A Grande Muralha Verde, iniciativa da União Africana, já restaurou ou está restaurando 1,66 milhão de hectares no Sahel. O balanço da ONU mostra avanços com a geração de empregos, energia limpa e combate à desertificação, mas a meta é restaurar 10 milhões de hectares até 2030.
Cerca de 1,66 milhão de hectares estão em processo de restauração no Sahel, a faixa africana entre o deserto do Saara e a savana do Sudão. O número faz parte do balanço apresentado pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) sobre os cinco anos do Acelerador da Grande Muralha Verde. O projeto busca unir a recuperação de terras com segurança alimentar, geração de renda, acesso à energia limpa e mais resistência à seca e às mudanças climáticas.
- A meta é restaurar 100 milhões de hectares até 2030, mas os esforços atuais já criaram 4,6 milhões de empregos.
- Os países da região plantam árvores e usam técnicas simples para evitar que o deserto avance sobre as terras agricultáveis.
- O projeto já sequestrou 24 milhões de toneladas de CO2, o que equivale a tirar milhões de carros das ruas por um ano.
- Moradores locais participam do replantio e usam sistemas de captação de água da chuva para irrigar as plantas.
- O Acelerador, criado em 2021, já recebeu mais de US$ 19 bilhões em promessas de investimento.
O relatório também contabiliza 24 milhões de toneladas de CO2 equivalente sequestradas ou mitigadas, 4,6 milhões de empregos criados e 46 milhões de pessoas diretamente impactadas.
Segundo a UNCCD, a Grande Muralha Verde reúne paisagens restauradas, áreas agrícolas, sistemas de água e comunidades em uma faixa de 156 milhões de hectares. A iniciativa foi criada em 2007 pela União Africana e pela própria UNCCD e hoje reúne 11 países fundadores, do Senegal ao Chifre da África.
O Acelerador entrou em operação em 2021, após a Cúpula One Planet, com a proposta de melhorar a coordenação das ações, acompanhar os recursos financeiros e fortalecer a medição dos resultados. Naquele momento, parceiros técnicos e financeiros anunciaram mais de US$ 19 bilhões em compromissos para a iniciativa.
Monitoramento e resultados iniciais
Os números divulgados agora são classificados pela UNCCD como iniciais. O Observatório da Grande Muralha Verde monitora mais de 389 projetos, e menos de 90 apresentam dados alinhados aos indicadores harmonizados da iniciativa. Entre os resultados já registrados estão ainda 2.315 megawatts-hora de energia limpa produzidos e a criação de 4,6 milhões de empregos, diante de uma meta de 10 milhões até 2030.
Para ampliar o monitoramento, foi criado em 2024, em Ouagadougou, Burkina Faso, o Observatório da Grande Muralha Verde. A plataforma reúne informações sobre projetos, financiamento, resultados e dados geoespaciais e já foi endossada por dez dos 11 países fundadores. Também foram formadas coalizões nacionais em nove países, com participação de ministérios, universidades, sociedade civil, setor privado e meios de comunicação.
Próximos passos
A próxima etapa da iniciativa prevê maior foco em comunicação, mecanismos financeiros inovadores e gestão transfronteiriça de terras e águas. Seca, degradação da terra e restauração dos solos também estarão no centro da 17ª Conferência das Partes sobre Desertificação (COP17), marcada para 17 a 28 de agosto, em Ulaanbaatar, na Mongólia.


Imagem criada por inteligência artificial





