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05 de agosto de 2026

BRB não conclui plano de recuperação e crise financeira se agrava

Economia Crise 05/08/2026 18:20 Acir Pauta Diária pautadiaria.com.br

O Banco de Brasília (BRB) terminou o prazo de 180 dias sem concluir as principais ações do plano de recuperação financeira apresentado ao Banco Central. A estratégia, criada em 2026 para lidar com a crise causada por operações com o Banco Master, segue incompleta, aumentando as incertezas sobre a situação da instituição.

O Banco de Brasília (BRB) chegou nesta quarta-feira (5) ao fim do prazo de 180 dias estabelecido para executar as principais medidas de seu plano de recomposição patrimonial apresentado ao Banco Central. A estratégia foi elaborada no início de 2026 como resposta à deterioração financeira provocada pelas operações realizadas com o Banco Master, mas as iniciativas centrais ainda não foram concluídas, ampliando as incertezas sobre a situação da instituição.

O plano previa ações destinadas a reforçar o patrimônio do banco e recuperar sua capacidade financeira após a identificação de um déficit bilionário decorrente de investimentos e operações de crédito realizados entre 2024 e 2025. As transações, que somaram cerca de R$ 30 bilhões, tornaram-se alvo de investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.

  • O BRB tinha 180 dias para concluir as medidas de recuperação, mas o prazo terminou sem que as ações principais fossem finalizadas.
  • A crise começou após operações com o Banco Master, que somaram cerca de R$ 30 bilhões em transações entre 2024 e 2025.
  • O banco enfrenta um déficit bilionário e não divulga balanços financeiros desde novembro de 2025.
  • Um empréstimo de R$ 6,6 bilhões, parte do plano, ainda depende da aprovação de outras instituições financeiras.
  • Um acordo para vender R$ 15 bilhões em ativos ao fundo Quadra Capital foi encerrado em junho, complicando a situação.

Medidas seguem sem conclusão

Entre as principais ações previstas no plano de recuperação está a contratação de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões, cuja negociação foi estruturada no âmbito de um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar disso, a operação ainda depende da participação e aprovação de instituições financeiras públicas e privadas, etapa que permanece sem definição.

Outra alternativa considerada pelo banco era a negociação de aproximadamente R$ 15 bilhões em ativos ligados ao Banco Master com o fundo Quadra Capital. O acordo, entretanto, foi encerrado em junho, eliminando uma das principais possibilidades de liquidez previstas pela administração.

Sem essas duas operações, o plano de recuperação patrimonial permanece incompleto, justamente no encerramento do prazo inicialmente informado ao Banco Central.

Falta de balanços aumenta incertezas

Outro fator que amplia as dúvidas sobre a real situação financeira do BRB é a ausência da divulgação de demonstrações financeiras consolidadas desde novembro de 2025.

Sem os balanços atualizados, investidores, órgãos de controle e o mercado financeiro não conseguem mensurar com precisão o tamanho do déficit patrimonial nem avaliar os efeitos das medidas adotadas até o momento.

Nos últimos meses, o banco anunciou providências jurídicas, incluindo ações de responsabilização contra ex-administradores e medidas de bloqueio de bens de investigados ligados ao Banco Master. Apesar dessas iniciativas, ainda não há estimativa oficial sobre o impacto financeiro dessas medidas na recuperação da instituição.

Crise atingiu a antiga direção

A crise também provocou mudanças na administração do banco. Em abril deste ano, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso durante as investigações da Operação Compliance Zero. Ele é acusado de autorizar operações consideradas irregulares e de descumprir normas de governança e gestão de riscos.

As apurações continuam em andamento e envolvem antigos dirigentes do banco e empresários ligados ao Banco Master.

Empréstimo pode gerar discussão jurídica

Além do desafio financeiro, a operação de crédito de R$ 6,6 bilhões ocorre em um cenário de debate jurídico.

Especialistas em direito público apontam que a contratação de empréstimos nos últimos meses de mandato pode ser questionada com base nas restrições previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), especialmente quanto à criação de obrigações financeiras que possam ser transferidas para a administração seguinte sem a correspondente disponibilidade de caixa.

Por outro lado, a Procuradoria-Geral do Distrito Federal sustenta que o acordo firmado perante o Supremo Tribunal Federal confere segurança jurídica à operação, entendimento que poderá ser submetido à apreciação do Poder Judiciário caso haja eventual contestação.

Banco afirma manter diálogo com o Banco Central

Em nota, o BRB informou que mantém diálogo permanente com o Banco Central e afirmou permanecer confiante na conclusão das medidas de recomposição patrimonial previstas em seu plano de recuperação.

A instituição acrescentou que as negociações relativas ao empréstimo continuam em andamento, mas não informou se houve solicitação de prorrogação do prazo de 180 dias encerrado nesta quarta-feira.

O Banco Central, por sua vez, não comentou a situação do banco.