A Justiça de Mato Grosso mandou sequestrar um avião e três carros de um grupo suspeito de roubar cargas de algodão, fraudar a qualidade do produto e esconder documentos. Os donos das algodoeiras também impediram que as vítimas entrassem na fazenda para verificar os estoques.
Um avião de pequeno porte, usado para esconder caixas de documentos e computadores de uma algodoeira, foi sequestrado pela Justiça de Mato Grosso. A medida faz parte da segunda fase da Operação Safra Desviada, que investiga um esquema de desvio de cargas de algodão e lavagem de dinheiro.
- O avião sequestrado é um Cirrus Design SR22, ano 2008, que estava registrado em nome de duas empresas.
- O grupo é suspeito de causar um prejuízo de R$ 28,77 milhões às vítimas.
- Os investigadores descobriram que os suspeitos fraudavam a classificação do algodão, vendendo o produto de alta qualidade como se fosse inferior.
- Além do avião, três carros também foram sequestrados pela Justiça.
- A juíza do caso disse que os bens podem ter sido comprados com o dinheiro do crime.
De acordo com as investigações do Gaeco, o grupo criminoso usou o avião para retirar provas do local no dia da primeira fase da operação, em fevereiro deste ano. A juíza Cláudia Anffe Nunes da Cunha, do Núcleo de Justiça 4.0 de Sinop, autorizou novas buscas, quebra de sigilos bancários e bloqueio de bens.
Como funcionava o esquema
Segundo o Gaeco, Renato Antonio Duarte e sua filha, Marianna Costa Araujo Duarte Mota, controlavam as algodoeiras e classificavam o algodão de alta qualidade como se fosse de padrão inferior. Isso fazia o preço cair artificialmente e os contratos com grandes empresas eram cancelados.
Depois, um funcionário de confiança das vítimas, Joseandro Gomides da Cruz Lima, vendia o algodão para empresas parceiras usando contratos fraudulentos. O dinheiro era desviado para contas de empresas de fachada.
Tentativa de atrapalhar a investigação
Após a primeira fase da operação, os investigados tentaram atrapalhar as investigações. Eles removeram caixas de documentos e computadores da filial da algodoeira na Fazenda Paranatinga. O avião e uma caminhonete foram usados para transportar as provas.
A juíza destacou que os suspeitos também impediram que os representantes das vítimas fiscalizassem os estoques e retiraram as etiquetas de identificação dos fardos de algodão.
Decisão da Justiça
A magistrada afirmou que a investigação tem elementos concretos do esquema criminoso. Ela disse que há risco de destruição de provas se as medidas não fossem tomadas. O avião e os veículos foram sequestrados porque podem ter sido comprados com dinheiro do crime.
Renato Antonio Duarte foi mantido como fiel depositário do avião, mas não pode usá-lo. Além do avião, foram sequestrados três veículos: uma Fiat Titano, uma Toyota SW4 cinza e uma Toyota SW4 preta.
Alvos da operação
As empresas e pessoas investigadas são:
- Algodoeira Lucas Cotton - Lucas do Rio Verde
- Algodoeira Lucas Cotton - Nova Ubiratã
- Algodoeira Lucas Cotton - Sorriso
- Renato Antonio Duarte - Lucas do Rio Verde
- Marianna Costa Araújo Duarte Mota - Sinop
- Agropecuária MAP Ltda - Lucas do Rio Verde e Tapurah
- OHD Indústria e Comércio de Óleos e Grãos Ltda - Lucas do Rio Verde
- Franklin Barros Borges - Nova Ubiratã
- Dayane Lessa de Souza - Sorriso
- Eduardo Faustino Pereira - Álvares Machado e Presidente Prudente (SP)


Investigação do Gaeco






