntos
Apesar de ter um jeito irreverente, o livro é cheio de uma dor escondida. Luizza Milczanowski escreveu no prefácio: 'Ironizando as tragédias dessa existência não solicitada, Milena nos diz que a vida é dor. Dor é prova de vida. Afinal, não há como condensar de outra maneira a sensação de estar soterrada num canto diante do mundo estrangeiro quando ainda estamos tentando entender: 'ora, o que estou fazendo aqui''
O humor aparece quando coisas do dia a dia se encontram com o absurdo, seja em situações chocantes que viram normais ou em comportamentos que as pessoas veem de um jeito estranho. Ana Luiza Rigueto fala que essa parte triste e engraçada aparece nas rasuras e nos pensamentos que o eu lírico deixa escapar. Já Aline Aimeé diz que o erro vira um método na obra. Milena explica que a voz poética do livro é 'uma metáfora da minha pobre geração perdida num mundo em colapso, nostálgica de um mundo que já não existe, catando os cavacos e recolhendo os cacos de esperanças de grandeza que nos prometeram e nunca serão cumpridas.'
A história da autora
Milena Martins Moura nasceu no subúrbio do Rio de Janeiro em 1986. Ela tem mestrado em Literatura Brasileira pela UERJ e está fazendo doutorado em Literatura Comparada pela UFF. Ela também é editora da revista 'cassandra'.
Ela já escreveu outros livros, como 'Promessa Vazia' (2011), 'Os Oráculos dos meus Óculos' (2014), 'A Orquestra dos Inocentes Condenados' (2021) e 'Banquete dos Séculos' (2021). 'o carro de apolo capotou no horizonte' é o livro mais novo dela.
Suas principais inspirações são Leila Miccolis, Viviane Mosé, Caio Fernando Abreu, Bruna Mitrano, Manoel de Barros, Sylvia Plath e Hozier. Ela também gosta de Bruna Beber, por causa do jeito irreverente, e de Adélia Prado, pela crítica à religião cristã.
Milena já tem um romance e um livro de contos prontos. O romance foi finalista do Prêmio SESC de Literatura em 2025.


Capa do livro 'o carro de apolo capotou no horizonte'






