Um túmulo diferente, em formato de capela e feito com pedras da região, chamava a atenção no Cemitério Santo Antônio, em Campo Grande. Ele ficou famoso porque tinha uma água que escorria aos pés de uma santa e que muitas pessoas acreditavam ser milagrosa.
Quem caminha pelos corredores do Cemitério Santo Antônio, em Campo Grande, pode passar despercebido por um dos túmulos mais curiosos e simbólicos da história da cidade. Construído com pedras naturais da região e em formato de capela, o túmulo já foi destino de peregrinações por causa de uma água que escorria aos pés da santa e era considerada milagrosa por muitos visitantes.
- O túmulo foi construído com pedras naturais da região, como arenito e quartzo.
- A água que atraía os fiéis não era natural, mas vinha de um sistema com caixa d'água e motor.
- Muitas famílias visitavam o local para orar e levar a água para casa, acreditando em curas.
- O mesmo construtor do túmulo também fez os mosaicos de pedras das avenidas Afonso Pena e Mato Grosso.
- Um projeto quer restaurar o túmulo e outros jazigos históricos do cemitério.
Embora a água não fosse um milagre da natureza, o monumento se tornou um importante ponto de devoção popular durante anos. Hoje, ele faz parte do projeto 'Cemitérios como Patrimônios Culturais', que busca preservar a memória e a história dos cemitérios da capital.
Segundo o administrador do Cemitério Santo Antônio, geógrafo e coordenador do projeto, Lilsson Souza, a arquitetura do jazigo o diferencia dos demais. Ele explica que o túmulo usa materiais naturais como arenito e quartzo, e foi construído no formato de uma capela, com um oratório onde fica a imagem de uma santa.
A água que atraía os fiéis
O que mais chamava a atenção dos visitantes era a água que escorria aos pés da imagem religiosa, formando um pequeno riacho. No entanto, Lilsson explica que a água não brotava naturalmente. O efeito era produzido por um sistema instalado pela própria família, com uma caixa d'água e um pequeno motor que mantinha a água circulando.
Mesmo assim, a estrutura passou a atrair pessoas movidas pela fé. Durante um período, muitas famílias vinham até o local para fazer orações e coletavam um pouco da água para levar para casa. Existem relatos de pessoas que acreditavam ter sido curadas de doenças após visitar esse túmulo.
Com o passar dos anos e a falta de familiares para fazer a manutenção, o sistema parou de funcionar e o monumento começou a se deteriorar com o tempo.
Além da importância religiosa, o jazigo também tem valor arquitetônico e histórico. Durante as pesquisas do projeto, a equipe descobriu que o responsável pela construção foi o mesmo profissional que fez os tradicionais mosaicos em pedras portuguesas das calçadas das avenidas Afonso Pena e Mato Grosso. A equipe conseguiu localizar um dos filhos do construtor, que contou essa história. É interessante perceber que o mesmo profissional que ajudou a construir parte da identidade visual da cidade também deixou sua marca dentro do cemitério.
Apesar da riqueza da obra, os pesquisadores não encontraram registros que indiquem que o casal sepultado no local era uma pessoa importante na sociedade da época.
Projeto quer restaurar túmulos históricos
A preservação desse e de outros monumentos faz parte das ações do projeto Cemitérios como Patrimônios Culturais, que foi criado para identificar, documentar e recuperar túmulos de importância histórica. A iniciativa busca parcerias com universidades e instituições especializadas para realizar as restaurações.
O coordenador do projeto destaca que, quando um patrimônio como esse se perde, não é possível reproduzi-lo. Os materiais, as técnicas de construção e até o conhecimento usado na época já não existem mais da mesma forma. Por isso, preservar é também preservar a história de Campo Grande.


Túmulo tinha mina de água e atraía religiosos (Foto: Antonio Bispo)





