Restos de foguetes e satélites velhos estão se acumulando no espaço e também caindo no nosso planeta. Isso já virou um problema de segurança e até briga entre países.
Um foguete da empresa SpaceX, do bilionário Elon Musk, está em rota de colisão com a Lua. Quem afirma isso é o especialista em rastreamento espacial Bill Gray.
- Cerca de uma tonelada de detritos espaciais cai na Terra por semana.
- O número de objetos que reentraram na atmosfera subiu de 110 em 2016 para quase 820.
- Restos de foguetes chineses caem no mar do Sul da China e preocupam pescadores filipinos.
- Ainda não há regras claras sobre quem paga pelos danos causados por esses detritos.
- No Quênia, um anel de foguete francês caiu 16 anos após o lançamento, e ninguém foi indenizado.
Segundo o jornal britânico The Guardian, a parte de cima do foguete deve bater na Lua na próxima quarta-feira (5), a uma velocidade de quase 9 mil km/h, cerca de sete vezes a velocidade do som.
Depois de cumprir sua missão, que era lançar dois módulos de pouso lunar, o foguete americano ficou parado por mais de um ano. Desde então, virou o que os cientistas chamam de 'lixo espacial': restos de foguetes e satélites desativados que continuam voando perto da Terra.
Esses objetos estão se tornando um perigo também para quem está no chão.
Nas redes sociais, é comum encontrar vídeos desses detritos caindo do céu, muitas vezes parecendo a queda de um meteoro.
Na maioria das vezes, eles se despedaçam ao entrar na atmosfera. Mas, em alguns casos, como já aconteceu na Austrália, os pedaços chegam ao solo.
Recentemente, a Agência Espacial Australiana (ASA) disse que identificou a possível origem de umas bolas prateadas misteriosas que apareceram em uma praia no nordeste de Queensland, no início de julho. Segundo a ASA, os detritos parecem ser recipientes de um foguete espacial.
A queda de lixo espacial, que era rara há algumas décadas, está cada vez mais comum. De acordo com uma reportagem especial do The New York Times, a Força Espacial dos Estados Unidos registrou a reentrada de quase 820 objetos na atmosfera. Em 2016, tinham sido relatados apenas 110 casos.
Problemas diplomáticos no espaço
O problema não é só o risco para as pessoas. O acúmulo de detritos também causa questões diplomáticas.
Grande parte dos restos de lançamentos chineses cai no mar do Sul da China, uma região cheia de tensões políticas e militares.
Além de enfrentarem a Guarda Costeira chinesa, os pescadores filipinos precisam tomar cuidado com pedaços de foguetes lançados pelo país asiático. As autoridades das Filipinas recomendam que eles não entrem no mar durante os lançamentos em Hainan, onde fica o principal centro espacial da China.
Quem paga pelos estragos
Outra questão levantada pelo jornal é: quem deve pagar pelos danos quando um desses objetos atinge uma propriedade particular
Quando os detritos são do próprio país, espera-se que o governo pague pelos prejuízos. Mas, quando o lixo espacial é de outro país, a situação é mais complicada e pode depender de tratados da ONU.
Nesses casos, a população fica na mão do próprio governo. No Quênia, o anel de um foguete caiu 16 anos depois de ser lançado. Levou meses para descobrir que o objeto era de uma espaçonave francesa. Até hoje, o governo queniano não pediu à França para pagar pelos danos.
O objeto atingiu casas de um vilarejo perto do local do impacto, contou o senador Daniel Maanzo, que representa a região, em entrevista ao The New York Times. 'O governo diz que primeiro precisa identificar o dono do objeto, porque foi ele quem causou a negligência. Isso não aconteceu. Não houve indenização', disse ele.


Lixo espacial entrando na atmosfera em Puerto Bermejo de Chaco, Argentina. Foto: Reprodução/X





