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Banco Central aperta regras para fintechs após crise

Economia Regulacao 27/06/2026 10:16 Da CNN Brasil cnnbrasil.com.br

O Banco Central decretou a liquidação de uma empresa de investimentos e especialistas apontam que as regras para fintechs estão ficando mais rígidas para evitar novos problemas no sistema financeiro.

O Banco Central (BC) determinou, nesta sexta-feira (26), o fechamento forçado da Sefer Investimentos DTVM, uma empresa de investimentos com sede em São Paulo.

Em comunicado, o BC disse que a medida foi necessária porque a situação financeira da empresa estava muito ruim e representava um risco grande para o mercado.

  • A Sefer foi fechada pelo BC por problemas financeiros graves
  • Os bens de mais de 12 diretores e ex-diretores da empresa foram bloqueados
  • O dono da Sefer é suspeito de ajudar um operador financeiro envolvido em escândalo
  • Especialista diz que BC está apertando as regras para fintechs
  • Para investidores, a dica é escolher gestoras com histórico confiável e entender os ativos dos fundos

A autoridade também citou que a empresa desrespeitou as leis e, como parte do processo, mandou bloquear os bens de mais de 12 administradores e ex-administradores que fazem parte do conselho da empresa.

Outras quatro empresas que controlam a Sefer também tiveram os bens bloqueados.

A suspeita de fraude

A principal suspeita é que o dono da empresa, Benjamin Botelho de Almeida, teria atuado como operador financeiro de Daniel Vorcaro, ajudando em uma rede de compra e venda de títulos considerados sem valor. A Sefer já estava sendo investigada em uma segunda fase de uma operação que apura fraudes relacionadas ao Banco Master.

Procurada pela reportagem, a Sefer não respondeu até o momento da publicação.

O que diz o especialista

Em entrevista ao CNN Money, o professor de Economia da Ibmec-RJ, José Ronaldo Souza, avaliou que a medida faz parte de um esforço maior para revisar os impactos do caso Master no sistema financeiro brasileiro. Ele disse que a credibilidade fica abalada, mas que é um processo necessário por causa dos problemas que aconteceram. Segundo ele, a Sefer é uma empresa pequena e o caso não deve ter grande impacto no sistema como um todo.

"O Banco Central tem que tomar esse tipo de atitude para continuar essa operação de revisão de até onde a operação do Banco Master atingiu", acrescentou. Souza também destacou que a rede de créditos podres distribuídos pelo Banco Master é maior do que se imaginava. Ainda assim, ele acredita que o pior já passou e que os próximos problemas devem ser menores.

O futuro das fintechs

Para Souza, o sistema financeiro brasileiro continua forte e os eventos recentes não colocam em risco sua confiabilidade. Ele explicou que o crescimento das fintechs foi acompanhado, no começo, de regras mais fracas, criadas para estimular a concorrência.

"Primeiro uma regulação muito frágil para estimular a concorrência e agora, naturalmente, um aperto nessa regulação para evitar os exageros que acabaram ocorrendo", analisou.

Sobre a forma como o Banco Central agiu decretando a liquidação de forma rápida, o especialista considerou a atitude correta, dizendo que agir rápido ajuda a diminuir o estrago. Ele acredita que a decisão foi tomada após uma análise interna sobre a melhor forma de lidar com a gravidade do problema.

Para investidores, Souza recomendou procurar gestoras com histórico confiável, entender o tipo de ativo que compõe as carteiras dos fundos e, quando necessário, buscar ajuda de profissionais qualificados. "A questão não é o instrumento, a questão é o tipo de ativo que o fundo compra", concluiu.