A mascote do EXTRA conversa com Dario Durigan sobre inflação, dívida pública, empréstimos e reunião entre Lula e Trump
Ema Jurema, a famosa repórter-mascote do EXTRA, está cada vez mais conhecida, até nos círculos de Brasília. Além de já ter entrevistado vários candidatos nesta e em outras eleições e de ouvir muitos eleitos, claro, ela agora conseguiu um espacinho na agenda do ministro da Fazenda, Dario Durigan, para um bate-papo sobre economia, mas sem economês. Afinal, ela faz jornalismo popular e sabe exatamente o que está na boca do povo. Como boa porta-voz da população, ela foi direto ao ponto, com cinco perguntinhas que resumem bem as dúvidas de muitos brasileiros. Confira abaixo.
Sou uma ema bem-informada. Leio diariamente EXTRA, O Globo e Valor Econômico. Por isso, sei que os números da economia vão muitíssimo bem. Mas quando eu vou ao mercado, às vezes a sensação não é essa. Por quê
- A renda do brasileiro ficou baixa no governo Bolsonaro, mas o mundo mudou e as pessoas precisam de mais.
- O preço dos alimentos está alto porque herdamos um patamar elevado, mas o governo busca reduzir isso.
- Quem tem carteira assinada deve usar o crédito consignado para evitar juros altos.
- O ministro afirmou que Lula será o quarto presidente mais longevo, igualando o Flamengo na Libertadores.
- A reunião com Trump foi cordial e focada no combate ao crime organizado e à paz mundial.
Precos no mercado e renda do brasileiro
A renda do brasileiro ficou baixa no governo Bolsonaro, e o mundo mudou muito. As pessoas hoje são demandadas em hábitos de consumo. O que a gente precisa fazer Seguir melhorando. Se os números estão bons na economia, confia, Ema. A renda do trabalho do Brasil hoje melhorou muito.
O prato de comida, o arroz, o feijão, a proteína, a salada e a batata frita, o preço está alto, porque nós herdamos um patamar alto. Vamos continuar trabalhando para que isso não cresça, e o seu salário dê conta de comprar mais. Então, não dá para voltar atrás e mandar as pessoas para a fila do osso.
Desenrola Brasil e a dívida pública
Eu entrei no programa Desenrola e a-do-rei. Resolvi a dívida que eu tinha, ufa! E no governo, como andam as dívidas É verdade que em 2027 será preciso apertar os cintos
O endividamento, Ema, é um problema de todo mundo. Não pense que você estava sozinha no Desenrola. Como nós estamos caminhando junto com a população brasileira, o governo estendeu a mão. Que bom que você conseguiu resolver suas pendências. Do nosso lado, não se preocupe com a questão da dívida.
É um problema, sim, que nós temos no país, em especial o crescimento da dívida em razão dos juros altos. Mas não vamos deixar isso atrapalhar as pessoas. Se melhoramos o salário, se melhoramos o emprego, se tiramos o Brasil do mapa da fome, temos totais condições de seguir organizando a casa com equilíbrio.
A gente melhorou as contas públicas, não é suficiente para hoje ter uma estabilização da dívida, mas vai ser suficiente no próximo ciclo.
Credito consignado e Pronampe para evitar juros altos
Comprei uma TV para assistir à Copa e estou pagando no carnê. Parcelei em 24 vezes! Mas achei os juros das prestações muito altos. Por que isso acontece
O custo do dinheiro no Brasil é muito alto mesmo, Ema. E estamos trabalhando para diminuir isso. Por isso, quando você puder, tem que tomar crédito bom. O que é o crédito bom Se você tem carteira assinada, faz um consignado a partir do seu salário.
O banco vai achar que não tem risco, porque você tem um salário ali firme, contínuo, e o banco te dá uma prestação a juros baratos. Se você é MEI, por exemplo, toma dinheiro no Pronampe, que te dá juros de Selic mais 6% ao ano. Assim, não vai pagar juros altos.
Tem que tomar cuidado para não entrar nessas ciladas de crédito caro. Comprar uma televisão nova para Copa é excelente. Mas, temos que cuidar das nossas obrigações, como eu também faço. Tenho minhas dívidas no cartão e procuro honrá-las em dia. Se não pagar, a situação escala e piora com o acúmulo de juros no país.
Lula, Flamengo e a continuidade no cargo
Eu sei que o senhor é palmeirense, mas o Flamengo ganhou o tetra da Libertadores. O Lula vai ser tetra O senhor vai continuar como ministro As pesquisas eleitorais dos últimos dias assustaram
Como o Flamengo, o presidente Lula vai ser tetra. O presidente Lula é o maior estadista que tivemos no Brasil. Ele se preocupa com o custo de vida. Ele me cobra como ministro da Fazenda, e nos cobra enquanto equipe de governo, para melhorar a vida das pessoas.
Por isso ele cobrou para que o preço do combustível não subisse e para que o preço do alimento não subir como no governo anterior. Por isso ele diz que há pandemia de endividamento. Estamos procurando as vacinas, ou seja, as soluções para cuidar das pessoas. O presidente Lula, sim, será tetra como o Flamengo.
Eu tenho um compromisso até o fim desse ano. Vou ser ministro da Fazenda até o fim de 2026, para entregar o melhor para o país e para as pessoas. Esse é o meu compromisso.
Reuniao com Trump e combate ao crime
O senhor teve uma reunião com Trump. De perto ele também tem topete de pica-pau e é laranja como um passarinho Ele é bravo como parece na TV
Olha, ele é muito parecido com o que a gente vê na TV mesmo. Mas, na reunião com o presidente Lula, ele não teve nem um pouco de braveza. Foi uma reunião muito cordial.
O presidente Lula disse a ele: Trump, vamos fazer o combate ao crime organizado juntos. O crime organizado não está restrito a uma cidade, a um estado ou a um país. Ele se espraiou. Está em vários países. Vamos combater isso juntos O presidente Trump concordou.
O presidente Lula disse: você é um grande líder. Existem outros poucos grandes líderes no mundo que deveriam se sentar à mesa juntos. É um número pequeno, cabem numa mesa. Devem conversar para não gerar guerra, porque a guerra impacta os mais pobres.
São os mais pobres que, mesmo sem participação numa guerra, vão comer mais caro e pagar mais caro pelos juros das suas dívidas. Vamos discutir isso de uma maneira civilizada para que não levemos guerras que gerem situações mais difíceis para as pessoas.
A experiência que nós tivemos, tanto o presidente Lula quanto eu, quando fomos à Casa Branca, foi de muito respeito. Uma conversa muito produtiva e calma, diferente do que muitas vezes se vê na imprensa.


A entrevista aconteceu por videochamada nesta quarta-feira Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo






