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09 de agosto de 2026

Ministro pede que Argentina pare ataques a Lula para retomar boas relações

Geral Diplomacia 09/08/2026 17:26 Patrícia Campos Mello - Folhapress otempo.com.br

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que a Argentina precisa parar de atacar o presidente Lula e o Brasil para que a relação entre os dois países volte ao normal. Ele deu essa declaração em entrevista ao jornal argentino Clarín.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a Argentina precisa interromper os ataques do presidente Javier Milei ao Brasil e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que as relações entre os dois países voltem à normalidade. A declaração foi dada em entrevista ao jornal argentino Clarín.

  • O Brasil pediu que a Argentina pare de atacar o presidente Lula e as instituições brasileiras.
  • O embaixador argentino no Brasil foi chamado de volta para Buenos Aires.
  • Milei chamou Lula de comunista e acusou o Brasil de interferir na região.
  • O Brasil nega que esteja financiando uma campanha contra a Argentina.
  • A relação entre os dois países é importante e precisa voltar ao normal.

Segundo o chanceler, o relacionamento bilateral foi rebaixado em razão de declarações de Milei não apenas contra Lula, mas também contra o Brasil, suas instituições, os Poderes e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Vieira classificou os episódios como graves e afirmou que eles surpreenderam tanto brasileiros quanto argentinos.

Na entrevista, Vieira foi questionado sobre quais medidas Buenos Aires deveria tomar para permitir uma retomada das relações. O ministro respondeu que é necessário suspender as agressões e retomar o diálogo bilateral. Para ele, a relação entre os dois países é importante e precisa voltar ao caminho da normalidade.

Entenda a crise diplomática

Na semana passada, o Itamaraty comunicou ao embaixador argentino no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, que ele poderia retornar a Buenos Aires. Com isso, o governo brasileiro passou a tratar as questões bilaterais com o encarregado de negócios argentino em Brasília. A saída de Raimondi estava prevista para este domingo (9/8).

A decisão ocorreu após uma sequência de declarações de Milei contra Lula e autoridades brasileiras. O conflito se intensificou no fim de julho, quando o presidente argentino participou do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, em São Paulo, e fez ataques ao presidente brasileiro e ao ministro Alexandre de Moraes.

Dias depois, Milei voltou a criticar Lula durante entrevista à emissora LN+. Na ocasião, acusou o presidente brasileiro de interferência política na região e fez novas críticas ao modelo econômico adotado pelo Brasil.

Brasil nega acusações

Vieira também rebateu a afirmação de Milei de que o governo brasileiro estaria financiando uma campanha internacional contra a Argentina. O ministro classificou a acusação como falsa e disse que não há fundamento na ideia de que o Brasil estaria realizando pagamentos bilionários com essa finalidade.

O chanceler ainda contestou a classificação de Lula como comunista feita pelo presidente argentino. Segundo Vieira, o Brasil possui uma economia aberta, mantém comércio exterior expressivo e opera dentro de um modelo capitalista.

Relação com os EUA

Na mesma entrevista, Vieira comentou a relação entre Brasil e Estados Unidos e a suspensão do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, pelo governo americano. Para o ministro, a medida faz parte de uma ofensiva de interferência nas eleições.

O governo de Donald Trump afirmou que a suspensão foi uma medida de reciprocidade, após o Brasil não conceder o agrément a Daniel Perez, indicado por Washington para atuar no país. Vieira argumentou que a Convenção de Viena não estabelece prazo para a concessão desse aval e afirmou que o pedido sequer foi encaminhado ao presidente Lula.

Mauro Vieira está em Cali, na Colômbia, onde representa Lula na posse do presidente Abelardo de la Espriella. De lá, conversou por telefone com o Clarín.