Estudo mostra que o país melhorou em renda e reduziu a pobreza, mas ainda tem grandes diferenças entre ricos e pobres, homens e mulheres, brancos e negros, e entre regiões.
Um estudo divulgado nesta quarta-feira (12) mostra que o Brasil avançou em várias áreas, mas ainda tem muitos desafios para diminuir as diferenças entre as pessoas.
O Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026 analisou 48 indicadores e descobriu que o país melhorou em 34 deles (71%). As melhoras foram na renda média, no mercado de trabalho, na redução da pobreza, na segurança alimentar e no acesso a serviços básicos.
- Melhorou a renda média das pessoas
- Aumentou o número de empregos
- Diminuiu a pobreza
- Mais pessoas têm acesso a comida e serviços básicos
- Melhorou a saúde e a educação
Também houve avanços na saúde, como a redução da desnutrição infantil e de idosos, na educação, com a queda do analfabetismo, e na segurança, com a diminuição dos homicídios de jovens entre 15 e 29 anos.
Mas nem tudo são boas notícias. Oito indicadores pioraram e seis ficaram estáveis. Entre as pioras estão:
- As mulheres ainda ganham menos que os homens
- A renda ficou mais concentrada nas mãos de poucos
- Os mais ricos pagam menos impostos
- A população negra continua em desvantagem
- As regiões Norte e Nordeste ainda têm os piores indicadores
Para os pesquisadores, essas pioras mostram que as causas das desigualdades ainda estão ativas.
O que diz o relatório
O crescimento econômico beneficiou diferentes grupos sociais, mas não foi suficiente para reduzir as diferenças históricas de renda, gênero, raça e território, afirma o documento.
Esta é a quarta edição do relatório. O primeiro foi publicado em 2023. O estudo traz análises sobre dados de 2025, mas alguns indicadores são de anos anteriores, como a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que analisa gastos e impostos a cada dois anos, e o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), divulgado em 2024.
Para Adriana Marcolino, diretora técnica do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, a falta de dados atualizados não prejudica a comparação com edições anteriores.
Nesses casos, a gente compara com o mesmo dado do ano anterior, então isso não cria um viés de tempo. Os indicadores que acompanhamos já mostram tendências porque temos quatro anos de relatórios, explicou.
Betina Ferraz Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, disse que o estudo ajuda a entender melhor o desenvolvimento humano, indo além dos indicadores econômicos.
Os números médios escondem uma realidade mais complexa: os avanços foram reais, mas ao mesmo tempo profundamente desiguais, destacou.


Rovena Rosa/Agência Brasil





