A empresa de defensivos agrícolas FMC conseguiu um lucro melhor que o previsto no segundo trimestre, mesmo com a receita caindo 17%. Isso aconteceu depois que a empresa recebeu um investimento de US$ 400 milhões do grupo belga Tessenderlo. Apesar disso, a companhia reduziu suas metas para o ano, pois o mercado continua difícil, com agricultores comprando menos produtos.
Um mês depois de concluir sua reestruturação interna, com a entrada de um novo sócio que investiu US$ 400 milhões, a FMC mostrou que a recuperação dos resultados ainda vai levar tempo.
O balanço do segundo trimestre, divulgado na quarta-feira (29 de julho), trouxe um lucro por ação de US$ 0,26, um pouco acima do que os analistas esperavam (US$ 0,22).
- O lucro por ação foi de US$ 0,26, superando as previsões do mercado.
- A receita total caiu 17% em relação ao mesmo período do ano passado, ficando em US$ 867 milhões.
- As vendas de produtos mais antigos caíram, principalmente na América do Norte, onde os agricultores estão com margens apertadas.
- Para tentar se recuperar, a empresa está vendendo sua operação na Índia e fez um acordo de licenciamento com a Corteva.
- A FMC reduziu suas projeções para 2026, mas espera uma retomada do crescimento no quarto trimestre, puxada pelo Brasil e novos produtos.
A receita, porém, ficou abaixo do esperado: US$ 867 milhões, contra os US$ 894,88 milhões que os analistas previam. Isso representa uma queda de 17% em relação ao mesmo período de 2025.
Houve também recuo nas margens. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de US$ 153 milhões, 26% menor que no ano passado, mas ainda assim acima do teto que a própria empresa havia projetado.
A receita, descontando a operação da Índia (que está sendo vendida), foi de US$ 841 milhões, uma queda de 20% na comparação anual. Já a queda orgânica foi de 22%, puxada por uma redução de 10% nos volumes vendidos e de 7% nos preços. Segundo a empresa, os volumes foram afetados por menos pedidos de parceiros e pela demanda menor por produtos mais antigos, especialmente na América do Norte, onde os agricultores enfrentam margens apertadas.
Por outro lado, o chamado portfólio de crescimento, com produtos mais novos, apresentou alta, impulsionado por novos ingredientes ativos.
Reorganização concluída
O balanço do segundo trimestre marca o fim de um período de grande reestruturação na FMC. Em fevereiro, o presidente Pierre Brondeau anunciou que a empresa avaliaria alternativas estratégicas, incluindo uma possível venda, por causa de resultados ruins e dívida crescente. As ações da empresa perderam mais de 70% de seu valor desde o ano passado.
Cinco meses depois, o processo foi concluído. Em 1º de julho, a FMC anunciou um investimento de US$ 400 milhões do grupo belga Tessenderlo, que passou a ter 20% das ações da empresa. Essa transação confirmou que o valor de mercado da FMC é de US$ 2 bilhões.
Com o investimento, o conselho da FMC encerrou a avaliação de opções estratégicas. "Com a revisão estratégica agora concluída, temos clareza sobre o caminho a seguir e continuamos focados em melhorar a competitividade, avançar nosso portfólio de tecnologia e posicionar a empresa para o crescimento de longo prazo", disse Brondeau no comunicado de resultados.
O investimento do Tessenderlo se soma a outras medidas para fortalecer o balanço, como a venda da operação na Índia para a Crystal Crop Protection por US$ 252 milhões, um acordo de licenciamento com a Corteva (que trouxe US$ 200 milhões), a venda de um imóvel em Newark (US$ 114 milhões) e uma oferta de títulos de US$ 1,2 bilhão. No total, a empresa espera levantar cerca de US$ 1 bilhão para pagar dívidas.
Apesar dos avanços na reestruturação, a FMC reduziu suas projeções para o ano, refletindo um ambiente econômico mais difícil. A receita, excluindo a Índia, foi revisada para uma faixa de US$ 3,50 bilhões a US$ 3,70 bilhões, uma queda de 7% em relação ao ponto médio de 2025.
O Ebitda ajustado deve ficar entre US$ 620 milhões e US$ 680 milhões, uma queda de 23% no ponto médio. O lucro ajustado por ação foi projetado entre US$ 1,19 e US$ 1,49, abaixo do consenso dos analistas, de US$ 1,66.
Para o terceiro trimestre, a empresa espera receita (excluindo Índia) entre US$ 840 milhões e US$ 900 milhões, com Ebitda ajustado entre US$ 120 milhões e US$ 140 milhões.
A empresa projeta uma retomada do crescimento no quarto trimestre, com receita entre US$ 1,06 bilhão e US$ 1,20 bilhão, alta de 4% no ponto médio. Esse crescimento seria impulsionado por vendas diretas a agricultores no Brasil, novos ingredientes ativos e pedidos de distribuidores na América do Norte.


Fachada da FMC em Coopavel





