A fabricante de máquinas agrícolas AGCO, dona das marcas Massey Ferguson, Valtra e Fendt, teve uma forte queda no lucro do segundo trimestre de 2026. A América Latina, especialmente o Brasil, foi o principal motivo, com vendas menores e custos mais altos. A empresa já revisou para baixo suas metas para o ano.
A AGCO, empresa que fabrica máquinas agrícolas como tratores e colheitadeiras, divulgou seus resultados do segundo trimestre de 2026. O lucro caiu muito, e a situação na América Latina, principalmente no Brasil, foi apontada como um dos grandes problemas.
O lucro líquido da empresa foi de US$ 77,2 milhões nos três meses encerrados em junho. Esse valor é 76% menor do que os US$ 314,8 milhões registrados no mesmo período do ano passado. Na época, o resultado tinha sido ajudado por ganhos extras, que não se repetiram agora.
- Queda de 76% no lucro: O lucro da AGCO caiu de US$ 314,8 milhões para US$ 77,2 milhões de um ano para o outro.
- Vendas na América Latina despencaram 25%: A região, que inclui o Brasil, foi a que mais contribuiu para o mau resultado, com uma queda de 25% nas vendas, desconsiderando o efeito do câmbio.
- Brasil é destaque negativo: As vendas de máquinas no Brasil caíram 11% no primeiro semestre de 2026, principalmente de tratores grandes, que são mais caros.
- Custos altos no campo: A rentabilidade do agricultor brasileiro está baixa por causa do preço dos fertilizantes, o que fez com que eles comprassem menos máquinas.
- Empresa reduz metas para 2026: A AGCO revisou para baixo suas projeções de vendas e lucro para o ano todo, o que fez suas ações caírem mais de 6% na bolsa de Nova York.
As vendas na América Latina caíram 17% no trimestre, passando de US$ 330,4 milhões para US$ 271,3 milhões. Se ignorarmos as mudanças no câmbio, a queda foi ainda maior, de 25%. A empresa explicou que a demanda por máquinas está fraca, o que reduziu as vendas de todos os tipos de produtos. A queda foi causada principalmente por menos vendas e produção, além de gastos maiores com engenharia.
O Brasil, um dos principais mercados da AGCO, foi citado diretamente no relatório, mas de forma negativa. As vendas de máquinas no varejo brasileiro caíram 11% no primeiro semestre de 2026, comparado com o mesmo período de 2025. A empresa disse que a demanda por tratores grandes está mais fraca, enquanto a procura por equipamentos menores e médios melhorou um pouco. A rentabilidade do agricultor brasileiro está baixa por causa dos custos altos de produção, principalmente de fertilizantes importados, e a procura por máquinas maiores ainda não voltou a crescer. A empresa não espera uma recuperação no curto prazo, pois os custos de financiamento, as condições de crédito e o cenário político devem continuar prejudicando a demanda em 2026.
Enquanto a América Latina enfrenta dificuldades, outras regiões tiveram um desempenho melhor. A América do Norte registrou alta de 19,8% nas vendas no trimestre, puxada por maiores volumes de equipamentos. Na Europa e Oriente Médio, as vendas caíram 4,7%, mas a margem operacional se manteve estável em 15%, a mais alta entre todas as regiões. Já na Ásia, Pacífico e África, as vendas caíram 6,4%.
Resultado geral e projeções
No mundo todo, a receita líquida da AGCO foi de US$ 2,61 bilhões, uma queda de 1% em relação ao ano passado. No primeiro semestre, as vendas somaram US$ 4,95 bilhões, uma alta de 5,7%, graças ao bom resultado do primeiro trimestre. O lucro operacional do trimestre foi de US$ 140,7 milhões, contra US$ 164 milhões de um ano antes. A margem operacional ajustada ficou em 7,5%.
Para o ano de 2026, a AGCO projetou uma receita líquida entre US$ 10,1 bilhões e US$ 10,2 bilhões, abaixo da faixa de US$ 10,5 bilhões a US$ 10,7 bilhões prevista anteriormente. A margem operacional ajustada esperada é de cerca de 7,5%, também menor do que a projeção anterior de 7,5% a 8%. O lucro por ação ajustado para o ano foi estimado entre US$ 5,50 e US$ 5,75, abaixo dos cerca de US$ 6 projetados no trimestre anterior. Como reflexo desses números, as ações da AGCO caíram mais de 6% na manhã de quinta-feira na Bolsa de Nova York.


Lucro da AGCO despenca no trimestre, com América Latina e Brasil com destaques negativos no balanço





