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17 de outubro de 2026

Proibição da escala 6x1 promete Natal mais caro e cheio de filas

Economia Escala6x1 17/10/2026 06:55 Abrasel

Nova regra obrigatoria a partir de dezembro corta o dia extra de trabalho, exigindo que restaurantes e comércios contratem 3 milhões de funcionários em apenas 60 dias, o que deve encarecer o cardápio em até 8% e gerar faltas de serviço em datas festivas.

A emenda constitucional que proíbe a escala 6x1, promulgada nesta sexta-feira (16), começa a valer em 15 de dezembro. A data cai a dez dias do Natal, no período mais movimentado do ano para o comércio e os serviços. Para a Abrasel, a corrida para reorganizar escalas e contratar em pleno dezembro vai deixar o consumidor com menos atendimento e preços mais altos.

As empresas terão 60 dias para encontrar cerca de 3 milhões de trabalhadores. Essa mão de obra não existe. E o prazo termina justamente quando o país mais precisa de gente trabalhando, afirma o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci.

  • A nova lei entra em vigor no dia 15 de dezembro, exatamente no auge das vendas de fim de ano.
  • Estima-se que cerca de 3 milhões de empregos precisem ser criados para cobrir as novas folgas.
  • O custo da folha de pagamento pode subir 20% nos restaurantes que quiserem manter o mesmo horário de funcionamento.
  • Os preços nos cardápios devem aumentar entre 7% e 8% para cobrir os novos salários.
  • Dezembro é o mês que mais fatura no setor, essencial para pagar as contas de janeiro.

O impacto financeiro no setor de bares e restaurantes

Segundo o Ministério do Trabalho, quase 15 milhões de trabalhadores com carteira assinada estão hoje na escala 6x1. Todos passam a trabalhar um dia a menos por semana. Para manter o atendimento, as empresas precisam contratar mais. O restaurante que quiser continuar aberto seis dias terá alta de 20% na folha. Esse custo deve chegar ao cardápio, com aumento de 7% a 8% nos preços.

Dezembro é o melhor mês do ano para bares e restaurantes. Pesquisa da Abrasel mostra que o faturamento do mês costuma ficar cerca de 20% acima de um mês comum, puxado pelas confraternizações e pelas festas de fim de ano. É esse dinheiro que ajuda a pagar o 13º salário e a atravessar janeiro, quando o movimento cai.

O setor já tinha dificuldade para montar equipes nessa época. No fim de 2025, 88% dos empresários relataram problemas para contratar, segundo a Abrasel. Agora, a busca por cozinheiros e garçons vai coincidir com a obrigação de dar duas folgas semanais a cada funcionário.

Vai ser um rouba-monte de mão de obra. O restaurante com mais dinheiro vai tirar a cozinheira do mais simples. Muitos vão fechar um dia a mais justamente na semana do Natal, diz Solmucci.

O trabalhador também perde. Para o garçom, a gorjeta pode representar de 60% a 70% da renda. Ele terá um dia a menos de salão cheio no mês em que mais ganha.

Desafios para o comércio e serviços essenciais

O impacto vai além dos restaurantes. O Natal é a data mais importante do varejo. Para o Natal de 2025, a CNC estimou vendas de R$ 72,7 bilhões e a abertura de 112,6 mil vagas temporárias.

Os serviços essenciais também ficam mais exigidos em dezembro. Nas festas, os prontos-socorros recebem mais vítimas de acidentes, intoxicações e queimaduras. É também a época dos temporais de verão. Em 10 de dezembro de 2025, uma tempestade em São Paulo gerou na rede elétrica um volume de ocorrências 580% acima de um dia normal, segundo a distribuidora Enel. São os eletricistas que sobem no poste para religar a luz que também terão de ser repostos.

Na limpeza urbana, o volume de lixo dispara com as festas. Em Jundiaí (SP), a coleta passa de cerca de 350 toneladas por dia para até mil toneladas no fim de ano, segundo a prefeitura.

O Natal deste ano vai ser mais caro e mais desorganizado. O consumidor vai encontrar portas fechadas, demora no atendimento e preços mais altos, afirma Solmucci.