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Tarifaço de Trump: empresários brasileiros vão hoje a audiência no Escritório de Comércio dos Estados Unidos

Economia Tarifaço 03/09/2025 09:38 Eliane Oliveira https://extra.globo.com/economia/noticia/2025/09/tarifaco-de-trump-empresarios-brasileiros-vao-hoje-a-audiencia-no-escri torio-de-comercio-dos-estados-unidos.ghtml

Comitiva que foi a Washington quer destravar diálogo entre governos americano e do Brasil a fim de tirar tarifas do caminho das exportações para maior economia do mundo

Um grupo de empresários capitaneados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) participará, nesta quarta-feira (dia 3), de uma audiência pública no Escritório do Representante de Comércio (USTR) dos Estados Unidos, em Washington. O objetivo é tomar parte das discussões em torno da investigação aberta contra o Brasil, com o intuito de investigar práticas de comerciais que estejam prejudicando a economia americana.

A CNI será representada pelo embaixador Roberto Azevêdo, ex-secretário-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). A audiência ocorrerá a portas fechadas e deverá durar cerca de oito horas.

A investigação, feita com base na Seção 301 da Lei de Comércio do país, tem como foco as áreas financeira, de comércio, digital, relacionadas ao desmatamento, de combate à corrupção e de propriedade intelectual. Os alvos da investigação o acesso do etanol americano ao mercado brasileiro, o Pix e o comércio popular da Rua 25 de Março, em São Paulo.

O governo brasileiro enviou, há cerca de duas semanas, um relatório sobre cada um dos itens questionados pelo USTR. A expectativa é que, até o fim deste mês, seja realizada uma audiência em Washington entre autoridades do Brasil e dos EUA. O processo de investigação costuma levar cerca de um ano.

Destravar o diálogo

A missão da CNI, que inclui 1.093 empresários dos mais variados setores, também tenta abrir um canal de diálogo para que os governos dos dois países possam negociar novas exceções na aplicação de uma sobretaxa de 50% sobre as exportações brasileiras, anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Setores como os de cerâmica, carnes, pescados, café, frutas, bens de capital e calçados estão entre os mais prejudicados com a medida.

Na terça-feira, o presidente da CNI, Ricardo Alban, reuniu-se com a embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti. O encontro foi para discutir frentes de atuação do setor privado nas negociações que buscam reverter as tarifas impostas pelo governo americano a produtos brasileiros.

Nosso objetivo com essa missão é marcar uma posição firme e contundente, dando a nossa versão, a versão do setor privado sobre a importância de uma negociação que leve à reversão das tarifas explicou Alban, defendendo que esse diálogo ocorra "nos termos comerciais e econômicos e de forma racional e técnica".

O encontro com a embaixadora foi a primeira de uma série de agendas que a comitiva empresarial. Participaram da reunião dirigentes das federações das indústrias de Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo.