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Repensando a educação na era da inteligência artificial

Educação 13/07/2026 16:43 Murilo Karasinski e Patricia Eliane da Rosa Sardeto - PUCPR

A tecnologia avança rápido, mas o tempo para pensar está cada vez mais escasso. Educadores alertam que, na era da inteligência artificial, é preciso parar, refletir e repensar como ensinamos e aprendemos, para não virarmos apenas 'repetidores' de informações.

Pensar leva tempo e tempo é o que menos temos. Parece que quanto mais a tecnologia avança e promete trazer ganho de eficiência em nossas vidas, mais atarefados estamos. Entramos em um ciclo nada virtuoso, que pode nos tornar meros repetidores de informações.

Esse caminho é particularmente perigoso quando se trata da educação. Por isso, o avanço das tecnologias, em especial a Inteligência Artificial e agora a Inteligência Artificial Generativa, deve provocar em nós, educadores, o desejo de pensar a educação.

  • A tecnologia está tornando as pessoas mais ocupadas, não mais livres para pensar.
  • A inteligência artificial pode nos transformar em meros repetidores de informações se não formos críticos.
  • É preciso tempo para refletir sobre como a IA afeta o aprendizado e o ensino.
  • A metacognição, ou seja, pensar sobre como pensamos, é essencial para usar a IA de forma consciente.
  • Educadores defendem que a reflexão profunda é a chave para não perder o controle sobre a educação na era digital.

A premissa socrática de que uma vida não refletida não vale a pena ser vivida é desafiada pelo ritmo acelerado de hoje. Em um cenário onde não conseguimos avaliar bem as alternativas, considerar diferentes pontos de vista ou nos permitir um repensar genuíno, como podemos esperar que as manifestações da Inteligência Artificial sejam debatidas de forma sensata e profunda

A sociedade do espetáculo e a falta de reflexão

Essa situação não se restringe à Inteligência Artificial. Vivemos em uma civilização do espetáculo, como descreve Mario Vargas Llosa, onde todos nos consideramos cultos, mesmo sem ler livros, visitar exposições ou adquirir conhecimentos básicos. O reforço dos estímulos dados por smartphones e redes sociais enfraquece a figura do indivíduo que reflete. Aquele que se dedica a um problema, se concentra profundamente e investiga os porquês das coisas se torna raro. A sociedade atual parece se afastar cada vez mais da ideia de 'ousar pensar', trocando-a por uma superficialidade alimentada por estímulos imediatos.

A importância da metacognição

Nessa jornada, a metacognição é uma etapa fundamental. Ela nos permite investigar e monitorar como pensamos e trabalhar na nossa autorregulação. Questionar quais caminhos podemos usar, os métodos mais eficientes para cada área, como a neurociência explica certos fenômenos de aprendizado, como as emoções influenciam o conhecimento e como a Inteligência Artificial está mudando os processos de aprendizagem. Enfim, como o ser humano conhece o próprio conhecimento e como age diante dele.

Humberto Maturana e Francisco Varela, no livro 'A árvore do conhecimento', destacam que a reflexão é um processo de conhecer o conhecer, um ato de voltar a nós mesmos. É a única chance que temos de descobrir nossas cegueiras e reconhecer que as certezas dos outros são tão frágeis quanto as nossas.

O papel da reflexão na educação

Depois de entender a metacognição, a reflexão vem para lapidar esses diversos saberes. Precisamos de tempo para conversar na sala dos professores, para participar de oficinas, encontros de formação ou até mesmo para um café ou vinho filosófico. Uma reflexão responsável, crítica e comprometida com o ser humano nos leva a uma ação consciente, autorregulada e efetiva. Isso nos dá suporte para continuar educando nesse mundo cheio de novidades e incertezas.

Murilo Karasinski é professor do Programa de Pós-Graduação em Bioética e membro do Observatório de Inteligência Artificial na Educação Superior da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

Patricia Eliane da Rosa Sardeto é professora do Curso de Direito, coordenadora do IURIS - Laboratório de Inovação Jurídica da PUCPR Câmpus Londrina, endorser do Rome Call for AI Ethics da Fundação RenAIssance-Vaticano e membro do Observatório de Inteligência Artificial na Educação Superior da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).