Uma parceria entre a empresa Semembrás e a Universidade do Tennessee vai testar gramíneas tropicais brasileiras para alimentar o gado americano durante o verão, quando as pastagens tradicionais perdem produtividade.
A expertise brasileira no desenvolvimento e seleção de forrageiras tropicais está abrindo espaço em um dos maiores mercados pecuários do mundo. A Semembrás, especializada em sementes para pastagens, firmou uma importante parceria com a Universidade do Tennessee para avaliar o potencial de gramíneas forrageiras selecionadas no Brasil como alternativa para alimentação de bovinos durante o verão norte-americano.
- As forrageiras tropicais brasileiras podem suprir a falta de pasto no verão nos EUA.
- A região do Fescue Belt tem 15 milhões de hectares de pastagens que sofrem com o calor.
- A parceria envolve a Semembrás e o Instituto de Agricultura da Universidade do Tennessee.
- Os primeiros resultados serão apresentados em setembro durante um dia de campo.
- Além de ciência, a iniciativa abre mercado para sementes brasileiras no exterior.
A iniciativa busca solucionar um desafio típico da pecuária nos Estados Unidos. Em uma extensa região conhecida como Fescue Belt, que reúne aproximadamente 15 milhões de hectares de pastagens, predominam espécies adaptadas ao inverno. Com a chegada do verão e o aumento das temperaturas, essas forrageiras reduzem drasticamente sua produção, criando um período de escassez de alimento para os rebanhos.
É justamente nesse intervalo que entram as gramíneas tropicais desenvolvidas no Brasil. Quando chega o verão, as forrageiras utilizadas atualmente lá perdem produtividade. Nossa proposta é avaliar materiais capazes de suprir essa demanda justamente nesse período, explica Hemython Luis Bandeira do Nascimento, engenheiro agrônomo, doutor em Zootecnia e gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da empresa.
Universidade parceira dos produtores
Para os ensaios, conduzidos em parceria com Bruno Pedreira, diretor do Beef & Forage Center, do Instituto de Agricultura da Universidade do Tennessee, e pesquisador com passagem e ampla experiência pela Embrapa, a Semembrás enviou três materiais para avaliação: Urochloa ruziziensis, Urochloa brizantha e um mix de forrageiras. Os experimentos tiveram início em maio e contemplam cinco épocas distintas de plantio, permitindo identificar quais materiais apresentam melhor adaptação às condições climáticas e ao calendário agrícola da região.
As pesquisas com os materiais enviados pela Semembrás ganham ainda mais relevância diante do papel desempenhado pelas universidades no sistema de inovação agrícola norte-americano. Neste modelo, as instituições de pesquisa possuem forte integração com produtores rurais e órgãos locais de extensão.
As tecnologias são avaliadas e validadas em campo e, posteriormente, os pesquisadores geram recomendações como base para suas decisões de investimento. Os produtores acompanham os experimentos e, com base nos resultados, decidem que forrageira utilizar na sua propriedade. A nossa intenção é oferecer novas alternativas para os produtores do Tennessee, aumentando a diversidade e resiliência dos nossos sistemas de produção com base em patentes, diz Pedreira.
Os primeiros resultados serão apresentados agora em setembro, durante um dia de campo promovido pela Universidade, no qual os americanos poderão conhecer o desempenho das cultivares brasileiras em condições reais de campo. Estamos muito empolgados com o que será revelado no evento, afinal, os resultados preliminares já são muito positivos, adianta Nascimento.
Brasil exportando conhecimento
Além do potencial científico, a iniciativa da Semembrás com a universidade norte-americana representa uma oportunidade estratégica para ampliar a presença internacional das sementes produzidas no Brasil. Além disso, é um mercado com grande demanda e que remunera bem. Temos capacidade para produzir sementes com a qualidade exigida por esse mercado, com volume e preço para atender essa demanda. É uma oportunidade importante ampliando a nossa presença internacional, finaliza Nascimento.


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