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Lixo pode virar riqueza e gerar empregos no Brasil

Geral Reciclagem 20/07/2026 14:30 Irajá Lacerda (Folhamax) folhamax.com

O Brasil recicla apenas 2,2% do lixo que produz, perdendo uma grande chance de gerar empregos, renda e ajudar o meio ambiente. Em Mato Grosso, cooperativas mostram que é possível mudar essa realidade, mas precisam de mais apoio do governo.

Há um dado que merece nossa atenção: o Brasil recicla apenas 2,2% de todo o lixo que produz. Menos de 3% do que consumimos e jogamos fora volta a ser usado na produção. Esse número mostra como o país está perdendo a chance de criar empregos, gerar renda, economizar dinheiro público e proteger a natureza.

A reciclagem precisa ser levada a sério pelos governos. Ela não pode depender só da boa vontade de quem separa o lixo em casa ou do esforço dos catadores. Prefeitos, vereadores, deputados e gestores públicos precisam incentivar a coleta seletiva, ajudar as associações e cooperativas, ensinar nas escolas sobre o meio ambiente e buscar dinheiro para melhorar toda a cadeia de reciclagem.

  • O Brasil recicla menos de 3% do lixo que produz, um dos piores índices do mundo
  • Em Mato Grosso, cooperativas reciclam 620 toneladas de materiais por mês
  • Só 21% das cooperativas do estado têm contrato com prefeituras ou empresas
  • A meta do governo é reciclar metade do lixo do país até 2040
  • Em Cáceres (MT), uma associação de catadores junta 160 toneladas de recicláveis por mês

O Plano Nacional de Resíduos Sólidos estabeleceu uma meta grande: recuperar cerca de metade do lixo das cidades até 2040. Isso mostra que transformar lixo em riqueza virou uma necessidade. É aí que entra a economia circular, um jeito de pensar que troca o velho hábito de "extrair, produzir e jogar fora" por um ciclo inteligente, onde o lixo de hoje vira matéria-prima para amanhã.

Em Mato Grosso, esse potencial é enorme. Uma pesquisa do Sebrae MT em 2025 mostrou que as cooperativas locais reciclam juntas cerca de 620 toneladas de materiais por mês. Mas a pesquisa também revelou um problema: apenas 21% delas têm contratos formais com prefeituras ou empresas, mostrando a urgência de organizar melhor esse setor.

Um bom exemplo de que é possível mudar essa realidade vem de Cáceres. A Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Cáceres (Ascarc) atende também Campos de Júlio e Conquista d'Oeste e recolhe, em Cáceres, uma média de 160 toneladas de materiais recicláveis por mês. Com cerca de 100 associados e mais de 50 catadores autônomos, o trabalho da Ascarc mostrou que investir na reciclagem é gerar inclusão social e dignidade.

Para que esses exemplos se espalhem, o ciclo 2026 da Lei de Incentivo à Reciclagem, aberto pelo Governo Federal, é uma chance concreta. Essa lei permite que municípios e cooperativas apresentem projetos para modernizar estruturas, comprar equipamentos e ampliar a coleta de lixo reciclável.

Afinal, por trás de tudo isso estão as pessoas que fazem o sistema funcionar. Os catadores prestam um serviço essencial para a saúde pública, mas ainda recebem pouco reconhecimento. Valorizá-los significa dar condições dignas de trabalho, segurança e um salário justo, além de incentivar uma cultura onde separar o lixo corretamente vire um hábito que protege o meio ambiente e o futuro das próximas gerações.

Desenvolvimento sustentável não é só produzir mais. É produzir melhor, desperdiçar menos e criar oportunidades para quem transforma o descarte em sustento. Mato Grosso já é líder na produção agropecuária. Agora, tem a chance de ser também uma referência nacional em economia circular.

Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT