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05 de agosto de 2026

Café brasileiro adota rastreamento para conquistar mercado externo

Geral Cafeicultura 05/08/2026 14:50 Redação Digital - Canal Rural canalrural.com.br

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) apresentou as ações de monitoramento ambiental e social que está adotando para atender às novas exigências dos compradores internacionais, durante um evento em São Paulo.

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) afirmou que a cafeicultura brasileira está ampliando os mecanismos de rastreabilidade e monitoramento socioambiental para atender às novas exigências dos mercados internacionais. O assunto foi apresentado no I Encontro Brasileiro de Direitos Humanos e Empresas, realizado em São Paulo.

  • O que é rastreabilidade: é a capacidade de saber a origem do produto, ou seja, de onde veio o café, em qual fazenda foi produzido e por quem.
  • Por que isso importa: muitos países, principalmente da Europa, estão criando leis que exigem que produtos como o café não venham de áreas de desmatamento e que respeitem os direitos dos trabalhadores.
  • Plataforma de Monitoramento: o setor criou uma ferramenta que usa dados oficiais do governo para verificar se as fazendas cumprem as regras ambientais e trabalhistas.
  • Programa de capacitação: mais de 600 técnicos foram treinados para ensinar boas práticas de trabalho nas fazendas de café em 2026.
  • Conformidade: cerca de 99% das inspeções na cafeicultura encontram condições adequadas de respeito aos direitos humanos.

Segundo o Cecafé, a agenda de direitos humanos ganhou importância estratégica por causa da pressão das regras internacionais e da reorganização das cadeias de produção no mundo. No evento, o diretor-geral da entidade, Marcos Matos, afirmou que o setor tem reforçado os instrumentos de controle para responder às novas exigências, como as do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento.

Matos destacou que, em 2023, o Cecafé lançou a Plataforma de Monitoramento Socioambiental Cafés do Brasil. A ferramenta reúne exportadores e utiliza bases oficiais do governo para verificar itens como o cumprimento do Código Florestal, a regularidade das terras, a ausência de desmatamento e o respeito às leis trabalhistas e aos direitos humanos. De acordo com a entidade, o sistema permite rastrear o café até o local da produção na propriedade e gerar documentos que comprovem a conformidade socioambiental dos embarques.

Medidas para garantir a conformidade

O diretor-geral também afirmou que o trabalho preventivo da entidade inclui capacitação, prevenção e diálogo com produtores e trabalhadores. Entre as iniciativas citadas estão o Programa Trabalho Sustentável, desenvolvido em parceria com autoridades fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, e a Mesa Nacional de Diálogo pelo Trabalho Decente na Cafeicultura. Segundo o Cecafé, o programa já capacitou mais de 600 multiplicadores técnicos em boas práticas trabalhistas em 2026.

Na apresentação, Matos informou ainda que aproximadamente 99% das inspeções realizadas na cafeicultura encontram condições de conformidade com padrões de proteção dos direitos humanos. Para os compradores internacionais, a orientação apresentada foi priorizar informações já disponíveis em bases oficiais brasileiras e evitar exigências duplicadas aos exportadores.

O Cecafé defendeu que o cruzamento de notas fiscais com dados georreferenciados do Cadastro Ambiental Rural, além de informações sobre embargos ambientais, áreas protegidas e inspeções trabalhistas, permite identificar a origem do café, o produtor responsável e consolidar evidências para processos de devida diligência na exportação.