Por muito tempo, achava-se que o rosto envelhecia só por causa da idade. Mas agora, os remédios para emagrecer estão mudando essa história. Eles fazem a pessoa perder gordura do rosto muito rápido, deixando a pele mais caída e com rugas antes do tempo. Isso está fazendo pessoas mais jovens, de 40 anos, procurarem cirurgias que antes eram só para quem tinha mais de 60.
Por muito tempo, a principal explicação para o rosto envelhecer era a passagem dos anos. Essa ideia ainda é verdadeira, mas não é mais suficiente para entender o que está acontecendo nos consultórios. O avanço dos remédios para emagrecer trouxe um novo motivo: a perda rápida da gordura do rosto, que faz aparecer antes do tempo as marcas que antes só víamos muitos anos depois.
Na prática, isso significa que pacientes com 40 anos, e alguns até mais novos, estão procurando cirurgias para levantar o rosto (lifting facial) com queixas que, até pouco tempo atrás, eram comuns em pessoas com mais de 60 anos.
- O uso de remédios para emagrecer (como os agonistas do GLP-1) cresceu muito: um em cada três lares brasileiros já tem alguém usando.
- A perda de gordura no rosto é o principal motivo para a pele ficar mais flácida e com sulcos (marcas) mais profundos.
- Pessoas mais jovens, por volta dos 40 anos, estão cada vez mais com aparência de quem tem 60 por causa desses remédios.
- O Brasil fez mais de 121 mil cirurgias de lifting facial em 2024, mostrando que a procura está crescendo.
- Antes de fazer qualquer cirurgia, é muito importante verificar se o paciente está saudável e se o tratamento para emagrecer está sendo feito do jeito certo.
Essa é uma mudança importante. O envelhecimento do rosto e o emagrecimento sempre existiram juntos, mas quase nunca aconteciam na mesma velocidade. Os remédios para emagrecer (chamados de agonistas do GLP-1) mudaram esse ritmo. Eles fazem a pessoa perder muita gordura em pouco tempo, e isso inclui uma parte importante que sustenta o rosto. Sem esse suporte, aparecem sulcos mais fundos, o contorno do rosto fica menos definido, a pele fica mais mole e a pessoa fica com uma aparência mais velha do que realmente é.
Os números mostram que isso não é um caso isolado. De acordo com o Instituto Locomotiva, em fevereiro de 2026, o uso desses medicamentos nos lares brasileiros passou de 26% para 33% em poucos meses. Hoje, uma em cada três casas tem pelo menos uma pessoa usando esse tipo de remédio. Entre os adultos, 24% já usaram esses tratamentos, e nove em cada dez dizem que pretendem usar de novo.
Era normal que essa mudança chegasse também à cirurgia plástica. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica vê um aumento na procura por lifting facial entre pacientes mais jovens. Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, o Brasil realizou 121.494 procedimentos desse tipo em 2024. Mais do que um aumento na procura, esses números mostram uma mudança no tipo de paciente que está fazendo a cirurgia.
O que importa para a cirurgia plástica não é a idade da pessoa, mas sim o estado dos seus tecidos.
Quando há uma perda grande de volume (gordura) junto com excesso de pele e deslocamento das estruturas mais profundas do rosto, a decisão sobre o tratamento deve levar em conta a anatomia daquela pessoa, e não quantos anos ela tem.
O que é o lifting facial moderno
Também é preciso acabar com uma ideia antiga: o lifting facial moderno não é apenas cortar e puxar a pele. A técnica atual reposiciona os músculos, os ligamentos e as partes de gordura, devolvendo os contornos do rosto de forma natural. O objetivo não é mudar a identidade da pessoa, mas sim dar equilíbrio à estrutura do rosto.
Cuidados antes de qualquer cirurgia
Há ainda uma responsabilidade que vem antes de qualquer procedimento estético. Antes de falar sobre técnicas cirúrgicas, é essencial entender os motivos do emagrecimento, verificar se o tratamento com remédios está sendo feito de forma correta e confirmar que a pessoa está com a saúde estável. Para quem usa os agonistas do GLP-1, isso inclui regras especiais no planejamento antes da cirurgia, como parar temporariamente o remédio, que é uma medida muito importante para diminuir os riscos da anestesia.
Os remédios para emagrecer mudaram o tratamento da obesidade e são um dos maiores avanços recentes da medicina. Ao mesmo tempo, eles criaram uma nova realidade para a cirurgia plástica. Se antes o tempo era o principal culpado pelo envelhecimento do rosto, hoje ele divide esse papel com mudanças no corpo que podem alterar profundamente a estrutura do rosto.
Entender essa nova situação é o que vai permitir oferecer tratamentos mais seguros, feitos sob medida para cada pessoa e de acordo com a realidade de cada paciente.


Dr. Vidal Guerreiro





