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Gestão profissional e uso estratégico de dados encerram o 38º Congresso Abrasel

Educação 18/06/2026 16:17

Painéis especiais da NRA discutiram os caminhos para a melhoria da gestão e os novos rumos digitais do setor

IA profissionalização da gestão e o uso estratégico da tecnologia e dos dados marcaram o último bloco de painéis do 38º Congresso Nacional Abrasel, realizado nesta quarta-feira (17), no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21, em Brasília. Sob o tema “Escuta humana. Voz coletiva. Impacto real.”, os dois debates especiais da NRA traduziram tendências observadas no mercado internacional para os desafios concretos do setor de alimentação fora do lar no Brasil.

 

A reta final da programação foi dedicada a dois painéis especiais ancorados nos aprendizados da NRA Show, em Chicago, um dos maiores eventos globais de alimentação fora do lar. O primeiro painel discutiu os caminhos para a melhoria da gestão, a partir da comparação entre os mercados brasileiro, norte-americano e italiano; o segundo abordou os novos caminhos digitais e o papel da tecnologia na relação com o cliente.

 

Painel Especial NRA: Os caminhos para a melhoria na gestão

 

O painel reuniu Sérgio Molinari, sócio-consultor da Food Consulting, Cristina Souza, CEO da Tanjerin, e Diego Senra, CEO da Lathor Consultoria e criador do Pizza Masters. O debate partiu da comparação entre os mercados de alimentação fora do lar dos Estados Unidos, do Brasil e da Itália para discutir produto, tecnologia, relações de trabalho e profissionalização da gestão.

 

Cristina Souza compartilhou a necessidade de o produto estar no centro das discussões, ao lado da tecnologia. Para ela, há um novo jeito de comer e de pensar a alimentação, com espaço para tendências como o uso de proteínas e fibras, e o desafio de traduzir esses movimentos no cardápio.

 

Sérgio Molinari observou que o mercado europeu seguiu caminho quase oposto ao norte-americano. Segundo ele, em vez de uma grande transformação, há na Europa uma sobrevalorização da forma de fazer, dos produtos e processos locais, com baixa presença de ultraprocessados.

 

O consultor também ressaltou a importância de considerar o contexto de cada país ao fazer comparações: nos Estados Unidos, as redes de franquia têm peso elevado no setor, enquanto no Brasil e na Itália a participação é muito menor. No caso brasileiro, lembrou, mais de 90% dos estabelecimentos têm faturamento mensal limitado, o que exige análise cuidadosa antes de transpor modelos.

 

O debate avançou para o uso da tecnologia na operação. Cristina Souza citou uma pesquisa sobre o comportamento de diferentes gerações apresentada na NRA e defendeu uma operação híbrida, capaz de atender tanto os públicos mais abertos às soluções digitais quanto os que valorizam o atendimento pessoal. “A partir do momento que entendemos que o setor é geracional, ganhamos muito”, afirmou. Diego Senra reforçou que compreender para qual público o negócio quer servir é fundamental para orientar a operação.

 

As relações de trabalho também entraram na pauta. Sérgio Molinari avaliou que o ambiente trabalhista brasileiro ainda não estimula suficientemente o trabalho no setor e citou a Itália como exemplo de mercado em que atuar na área de alimentação é mais valorizado, inclusive entre os mais jovens. Cristina Souza destacou o potencial da fragmentação da jornada para a formação de novos profissionais e o papel das plataformas digitais de treinamento, com técnicas inspiradas nas redes sociais.

 

Entre os aprendizados da NRA aplicáveis, Cristina Souza defendeu ampliar o entendimento sobre o contexto, profissionalizar a entrega de valor e tratar a tecnologia como complemento ao atendimento humano, que o consumidor brasileiro ainda valoriza muito. Sérgio Molinari, por sua vez, reforçou a importância do posicionamento e de definir com clareza o público-alvo, alertando para o risco de negócios que param no tempo por falta dessa reflexão.

 

Painel Especial NRA: Os novos caminhos digitais

 

O segundo painel especial reuniu Célio Salles, membro do Conselho de Administração da Abrasel, na mediação; Paulo Guimarães, vice-presidente de Relações Institucionais da AFRAC, e Daniel Zanco, CEO da Omnibiz e da Central do Varejo. A avaliação dos participantes foi de que a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta operacional e passou a ocupar papel estratégico na relação com clientes e na gestão dos negócios.

 

Ao comentar as tendências observadas nos Estados Unidos, Daniel Zanco destacou a forte presença de totens de autoatendimento e de sistemas de identificação dos consumidores. Segundo ele, a tecnologia tem sido usada não apenas para reduzir a dependência de mão de obra, mas também para conhecer melhor os clientes e personalizar ofertas. Como exemplo, citou soluções capazes de analisar hábitos de consumo e sugerir promoções específicas para elevar o tíquete médio, além de recursos de inteligência artificial que identificam quais pratos geram mais fidelização e quais podem afastar clientes.

 

Paulo Guimarães explicou que a transformação digital acontece em etapas: primeiro vêm os sistemas que permitem operar o negócio; depois, as ferramentas que reduzem atritos, como pagamentos mais rápidos; e, por fim, os recursos voltados à personalização da experiência. Para ele, o uso avançado de IA depende da organização prévia dessas informações. “Para chegar no último degrau da escada, você tem que subir o primeiro e segundo degraus”, resumiu.

 

Os palestrantes alertaram que plataformas de delivery e redes sociais concentram informações valiosas sobre os consumidores, enquanto muitos restaurantes ainda não possuem mecanismos para identificar e reter esses dados. Nesse contexto, destacaram a importância de ferramentas como reservas online, programas de relacionamento e cadastros próprios. Célio Salles reforçou que os dados dos clientes devem ser tratados como um ativo estratégico dos negócios.

 

A presença digital também apareceu entre os principais aprendizados da NRA. Daniel Zanco ressaltou o peso crescente do Google Maps e das avaliações online na decisão dos consumidores e afirmou que muitos estabelecimentos ainda subutilizam esses recursos.

 

Na reta final do debate, os participantes defenderam que a adoção de tecnologia seja planejada e alinhada aos objetivos de cada negócio. “A tecnologia é uma ferramenta para levar o seu negócio para outro patamar”, afirmou Zanco, enquanto Paulo Guimarães recomendou que os empresários dediquem tempo à escolha das soluções, considerando integração, funcionalidades e potencial de geração de valor para a operação.

 

íntegra dos painéis pode ser assistida gratuitamente na aba "Transmissões Abrasel" da plataforma Conexão Abrasel, disponível em conexaoabrasel.com.br.

 

Serviço:

38º Congresso Nacional Abrasel

Realização: Abrasel

Patrocínio Ouro: 99 food, Alelo, Ambev, BAT, Coca-Cola, Diageo, Getnet, Heineken, Ifood, JBS, Keeta, PMI, Picpay, Pluxee, Sebrae, Stone, Ticket e Caixa

Patrocínio Prata: VR

Apoio: ABBT, Barilla e Unecs

Parceiro de mídia: B&R e Correio Braziliense