Nascido em Viena e criado no Rio de Janeiro, Peter Peuker conta em 'Aventura Tropical' sua trajetória marcada pela engenharia, pela família e pela busca por pertencimento.
Peter Istvan Wilhelm Peuker chegou ao Brasil com apenas três anos, vindo de Viena, na Áustria, junto com os pais, que buscavam recomeçar após a devastação da Segunda Guerra. Sete décadas depois, ele transformou essas memórias em seu primeiro livro, 'Aventura Tropical', que conta sua história desde a infância no Leblon, no Rio de Janeiro, até sua carreira como engenheiro civil em grandes obras do país, abordando também temas como identidade, pertencimento e o sentido da vida.
A família de Peter já tinha uma ligação especial com o Brasil. Sua mãe, Ilona, foi técnica da seleção austríaca de ginástica nas Olimpíadas de Helsinque e depois ajudou a trazer e divulgar a ginástica rítmica no país. Seu pai, Emil, chegou com uma câmera Leica e muita vontade de reconstruir a vida em solo brasileiro.
Resumo em 5 pontos:
- Peter nasceu na Áustria e veio para o Brasil com 3 anos.
- Ele participou da construção da Ponte Rio-Niterói.
- O livro reúne 76 anos de memórias.
- Peter também é pintor autodidata desde 1969.
- A mãe dele foi uma das pioneiras da ginástica rítmica no Brasil.
A imigração é um dos temas centrais de 'Aventura Tropical'. Filho de austríacos que deixaram a Europa no pós-guerra, Peter conta como a família se adaptou ao novo país, enfrentando as dificuldades com a língua e a cultura, mas também construindo relações e incorporando o Brasil em suas vidas.
A ideia de escrever suas memórias surgiu quando Peter pensou sobre o tempo e o que fica de nós. Depois de uma conversa com sua irmã Anita sobre jazigos de cemitérios, ele refletiu: 'Tive um certo desconforto com a finitude, que com o passar de três ou mais gerações, você simplesmente não existiu, não deixou rastros, vestígios.'
Sem experiência com escrita, Peter levou cerca de quatro anos para escrever o livro. 'Fui escrevendo sem estudo prévio ou técnica nenhuma, fui simplesmente escrevendo', conta. Muitas vezes, escrevia até de madrugada, até que suas lembranças e reflexões tomassem forma.
O Rio de Janeiro da infância
Grande parte do livro é dedicada ao Rio de Janeiro de sua infância e juventude. Criado no Leblon, Peter relembra as brincadeiras de rua com a turma 'da Visconde', as diferenças sociais do bairro, as matinês no Cine Pax e os ensaios de escolas de samba. Ele afirma que, apesar da timidez e da dificuldade com a língua, nunca sofreu bullying ou discriminação: 'Este acolhimento facilitou a minha integração ao meio.'
Na adolescência, ele começou a perceber como diferentes mundos sociais conviviam no mesmo espaço. Ao revisitar essas memórias, Peter descobriu que muitas coisas que considerava normais eram, na verdade, incomuns. 'Achei que ter uma vida com alguma dose de aventura fosse algo normal. Só percebi que talvez não fosse quando comecei a contar essas histórias e vi o espanto dos outros', conta.
Formado em engenharia civil em 1973, Peter participou de grandes obras, como a Ponte Rio-Niterói, o Projeto Grande Carajás, no Pará, a ferrovia e o porto de São Luís, no Maranhão, a BR-262 no Pantanal, além de vários terminais marítimos nas décadas de 2000 e 2010.
Entre duas origens
Nascido na Áustria e criado no Brasil, Peter aborda em seu livro questões de identidade e pertencimento. A obra reúne memórias pessoais e familiares para mostrar que a identidade pode ser construída pela convivência, mais do que pela origem.
Um dos capítulos é dedicado à sua mãe, Ilona, e reproduz o folheto 'Perseguida pela Ginástica', publicado por ela em 1971. O livro também traz a história de seu primo István Faix, que viveu sob os sistemas socialista e capitalista na Hungria.
Para Peter, todas as histórias convergem para uma ideia de pátria baseada nas relações humanas. 'Meu livro transmite esta mensagem, que pátria é a simples convivência com as pessoas', analisa.
O autor também usa sua memória individual para observar transformações mais amplas, registrando mudanças tecnológicas, econômicas e nos hábitos cotidianos ao longo de 76 anos.
Um livro escrito como pintura
Leitor de autores como Machado de Assis, Lima Barreto, Jack Kerouac, Stefan Zweig e Yuval Harari, Peter também é pintor autodidata desde 1969, e já expôs no Museu de História Natural de Corumbá.
Essa experiência com as artes visuais influenciou sua forma de escrever. Para ele, escrever as memórias foi uma maneira diferente de registrar pensamentos, experiências e imagens acumuladas ao longo da vida.
Em 'Aventura Tropical', a memória pessoal se transforma em um registro de uma trajetória marcada por países, cidades, profissões e paisagens. Das brincadeiras no Leblon às grandes obras de infraestrutura, o livro reúne episódios de uma vida que o autor passou a considerar extraordinária quando começou a contá-la.
Sobre o autor
Peter Istvan Wilhelm Peuker nasceu em Viena, Áustria, em 1949, e veio para o Brasil aos três anos. Engenheiro civil formado em 1973, trabalhou em obras como a Ponte Rio-Niterói e o Projeto Grande Carajás, além de projetos de infraestrutura e terminais marítimos. Também é pintor autodidata desde 1969, com exposição no Museu de História Natural de Corumbá. Atualmente, mora na Gávea, Rio de Janeiro.
Ficha técnica
- Título: Aventura Tropical
- Autor: Peter I. W. Peuker
- Editora: Novo Arco Design & Editorial
- Páginas: 560
- ISBN: 978-65-82817-22-9
- Formato: 16 x 23 cm


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