A escritora Carla Madeira, uma das autoras de ficção mais lidas do Brasil, participou da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) em Salvador e destacou o papel das redes sociais e dos clubes de leitura para despertar o interesse por livros. Ela também comentou sobre a importância de políticas públicas para ampliar o acesso à leitura e falou sobre seu novo livro 'Quando'.
A escritora Carla Madeira, autora de sucessos como 'Tudo é Rio', 'A Natureza da Mordida' e 'Véspera', afirmou que o 'livro é uma ocasião de conversar'. Ela é a escritora de ficção mais lida do Brasil, com mais de 1 milhão de cópias vendidas.
Na noite deste sábado (8), Carla Madeira participou de um bate-papo com o público no Largo do Pelourinho, em Salvador, durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô). Ela celebrou o fato de mais brasileiros estarem lendo e comentando sobre livros, principalmente por meio das redes sociais e clubes de leitura.
- Mais de 1 milhão de livros vendidos pela autora.
- 47% da população brasileira se declara leitora, segundo pesquisa.
- Novo livro 'Quando' será lançado ainda este mês.
- Obra fala sobre uma mãe que denuncia o próprio filho.
- Carla Madeira escreveu o livro durante três lutos em sequência.
Durante o evento, a escritora disse: 'As pessoas estão descobrindo que é legal conversar sobre o que elas leem, concordar, discordar, discutir, entrar com outras vozes, cruzar livros, cruzar informações, criticar, aplaudir, está tudo valendo. E isso é maravilhoso porque é um exercício de troca e tem uma riqueza de ampliar a consciência'.
Para ela, o crescimento dos clubes de livros e festivais literários ajuda a aumentar o interesse pela leitura. 'Isso está sendo festejado, está sendo ampliado. E as redes sociais têm um papel superimportante nisso', completou.
Mesmo com o maior interesse pelos livros, a escritora acredita que o brasileiro ainda lê pouco. Ela destacou que, ao comparar os números do mercado editorial com a população de 220 milhões de pessoas, fica claro que há espaço para melhorar. 'Tem muitas questões envolvidas nisso, que vão desde a educação formal até o acesso ao livro e locais para se ler', disse.
Políticas públicas para incentivar a leitura
Em entrevista à Agência Brasil, Carla Madeira ressaltou a importância de políticas públicas para aumentar o acesso aos livros. Ela citou a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2024, que mostrou que 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora, mas 53% não havia lido sequer parte de um livro nos três meses anteriores.
Ela explicou que muitos brasileiros enfrentam dificuldades como falta de espaço adequado para leitura, condições sociais e acesso limitado. 'A gente está falando de uma realidade que é muitas vezes diferente de uma certa bolha que tem condição de ter acesso a livro, que tem uma casa, um quarto ou uma luz adequada à noite', acrescentou.
Novo livro 'Quando' aborda maternidade e luto
Durante a mesa na Flipelô, Carla Madeira contou que seu novo livro, 'Quando', será lançado ainda este mês. A obra conta a história de uma mãe que denuncia o próprio filho à polícia. Ela escreveu o livro enquanto vivenciava três lutos em sequência: a morte de sua mãe, de seu psicanalista e de sua sócia.
A autora explicou que, apesar do momento difícil, o livro não é uma autobiografia. 'Comecei a ler e comecei a querer uma linguagem para dar conta do real. Acho que toda emoção está no corpo. Todo corpo afetado busca retornar a um estado de equilíbrio. Então, qual é o recurso que ele tem A linguagem', disse.
O novo livro fala sobre uma mãe doente que espera reencontrar o filho após 20 anos. A história se passa em 1986, período em que o Brasil voltou a ter eleições diretas, com heranças da ditadura ainda presentes. 'A maternidade é uma coisa que está muito presente nos meus livros. É o primeiro lugar que nos recebe no mundo e é onde começamos a ter nossa primeira visão de mundo', completou.
A 10ª edição da Flipelô começou na quarta-feira (5) e termina neste domingo. A escritora participou do bate-papo 'Elas por Elas', mediado por Astrid Fontenelle. A repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador do evento.


Livro recém-lançado sobre a trajetória do repórter Luarlindo Ernesto, de O DIA - Érica Martin / Arquivoa O Dia





