pt-br

22 de agosto de 2026

Petrobras pode ter petróleo por mais 40 anos com nova área

Economia Petróleo 22/08/2026 15:21 Denise Luna e Gabriela da Cunha (Estadão Conteúdo, CNN Brasil) cnnbrasil.com.br

Descoberta de petróleo no Amapá anima empresa e mercado

A produção de petróleo na Margem Equatorial pode levar de seis a sete anos para começar, mas a descoberta de indícios de óleo no primeiro poço perfurado pela Petrobras em águas profundas do Amapá animou o mercado e a empresa. O resultado veio dez meses após o início da exploração no poço pioneiro de Morpho.

Se o potencial da bacia da Foz do Amazonas, uma das cinco áreas da Margem Equatorial, for confirmado, os reservatórios podem garantir pelo menos mais 40 anos de produção, segundo Wagner Victer, gerente executivo de Projetos Estruturantes da Petrobras.

  • O primeiro poço foi perfurado em águas ultraprofundas do Amapá.
  • A descoberta pode garantir mais 40 anos de produção de petróleo.
  • A Petrobras planeja investir US$ 2,5 bilhões na Margem Equatorial.
  • O Ibama precisa autorizar a perfuração de novos poços.
  • A região é estratégica para repor as reservas do pré-sal.

"Eu vi o começo da bacia de Campos e é emocionante ver que estamos participando de um momento histórico, abrindo uma nova fronteira de exploração para uma nova geração, um sinal de longevidade para a Petrobras que vai trazer novos profissionais e engenheiros para o setor", disse Victer.

Segundo a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, o óleo encontrado será analisado pelo Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes) para avaliar a qualidade e o potencial do poço. "Vamos aguardar as análises que serão feitas no Cenpes sobre o óleo", disse Sylvia à Broadcast nesta segunda-feira.

A Margem Equatorial é estratégica para a Petrobras porque pode ajudar a repor as reservas de petróleo a partir da próxima década, quando a produção do pré-sal deve atingir o pico e começar a cair. O plano de negócios para 2026-2030 prevê investimentos de US$ 2,5 bilhões na região e a perfuração de 15 novos poços.

Os próximos passos dependem do Ibama, que analisa o pedido da Petrobras para perfurar mais três poços. No caso de Morpho, foram mais de 12 anos de espera, e a liberação só saiu em outubro de 2025, após muita pressão da empresa. A inglesa BP, que tinha 70% do ativo até 2021, desistiu de esperar e vendeu sua parte para a Petrobras.

"Precisamos acelerar o licenciamento dos outros poços para saber o que tem lá, não dá para ficar nesse dilema a cada poço. Agora, se avançarmos, vamos falar de escalas muito diferentes de atividade geológica e exploratória, a escala aumenta", disse Edmar Almeida, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio.

"Precisamos superar o debate ambiental, porque agora não estamos falando de fazer um poço a mais, mas sim três e muitos mais. Na Guiana, por exemplo, já são mais de cem poços. Até a comprovação completa dos reservatórios e a produção em grande volume, serão feitas várias declarações de comercialidade", disse o professor.

Depois do anúncio da descoberta, na sexta-feira (14), Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, destacou a importância de o Ibama acelerar as licenças ambientais. "Não temos números da Petrobras, então não dá para saber se é uma descoberta relevante, mas é uma boa notícia que mostra a importância de agilizar as licenças", disse.

Sem Efeito

Ilan Arbetman, analista de energia da Ativa Investimentos, diz que a descoberta é positiva, mas ainda não há informações suficientes para "precificar" a ação da Petrobras. "Uma avaliação consistente exigiria provas de escala comercial, boa produtividade e competitividade econômica. Até lá, a descoberta deve ser tratada como opcionalidade exploratória, sem mudar nossa recomendação", explicou.

Segundo ele, a identificação de petróleo e gás no bloco FZA-M-59 é positiva, pois melhora as perspectivas de exploração da Petrobras na bacia da Foz do Amazonas, área fundamental para repor as reservas no longo prazo.

Segundo Rivaldo Moreira Neto, sócio-diretor da A&M Infra, a descoberta deve fazer o governo acelerar os leilões na região e aumentar o interesse de empresas privadas pelos blocos. Para ele, a governança não deve se opor aos investimentos necessários.

"É um anúncio que confirma o interesse de quem participou do leilão e deve ter boa influência na corrida daqui para frente. Ainda há riscos, mas os operadores são de classe mundial e muito eficientes", disse. "É uma região que exige muita exploração, mas não acho boa ideia aumentar muitos prêmios num cenário de competição global por investimentos", completou.

Em junho, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) aprovou a indicação de 86 blocos da Margem Equatorial para futuros leilões. Para que os blocos sejam oferecidos, ainda é preciso cumprir a análise ambiental e a emissão de uma manifestação conjunta dos Ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente. "Há uma grande dependência dos órgãos ambientais, mas com a primeira descoberta talvez vejamos um ritmo melhor", disse o advogado.

Em entrevista à Broadcast, o professor da PUC e ex-diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn, disse que a Margem Equatorial pode mudar a geopolítica nacional se virar uma nova província petrolífera. "Vai mudar a geopolítica em termos de poder econômico e industrial, porque pode ser um novo caminho de desenvolvimento econômico e social para a região", afirmou.