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31 de outubro de 2026

Como preparar herdeiros para assumir empresas sem erro

Economia Family 31/10/2026 18:59 Carlos Donzelli São Paulo SP

Carlos Donzelli, Head do Family Office do Magalu, explica que o ambiente familiar para investimentos é o lugar ideal para a próxima geração aprender governança e gestão com menor risco, evitando o erro caro de tentar a operação direta sem preparo. Ele destaca que o aprendizado nesse espaço constrói legitimidade e confiança antes que o herdeiro tome o controle da operação principal. O texto também alerta sobre os riscos de o ambiente se tornar um refúgio indevido e defende a necessidade de um processo de transição claro.

Toda família que mantém uma empresa enfrenta, em algum momento, o mesmo problema: será que os herdeiros estão realmente prontos para assumir Com muita frequência, a resposta é não. No entanto, isso não acontece porque eles sejam incapazes ou não tenham vontade. A principal barreira é a falta de um espaço seguro para cometer erros antes de ter que decidir por milhões de reais.

É exatamente nesse ponto que o family office cumpre uma função que poucas pessoas reconhecem. Ele não é apenas o guardião do patrimônio financeiro da família. Quando bem organizado, ele se torna o primeiro ambiente de treinamento real da próxima geração de líderes. É um lugar onde os jovens da família aprendem sobre governança, como separar dinheiro e gerenciar riscos, antes de colocar a mão na massa de uma empresa que emprega centenas ou até milhares de trabalhadores.

The tempting natural tendency is to place the heir directly into the operational side. Whether through an internship in sales, a board position, or a weighty strategic project. The problem is that an operational company does not forgive learning errors. A customer doesn't wait around for the future partner's maturity curve to develop, nor does a competitor offer a discount just because the manager is in their first year in the role.

O family office funciona em outro ritmo. Suas decisões têm consequências reais, mas tudo acontece dentro de um limite que a própria família controla e pode ajustar. É o ambiente perfeito para ter uma ideia real da situação antes de assumir plena responsabilidade.

É ali que se aprende na prática o que significa tomar decisões com processo e não por impulso, participando de comitês, prestando contas, seguindo políticas oficiais em vez de guiar-se pela intuição pessoal. É ali também que se desenvolve a alfabetização financeira mais honesta possível, que é entender por que se aposta em determinado negócio e não em outro, avaliando o retorno contra o risco com o próprio dinheiro da família em jogo. É nesse lugar, sentindo na carne que uma decisão mal calculada pode prejudicar o legado do avô, que se forma um julgamento que nenhum aprendizado teórico pode reproduzir.

Ainda assim, é preciso cuidado para que esse espaço não vire um lugar de acomodação para quem não conseguiu ou não quis entrar na operação real. O risco de o family office se tornar um cargo confortável para quem não tem interesse na operação é real e prejudica a credibilidade do próprio family office diante da equipe executiva. O modelo mais saudável costuma ter contornos bem definidos: um período definido de passagem, metas de aprendizado claras, avaliação feita por pessoas de fora, e um plano determinado de transição para a operação, ou, quando fizer sentido, a permanência no braço patrimonial como uma carreira legítima, não como um lugar escondido.

Ainda existe um efeito colateral pouco discutido e muito valioso: quando o próximo gestor da família chega à operação já tendo mostrado disciplina e resultado em um ambiente de regras claras, sua legitimidade diante da equipe aumenta. A confiança se constrói antes da posse do cargo, não depois.

Se sua família ainda trata o family office apenas como um escritório de retaguarda para cuidar de investimentos, pode estar desperdiçando o ativo mais estratégico que ele pode oferecer. Trata-se de um campo de treinamento real para quem um dia vai decidir sobre o futuro do negócio principal.

A pergunta que fica é simples: sua próxima geração está aprendendo a decidir ou está apenas esperando a vez de decidir

Carlos Donzelli é Head do Family Office do Magalu e conselheiro da empresa.

  • A maioria das famílias empresariais não prepara herdeiros para assumir a operação.
  • O family office é o lugar ideal para aprender gestão de risco antes de tomar decisões milionárias.
  • Erros no family office custam caro, mas são aprendizados necessários antes da operação.
  • O modelo saudável precisa de metas claras, avaliação externa e plano de transição definido.
  • A confiança profissional é construída antes da posse do cargo, não depois.

Carlos Donzelli

Head do Family Office do Magalu e conselheiro da empresa

Fonte: Fonte Assessoria de Comunicação