Geral

21/05/2020 14:28

Prefeitura de Roo e Barra deixam profissionais sem EPI e são notificadas

Da Redação*

O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) notificou as Prefeituras de Rondonópolis e de Barra do Garças, onde a fiscalização do órgão encontrou profissionais de enfermagem trabalhando sem itens básicos do equipamento de proteção individual (EPI).

Vistoria feita pelo Coren no Centro de Especialidades Albert Sabin (Ceadas) constatou que não havia máscaras cirúrgicas em quantidade suficiente, o que obrigou muitos trabalhadores a reaproveitar o material, o que é proibido pelas autoridades sanitárias. Uma das profissionais abordadas pelo conselho relatou que usava a mesma máscara há dias. No local, não havia também exemplares do modelo N95.

A falta destes produtos foi constatada ainda em outras oito unidades básicas de saúde da cidade. Em alguns casos, estavam sendo usadas máscaras de tecido, indicadas para uso doméstico.

As denúncias ao Coren-MT sobre problemas com EPI em Rondonópolis atingiram o pico no último domingo (18), quando a fiscalização recebeu diversas reclamações pelo telefone e pelas redes sociais.  Procurado, o Departamento de Atenção à Saúde da Prefeitura Municipal alegou atraso na entrega dos produtos, que teriam sido já adquiridos por meio licitação. A mesma resposta foi dada pela Prefeitura ao conselho na manhã desta segunda (20), após a notificação.

Sem proteção

Outra Prefeitura notificada foi a de Barra do Garças, onde o conselho identificou insuficiência de EPIs na Unidade Básica de Saúde (UBS) Jardim Araguaia, onde também foram encontradas máscaras de confecção artesanal em tecido sendo distribuídas para profissionais em atendimento a pacientes de Covid-19.

O avental com gorro disponibilizado estava fora dos padrões recomendados pela Anvisa, apresentando material de baixa qualidade e sem condições de verificação quanto à sua gramatura e condições de impermeabilidade, entre outras características.

Também foram encontrados aventais inadequados no PSFs Jardim Nova Barra e Vila Mariana. Neste último também não havia EPI em quantidade suficiente para a equipe, o que está levando profissionais envolvidos com pacientes de Covid-19 a reaproveitarem máscaras, atentando contra a própria vida. Uma das máscaras de fabricação caseira encontrada era tão fina que chegava a ser transparente e não possuía qualquer tipo de elemento filtrante.

Orientações

Segundo dados do Observatório da Enfermagem, coordenado pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), há atualmente 15.952 profissionais da enfermagem (técnicos, enfermeiros e auxiliares) contaminados e 138 óbitos no país. Em Mato Grosso, são 147 casos em observação e duas mortes.

Desde março, o Coren-MT fiscaliza as unidades especificamente para levantar os riscos à saúde dos profissionais no contexto da pandemia do novo coronavírus. Ao todo, 40 notificações por irregularidade já foram emitidas e a baixa qualidade dos EPIs está entre os principais problemas.

Segundo as Notas Técnicas 04/2020 e 07/2020, da Anvisa, as máscaras cirúrgicas são obrigatórias na triagem de pacientes com sintomas respiratórios, na triagem preliminar de profissionais da saúde e em áreas de assistência, como quartos, consultórios e Centro de Material e Esterilização (CME).

Máscaras de modelo N95/PFF2, juntamente com óculos de proteção, gorro descartável, avental e luvas, são indicadas para áreas como os quartos e boxes onde há contato direto com pacientes confirmados ou suspeitos de Covid-19. Máscaras de tecido não devem ser utilizadas por profissionais que estejam em assistência a pacientes.

 

*Com informações do Coren/MT


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