A Farmtech lançou uma ferramenta que permite contratar crédito pelo WhatsApp da revenda após o fechamento da venda, visando movimentar até R$ 700 milhões na safra 2026/2027.
Não é novidade para ninguém que o crédito ao produtor rural vem enfrentando um cenário de maior restrição nos últimos anos. Na Farmtech, a ideia para solucionar esse problema é digitalizar a chamada 'última milha' do crédito.
A empresa lançará, durante a edição de 2026 do Congresso Andav, que começa nesta terça-feira, 11 de agosto, em São Paulo, a 'Jornada ao Produtor'. Essa ferramenta permite contratar o financiamento pelo WhatsApp da revenda depois que o vendedor e o produtor já fecharam a compra.
- A nova funcionalidade deve movimentar entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões em desembolsos até o fim da safra 2026/2027, com potencial para multiplicar esse valor por três ou quatro vezes na temporada seguinte.
- O crédito é pré-aprovado: a Farmtech analisa a carteira da revenda e libera limites para o produtor, que só é abordado depois de a venda já estar fechada, tornando o processo mais rápido e simples.
- A contratação é feita por WhatsApp, um aplicativo que o produtor já usa diariamente, e a expectativa é reduzir as dificuldades para pequenos e médios produtores.
- A ferramenta será apresentada no Congresso Andav, o principal evento do setor de distribuição de insumos, reunindo revendas, indústrias e produtores.
- A plataforma pode ser estendida para outras etapas, como campanhas de vendas, promoções e pós-venda, criando um canal digital para a revenda.
A lógica da tecnologia é não mexer no que já funciona. A negociação continua acontecendo entre o vendedor da revenda e o produtor. A Farmtech analisa a carteira da revenda e libera limites pré-aprovados. Quando a venda é confirmada, o WhatsApp entra em ação para fazer cadastro, aceite e assinatura eletrônica do financiamento.
A Farmtech vê no pequeno e médio produtor o principal público que busca atender. A empresa acredita que esse perfil é menos assistido pelos grandes bancos e, por isso, a ferramenta cria uma oportunidade no mercado de revenda.
O financiamento é feito por meio de uma Cédula de Produto Rural Financeira (CPR-F), enquanto a revenda recebe o valor da venda à vista. O produtor fica responsável pelo pagamento no prazo da safra.
O produtor é abordado somente depois de já ter o crédito pré-aprovado e a venda já realizada pelo vendedor. Dessa forma, ele recebe mensagem após o limite liberado. A simples e prática, com baixo número de etapas, facilita o fechamento da venda a crédito.
A empresa testou a ferramenta por cerca de nove meses antes de lançar. Os testes foram feitos nas revendas, no balcão de vendas, com o objetivo de adaptar o modelo ao fluxo comercial.
A escolha pelo WhatsApp não foi por acaso. A empresa passou anos estudando como levar crédito ao produtor de forma mais simples e notou que o produtor já estava dependente do aplicativo para se comunicar com as revendas. Essa relação é então usada para acelerar o sistema.
Integração entre a indústria e a revenda: A Farmtech não será a dona do relacionamento. A ferramenta é a infraestrutura e a ferramenta, que a revenda controla. A rede de atendimento e acessos ao WhatsApp continue é a preferência do vendedor para atender as questões e o consumo da carteira.
Com a gestão da carteira sob controle da própria revenda, a Farmtech oferece a plataforma tecnológica e operacional, mas não assume o comando da relação comercial. Quem comanda os fluxos e canais de vendas é a própria revenda, usando a tecnologia como apoio para oferecer a melhoria e a proteção.
A empresa já atua com cerca de 3 mil das aproximadamente 4 mil revendas do país. Estima-se mais de 85% do produto de crédito agrícola no Brasil. Nesse caminho, a Farmtech já seguiu crédito de cerca de R$ 30 bilhões.
Veja o mercado de insumos passa pelo congresso. A empresa vê o encontro como o principal momento do ano, quando reúne indústria, revendas, executivos de campo e investidores. Muitos contratos são evoluções das negociações já estruturais.
Pilla reitera que o foco é usar a tecnologia a favor do mercado, sem mudar os caminhos já feitos. A ideia é que o produtor, a revenda e a indústria tenham mais segurança, eficiência e volume de negócios dentro de um panorama de crédito ainda restrito.
Além do crédito
A intenção da empresa é ir além do crédito e transformar o canal em uma plataforma digital para a relação entre a revenda e o produtor. Isso inclui campanhas de venda, coisas, promoções, pós-venda e até transações digitais.
Num primeiro momento, a ferramenta será voltada para o crédito. Mas a ideia é ser um canal digital de múltiplas de serviços. A tecnologia é formada para a empresa de uma base que pode ser escalável para outras funções no agronegócio.


Rafael Pilla, CEO da Farmtech





