Consultor Richard Doern diz que famílias do agro têm buscado cada vez mais ferramentas que ajudem a garantir a longevidade de suas empresas
Governança é como religião. Primeiro você acredita, depois vem o milagre. A frase do consultor Richard Doern, especialista em governança e sucessão familiar, sintetiza a mensagem deixada aos produtores rurais que desbravaram o Cerrado e hoje comandam empresas com bilhões de faturamento.
Doern foi um dos entrevistados da série SpeedCast Andav 2026, iniciativa realizada em parceria entre o AgFeed e a AgriConnection para trazer ideias e reflexões sobre os desafios do setor de distribuição de insumos e do agronegócio como um todo.
- 90% das empresas brasileiras têm origem familiar, mas só 4% chegam à quarta geração.
- O principal erro é não preparar os herdeiros para a sucessão.
- A preparação pode levar de 8 a 10 anos.
- Fazer a governança enquanto há harmonia é essencial.
- Exemplos como Gerdau e Itaú já estão na quinta ou sexta geração.
As entrevistas, no formato de videocast de curta duração, estão sendo gravadas no estande da AgriConnection durante o Congresso da Andav, em São Paulo.
Com 21 anos de atuação como membro de conselhos de empresas familiares e estudos de governança em mais de 13 países, Doern destaca o momento crítico vivido pelo agronegócio brasileiro.
Segundo ele, com o envelhecimento dos fundadores, grupos agrícolas agora se preocupam com a sucessão para as próximas gerações, um fenômeno que já foi enfrentado pela indústria nacional décadas atrás.
O principal erro e o primeiro passo
Para Doern, o maior erro cometido pelas famílias é a não preparação dos herdeiros para a sucessão. Vai se esperando, os herdeiros vão estudando, vão saindo de casa, vão buscando empregos fora do negócio, observa.
Quando o fundador adoece ou quer aproveitar a vida, não há quem o suceda e o processo precisa começar cedo. A gente brinca que é da mesa da cozinha para a mesa de reunião, diz, destacando que a preparação pode levar de oito a dez anos.
O primeiro passo, segundo o especialista, é entender que a governança é a ferramenta necessária para a sucessão e fazê-la enquanto há harmonia na família. O pior de você tentar fazer isso é quando a harmonia foi embora, existe briga, alerta, lembrando que amor, poder e dinheiro formam um ambiente frutífero para desavenças.
Exemplos e caminho
Doern cita casos brasileiros que já trilharam esse caminho há mais de 25 anos, como Gerdau, Itaú e Unibanco, hoje em quinta e sexta gerações. Ele ressalta que não existe um padrão de porte ou tempo de existência para adotar a governança, basta o interesse dos acionistas.
Nesse caso, um exemplo é a própria AgriConnection, empresa de apenas sete anos que acabou de implantar seu conselho consultivo, como forma de se preparar para parcerias internacionais.
Aos produtores que se assustam com a complexidade dos processos, o consultor tranquiliza: É muito simples. Na verdade, é uma metodologia para tratar a família de uma maneira especial, tratar as novas gerações com todo carinho e preparar as novas gerações. Para ele, é inevitável que as famílias sigam esse caminho e a governança é o instrumento para atravessá-lo.


Richard Doern, consultor em governança e sucessão familiar





