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Projeto gigante de irrigação transforma o sertão da Bahia

Geral Irrigação 23/07/2026 07:51 Vinícius Ramos e Canal Rural BA canalrural.com.br

Com água do Rio São Francisco, o maior projeto de irrigação da América Latina vai irrigar 48 mil hectares e recebeu mais de R$ 1,1 bilhão em investimentos, mudando a vida no semiárido baiano.

O projeto de irrigação Baixio de Irecê já está mudando a paisagem e ajudando a produzir mais alimentos no semiárido baiano. Ele é considerado o maior da América Latina e já está molhando as plantações e atendendo dezenas de produtores nas cidades de Xique-Xique e Itaguaçu da Bahia.

  • O projeto usa água do Rio São Francisco e é o maior da América Latina.
  • Já existem 34 lotes em funcionamento, de um total de 199.
  • As obras devem terminar em 2031, com investimento de mais de R$ 1,1 bilhão.
  • Além de banana e limão, o projeto já produz soja, milho e algodão.
  • A expectativa é gerar muitos empregos e fortalecer a economia da região.

Um dos produtores que acreditou no projeto desde o começo foi Vanderlei Luiz da Silva. Ele conta que a chegada foi cheia de esperança e incertezas, mas que hoje a situação está bem melhor, mesmo com alguns problemas na época das chuvas. "Vim para cá no início, na esperança. Foi como um tiro no escuro, a gente não sabia se daria certo. Achamos que a banana seria viável e entramos. Hoje está bem melhor, mas ainda temos alguns problemas na chuva para resolver", conta.

A grandeza do projeto vem do uso das águas do Rio São Francisco, captadas em Xique-Xique. São 60 metros cúbicos por segundo de água que percorrem 124 quilômetros de canais. Desses, 42 quilômetros já foram construídos e atendem cerca de 40 produtores.

Andamento das obras

Naara Dioclecio, que é supervisora de planejamento e engenharia, explica que a obra está crescendo nas fases 3 e 4, com novas estruturas para conectar o que já existe ao canal principal. "Estamos na etapa inicial da obra da fase 3 e 4. O aqueduto é uma estrutura que vai fazer o encontro do canal existente com o canal principal", explica.

Segundo Marília Santos, coordenadora de operações, o perímetro irrigado tem 199 lotes, e 34 deles já estão funcionando. Julio Perdigão, diretor presidente da Germina Brasil, falou sobre o potencial do projeto para o cultivo de frutas e grãos. "Na etapa 1, temos áreas de banana, citros, uma área da Embrapa com maçã e pera, abóboras, milho e mamona. O forte é banana e limão. Já na etapa 2, com produtores maiores, temos milho, soja para semente e mamona em larga escala", disse.

Condicionantes para o uso da água

De acordo com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o projeto tem nove fases. A previsão é que as obras terminem em 2031, desde que algumas regras sejam cumpridas. Uma delas é o monitoramento do uso da água. Marco Neves, superintendente da ANA, explica que os usuários, principalmente os maiores, precisam informar à agência quanta água estão usando, para garantir que não ultrapassem o limite autorizado. "O outorgado, a Germina Baixio, tem a obrigação de seguir a resolução que trata do automonitoramento. Isso significa que alguns usuários, principalmente os de maior porte, têm que informar para a ANA o quanto estão captando de água", explica.

Vetor de desenvolvimento

Localizado na Caatinga, região com longos períodos de seca, o projeto é visto como um motor para o desenvolvimento econômico e a geração de oportunidades. A Germina Baixio afirma que a ideia é irrigar cerca de 48 mil hectares com mais de R$ 1,1 bilhão em investimentos. A expectativa é que a economia local cresça com a chegada de novos investimentos em grãos e algodão. "O Baixio recebeu um investimento alto. Alguns vão investir bilhões em grãos, como soja, milho e algodão para exportação. A gente tende a crescer e fortalecer a economia local", disse o secretário de agricultura de Xique-Xique, Neilton Ferreira, que também destacou a importância de capacitar jovens da região.

Para Marco Neves, o projeto vai além da área irrigada e tem potencial para mudar a realidade econômica regional, gerando renda, empregos e impactando a produção nacional. "É um projeto muito relevante para a região, muda a realidade regional. Tem impacto na geração de renda, emprego e na produção nacional. Um projeto dessas proporções realmente muda a economia regional", afirmou.