A BRF, dona da Sadia e Perdigão, quer levantar R$ 825 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), podendo chegar a R$ 1,03 bilhão. O dinheiro será usado para tocar a produção, comprar grãos, animais e outros investimentos. A empresa já havia captado R$ 1,2 bilhão em abril e, no ano passado, emitiu cerca de R$ 5,6 bilhões em títulos parecidos.
Depois de levantar R$ 1,2 bilhão em abril deste ano, a BRF voltou ao mercado para uma nova emissão. A companhia, dona das marcas Sadia e Perdigão, quer captar R$ 825 milhões em CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), oferta que pode chegar a R$ 1,03 bilhão se houver demanda pelo lote extra de 25%.
- A BRF vai emitir títulos que pagam juros de formas diferentes, variando conforme o CDI, a taxa de juros futura ou a inflação, com prazos de 4,5 até 30 anos.
- A empresa do agro usa esse tipo de operação para conseguir dinheiro com investidores, usando seu nome forte no mercado, em vez de só depender de bancos.
- Os recursos serão usados para custear a produção, comprar grãos, animais, matrizes, insumos e até serviços de armazenagem e reflorestamento.
- A dívida da BRF cresceu bastante no último ano, passando de R$ 4,7 bilhões para R$ 9,6 bilhões, principalmente por causa da compra de gado para abate.
- No ano passado, a empresa já tinha feito ofertas parecidas, somando cerca de R$ 5,6 bilhões em emissões.
A emissão será dividida em quatro séries. A primeira vence em quatro anos e meio e paga um rendimento ligado ao CDI, limitado a 101,5% do CDI ao ano.
A segunda série vence em sete anos. Quem investir nela recebe ou a variação do contrato de juros DI com vencimento em janeiro de 2031 mais 0,25% ao ano, ou uma taxa fixa de 14,8% ao ano, valendo o que for maior.
A terceira série tem prazo de 10 anos e o retorno acompanha a inflação (Tesouro IPCA com vencimento em maio de 2035) mais 0,35% ao ano, ou uma taxa fixa de 8,4% ao ano, também valendo o que for maior.
A última série vence em 30 anos, lá para 2056. Quem entrar recebe inflação (Tesouro IPCA com vencimento em maio de 2055) mais 1,1% ao ano, ou uma taxa fixa de 8,7% ao ano, novamente o que for maior.
Essa operação é conhecida como "CRA bênture": a BRF emite um título (debênture) em nome de uma securitizadora, a Ecoagro, que depois distribui para investidores como CRAs do agronegócio.
No documento da oferta, a BRF explica que vai usar o dinheiro nos negócios rurais do dia a dia, como compra de grãos, animais, matrizes, insumos e também serviços de armazenagem, pesquisa e reflorestamento.
Mesmo tendo faturado R$ 16 bilhões só no segundo trimestre, a empresa faz esse tipo de captação com frequência para manter a operação rodando. Ela aproveita o porte e a boa reputação para pegar dinheiro com investidores.
Quando apresentou o balanço, o CFO José Ignácio Rey disse que a dívida cresceu porque foi preciso mais capital de giro, principalmente para comprar gado para abater nas fábricas.


BRF - Crédito: AgFeed





