Estudo do Icap mostra que a queda no custo da ração, por causa da colheita do milho e da cana, ajuda a manter o lucro dos criadores de gado, mesmo com o preço do boi mais baixo e o custo de compra do animal para engorda mais alto.
O confinamento de gado deve continuar dando lucro no terceiro trimestre de 2026. É o que mostra um estudo feito pelo Índice de Custo Alimentar Ponta (Icap). A análise indica que os custos com a alimentação dos animais vão cair por causa da colheita da safrinha de milho e da safra da cana-de-açúcar. Esses são os principais fatores que ajudam a manter a rentabilidade da atividade.
- O custo da alimentação do gado caiu muito e agora representa cerca de metade do custo total, antes era quase 90%.
- No Centro-Oeste, o lucro por animal foi de mais de mil reais no segundo trimestre.
- No Sudeste, o lucro também passou de mil reais por cabeça e ainda subiu um pouco.
- O dólar alto ajuda a vender carne para outros países, mas pode encarecer o milho no mercado interno.
- Mesmo com o preço do boi gordo caindo, o lucro do confinamento continuou alto.
Com a colheita da safrinha de milho, os custos com ingredientes que dão energia para o gado devem ficar mais baixos, principalmente no Centro-Oeste do Brasil. Já no Sudeste, a colheita da cana-de-açúcar deve aumentar o uso do bagaço da cana na alimentação dos bois, o que torna a região mais competitiva.
O que preocupa
Por outro lado, o estudo também mostra alguns pontos de atenção. O preço da arroba do boi se acomodou em junho, ou seja, não subiu. Além disso, o custo para comprar o animal que vai ser engordado (o boi magro) está mais alto. O dólar valorizado continua ajudando as exportações brasileiras de carne, mas também pode fazer com que o milho seja mais vendido para fora, diminuindo a oferta do produto no Brasil.
Mudança no custo da alimentação
Os pesquisadores notaram uma grande mudança no segundo trimestre. A alimentação do gado, que antes representava 89,1% do custo total no Centro-Oeste, caiu para 51,4%. No Sudeste, a queda foi de 76,4% para 51,3%. Isso mostra que o lucro agora depende mais de como o produtor administra os custos e da eficiência na produção.
No segundo trimestre, o custo médio da alimentação por animal no Centro-Oeste foi de R$ 13,03 por dia, 12,8% a menos que no mesmo período de 2025. No Sudeste, a média foi de R$ 11,96 por dia, o menor valor desde o final de 2024. Mesmo com o preço do boi magro mais alto e a arroba mais baixa, o lucro por animal ficou acima de mil reais nas duas regiões.
Lucro nas regiões
No Centro-Oeste, o lucro por cabeça de gado foi de R$ 1.046,32 no segundo trimestre, uma queda de 4% em relação aos primeiros três meses do ano. Já no Sudeste, o lucro subiu 1,9%, chegando a R$ 1.112,05 por animal. Entre abril e junho, o custo da dieta de engorda caiu 4,03% no Centro-Oeste e ficou 0,91% mais barato no Sudeste.
O preço do boi gordo perdeu força ao longo do segundo trimestre, mas isso não atrapalhou o lucro do confinamento. No Centro-Oeste, o preço da arroba caiu de R$ 346 em abril para R$ 323,50 em junho. No Sudeste, passou de R$ 351 para R$ 331,50. Mesmo assim, a margem de lucro ficou acima de mil reais por animal durante todo o período.


Imagem criada por inteligência artificial






