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21 de agosto de 2026

Musical mostra como Gilberto Gil usou a arte para enfrentar a ditadura

Cultura Musical 21/08/2026 14:06 Folhapress noticiasaominuto.com.br

Depois de ser preso em 1968, Gilberto Gil foi para Londres com Caetano Veloso. Lá, ele se inspirou em novas músicas e voltou ao Brasil ainda mais criativo. Um novo musical conta essa história.

Gilberto Gil passou os primeiros anos da década de 1970 longe do Brasil. Depois de ser preso pela ditadura militar em 1968, foi para Londres com Caetano Veloso. Na Inglaterra, encontrou uma cena musical muito criativa.

O músico voltou renovado. Em Londres, comprou sua primeira guitarra, uma Gibson 335, e misturou rock com música brasileira. Como diz a música "Back to Bahia", ele precisou ir para voltar. O musical "Gil - Andar com Fé" conta essa história a partir do exílio.

5 pontos para entender:

  • Gilberto Gil foi preso em 1968 e exilado em Londres.
  • Em Londres, ele comprou sua primeira guitarra e se inspirou em novos sons.
  • O musical estreia dia 20 no Teatro Santander, em São Paulo.
  • A direção é de Miguel Falabella, com Gui Ventura no papel de Gil.
  • O espetáculo celebra a geração tropicalista e a luta contra a ditadura.

O espetáculo

O musical é dirigido por Miguel Falabella e protagonizado por Gui Ventura. Ele estreia nesta quinta-feira, dia 20, no Teatro Santander, em São Paulo. O objetivo é homenagear não só Gilberto Gil, mas toda a sua geração.

Segundo Falabella, o espetáculo quer homenagear uma geração que, no fim dos anos 1960, revolucionou a cultura brasileira. 'Eles vieram com tudo e nos salvaram do marasmo. Não é à toa que foram perseguidos', diz.

No palco, atores interpretam grandes nomes da música, como Gal Costa, Caetano Veloso e Maria Bethânia. Junto com Gil, eles formaram o grupo Doces Bárbaros em 1976.

A cenografia lembra as vanguardas artísticas que mudaram o Brasil nos anos 1950. O palco tem rampas que remetem às esculturas de Lygia Clark e bandeirinhas inspiradas em Alfredo Volpi. Essas bandeirinhas representam a infância de Gil em Ituaçu, na Bahia, onde ele aprendeu a tocar acordeão aos 10 anos, influenciado por Luiz Gonzaga.

O pai de Gil, que era médico, mudou-se com a família de Salvador por causa da dificuldade de trabalhar na capital. Na peça, ele diz que enfrentou o racismo.

A influência africana

A questão racial também aparece quando o musical mostra a viagem de Gil a Lagos, na Nigéria, em 1977. Lá, ele conheceu o ritmo afrobeat de Fela Kuti.

Essa experiência inspirou o disco 'Refavela', que mistura reggae e outros ritmos africanos. Músicas como 'Aqui e Agora' e 'Ilê Ayê' fazem parte desse trabalho.

O musical mostra esse contato com as culturas negras em um número que junta canções como 'Haiti', 'Ladeira da Preguiça', 'Babá Alapalá' e 'Punk da Periferia'.

Falabella diz que essa parte é linda porque Gil canta novos ritmos e sons. Para ele, o artista é de uma geração que renovou a arte brasileira. 'Eles enfrentaram o conservadorismo e trouxeram um novo ar', afirma.

A influência africana também aparece na estrutura da peça, que não conta a história em ordem cronológica. Isso é uma referência à cultura iorubá, que vê o tempo como uma espiral, misturando passado, presente e futuro.

Gil é guiado pelo Tempo-Rei, um personagem inspirado em uma música de Gil. Interpretado por Guga Barbosa, ele funciona como um guia que conduz o público pela história do músico.

Gil usou a poesia para enfrentar a repressão. Um exemplo é a música 'Cálice', feita com Chico Buarque, que fala sobre censura usando metáforas.

Em 1973, os dois tentaram cantar essa música em São Paulo, mas os censores do regime militar desligaram os microfones. Esse episódio é mostrado na peça.

O dramaturgo Newton Moreno afirma: 'Para nós, artistas, é uma lição de como devemos representar o país e a época por meio da arte'.

Moreno começou a história pelo exílio para alertar sobre o autoritarismo, que cresce em muitos países. Ele queria mostrar Gil em um momento difícil. 'Eu queria um momento de crise do Gil, que era familiar, geográfica e política', diz.

Os momentos de fraqueza mostram o homem por trás do ídolo. Gui Ventura quis mostrar isso em sua atuação.

Para interpretar Gil, Ventura se inspirou nas religiões africanas, onde os deuses não são perfeitos. 'Quando eu vejo Gil, ele é uma divindade próxima do humano, que erra, tem luz e sombra', explica.

Ventura não quis imitar Gil. 'Pensei em como criar esse personagem sem ser uma caricatura. Tentar ser totalmente o Gil talvez não fosse a melhor escolha', diz.

O musical também mostra o fim do casamento de Gil com Sandra Gadelha, depois de mais de dez anos juntos. Essa separação inspirou a música 'Drão', que fala sobre o amor que continua mesmo com o fim.

Ventura se emociona ao cantar essa música, que mostra um amor que se transforma. 'Ele mostra um amor que não é egoísta', diz.

O ator acredita que Gil mudou a música brasileira para sempre. 'Ele abriu portas para infinitas possibilidades. Todos nós somos influenciados por ele, gostando ou não', afirma.

Serviço: O musical 'Gil - Andar com Fé' acontece de quinta a domingo, no Teatro Santander, em São Paulo. Os ingressos custam a partir de R$ 50 e vão até 11 de outubro. Classificação: 12 anos. Elenco: Gui Ventura, Guga Barbosa e Henrique Zamith. Direção: Miguel Falabella.