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Lula diz não a pedido de socorro para o BRB, banco de Brasília

Economia BRB 21/05/2026 08:48 Folhapress noticiasaominuto.com.br

O presidente Lula recusou o pedido de ajuda do governo do Distrito Federal para salvar o BRB (Banco de Brasília), que está com sérios problemas financeiros. Mesmo com a pressão de políticos do centrão e da governadora Celina Leão, Lula decidiu não dar o dinheiro. O banco não conseguiu publicar seus resultados financeiros no prazo e está envolvido em um escândalo com o Banco Master, o que piorou ainda mais a situação. Agora, o futuro do BRB é incerto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve a decisão de não autorizar uma ajuda do governo federal para salvar o BRB (Banco de Brasília), mesmo com a tentativa de líderes do centrão de abrir um canal direto no Palácio do Planalto para a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP).

Celina, que é da oposição ao governo federal, pediu ajuda ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para conseguir uma reunião com Lula. O presidente, porém, não recebeu a governadora e deixou claro que vai recusar o resgate federal do banco, segundo informações obtidas pela Folha com pessoas que acompanham as negociações.

  • O BRB não publicou seu balanço financeiro de 2025 no prazo, o que é obrigatório para bancos.
  • O banco sofreu perdas enormes em negócios com o Banco Master, que está no centro de um grande escândalo.
  • Lula foi orientado a ficar longe do BRB porque o caso envolve Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, que é pré-candidato à Presidência.
  • O governo do Distrito Federal e o centrão tentaram, mas não conseguiram convencer Lula a liberar o dinheiro.
  • O Banco Central está de olho na situação e pode tomar medidas mais duras contra o BRB.

A pressão do centrão e a recusa de Lula

Motta, que é amigo de Celina e esteve ao lado dela na corrida de 200 anos da Câmara no último fim de semana, falou com auxiliares de Lula, mas não conseguiu marcar o encontro. Aliados de Motta dizem que ele já acredita que a ajuda do Tesouro não vai sair mais.

O BRB vive um momento muito delicado. O banco não cumpriu o prazo legal de 31 de março para publicar suas demonstrações financeiras de 2025. A instituição disse que precisa terminar uma auditoria para descobrir o tamanho do prejuízo com as operações do Banco Master, o que deixou o mercado e os investidores sem saber o real tamanho do rombo.

O escândalo do Banco Master e o risco político

Na situação atual, em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, está envolvido no caso "Dark Horse" com o dono do Banco Master, Lula foi aconselhado a ficar ainda mais longe do BRB. O escândalo deve ser um tema importante na campanha presidencial do PT, por causa das relações conhecidas entre o filho de Jair Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Esse novo episódio do caso reforçou a opinião de Lula e seus auxiliares de que não devem ajudar o BRB, mesmo com a movimentação do centrão, que contou com o apoio nos bastidores do Planalto do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT). O ministro, que é muito próximo ao ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), acabou tendo que dizer, em sua primeira coletiva, que era contra um socorro do governo Lula. O Palácio do Planalto e a governadora Celina Leão não quiseram comentar o assunto.

O prazo de 29 de maio e a crise de caixa

O BRB tem até o dia 29 deste mês para conseguir um aporte de capital (injeção de dinheiro) e publicar seu balanço, registrando os prejuízos com a compra de carteiras de crédito fraudulentas e ativos do Banco Master que valiam menos do que o preço pago. Faltando nove dias para o prazo, a diretoria do banco não deu nenhuma informação oficial.

O banco também está com sérios problemas de caixa (falta de dinheiro disponível) e vem vendendo seus ativos (bens e direitos). Essas vendas, porém, não estão sendo suficientes para equilibrar a situação, de acordo com pessoas ouvidas pela Folha que preferiram não se identificar.

Até o dia 29, o BRB espera receber R$ 3 bilhões de um fundo de investimento gerido pela Quadra Capital, referente à venda de ativos que eram do Master. O banco já recebeu R$ 1,2 bilhão desse fundo, segundo uma pessoa ligada ao banco. Esse dinheiro é para tentar resolver o problema de falta de caixa. Procurado, o BRB não quis comentar.

Tentativas de solução e risco de intervenção

Em conversas com pessoas próximas, o presidente do BRB, Nelson Souza, afirma que o aumento de capital será feito no prazo. Uma operação com novos instrumentos de garantia para o empréstimo do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e de um consórcio de grandes bancos está sendo organizada, além da securitização de dívida ativa. Essa operação está sendo mantida em segredo.

Integrantes de grandes bancos avaliam, no entanto, que mesmo que o BRB consiga resolver o problema no curto prazo, ele tem poucas chances de evitar uma intervenção do Banco Central (BC). Isso porque o tamanho do rombo seria maior do que se imagina, e o banco não teria fôlego para aguentar mais de seis meses.

Uma notícia ruim para o BRB foi a decisão do TJDF (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios) de encerrar o contrato com o banco no dia 14 de maio. Os depósitos judiciais do tribunal eram uma fonte de dinheiro importante para o caixa da instituição. O risco é de que outros tribunais façam o mesmo. Os novos depósitos judiciais do TJDF agora vão para a Caixa Econômica Federal. A Caixa já avisou que não vai poder socorrer o BRB, como se pensava no início.

O clima entre os funcionários do BRB é de desânimo, de acordo com relatos colhidos pela reportagem. Eles reclamam da falta de um apoio mais forte do sindicato dos bancários. O banco tem cerca de cinco mil funcionários. A esperança é que o sistema bancário encontre uma solução para evitar mais uma quebra de banco.

Como mostrou a Folha, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse a deputados do DF nesta quarta-feira (20) que a situação do BRB está sendo avaliada todos os dias e que a autoridade monetária não depende do prazo de 29 de maio para publicar o balanço de 2025. Galípolo explicou que o prazo legal já terminou em 31 de março, e o BRB não cumpriu, deixando em aberto o tamanho do rombo causado pelas operações com o Banco Master.

Segundo deputados distritais e federais que participaram da reunião, o presidente do BC afirmou que podem ser tomadas medidas complementares à multa que já está sendo aplicada pelo descumprimento do prazo, independentemente da apresentação do balanço até o fim do mês. Os deputados são contra a privatização e a liquidação (fechamento) do BRB pelo BC. A deputada federal Érika Kokay (PT-DF) disse que a bancada do DF quer salvar o banco, mas não vai aceitar que o governo Celina Leão transfira a responsabilidade para o governo Lula.