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14 de agosto de 2026

Safra 2026/27 enfrenta crédito apertado e novas regras para agrotóxicos

Geral Agronegocio 14/08/2026 08:10 Kassi Bonissoni - Ruralpress

O 17º Brasil AgrochemShow, realizado em São Paulo, reuniu cerca de 1.000 participantes de 12 países para discutir os desafios e soluções para o agronegócio brasileiro, incluindo crédito restrito, novas exigências regulatórias, sustentabilidade e uso de inteligência artificial no campo.

O 17º Brasil AgrochemShow, realizado nos dias 3 e 4 de agosto no Centro de Eventos São Luís, em São Paulo, reuniu cerca de 1.000 participantes de 12 países para debater o futuro do agronegócio brasileiro.

O encontro, organizado pela AllierBrasil em parceria com o Conselho Chinês para Promoção do Comércio Internacional da Indústria Química (CCPIT CHEM), abordou temas como crédito para a safra 2026/27, novas regras para agrotóxicos, agricultura regenerativa e inteligência artificial.

  • O Brasil aprovou um recorde de 912 registros de agrotóxicos em 2025, mas o acesso ao mercado continua lento devido a ações judiciais e novas exigências.
  • Na safra 2026/27, os agricultores devem enfrentar crédito mais restrito, endividamento e alta nos fertilizantes.
  • A China, principal fornecedora de agrotóxicos, reduziu as exportações ao Brasil em 7,5% no primeiro semestre de 2026.
  • Projetos de agricultura regenerativa mostram que é possível aumentar a produtividade e cuidar do meio ambiente ao mesmo tempo.
  • O evento também arrecadou 22.800 kg de alimentos, doados para a ONG Crê-Ser de São Paulo.

Recorde de registros não elimina gargalos

Flavio Hirata, sócio da AllierBrasil e fundador do look2agro, explicou que o ritmo de aprovações de agrotóxicos não significa que os produtos chegam rápido ao mercado. Entre os produtos aprovados em 2025, as ações judiciais reduziram o prazo médio em cerca de um ano e meio, mas o passivo regulatório continua alto.

Hirata destacou que 158 produtos foram retirados do mercado e 228 pedidos foram cancelados em 2025, representando investimentos que não se converteram em produtos disponíveis nem em retorno para as empresas.

Novas regras para avaliação de risco

Adriana Torres de Sousa, gerente da Anvisa, apresentou a RDC nº 998/2025, que padronizou a avaliação de risco para trabalhadores e moradores próximos a áreas de aplicação. A vigência começou em 1º de junho de 2026, e a apresentação do Documento de Avaliação de Risco Ocupacional e de Residentes (DAROC) agora é obrigatória em alguns processos.

A regulamentação incompleta da Lei nº 14.785/2023 também mantém espaço para disputas judiciais, com MAPA e Anvisa interpretando os prazos e procedimentos de forma diferente.

Crédito e China pressionam as decisões de compra

Marcelo Pedroso, gerente de suprimentos do Grupo Agromave, apontou crédito mais restrito, endividamento dos agricultores, volatilidade dos fertilizantes e piora nas relações de troca para a safra 2026/27. A cooperativa Coplacana também apresentou as demandas dos agricultores e os desafios de abastecimento.

No comércio internacional, Zhang Jinlong, consultor da indústria química chinesa, informou que as importações brasileiras de pesticidas caíram 7,5% no primeiro semestre de 2026, mas as exportações chinesas de produtos formulados voltaram a crescer em junho. Conflitos e restrições logísticas afetaram o fornecimento de petróleo, enxofre, bromo e gás natural.

Eficiência e sustentabilidade andam juntas

Eliana Maria Gouveia Fontes, pesquisadora da Embrapa, apresentou os resultados do projeto Regenera Cerrado em mais de 1.600 hectares de soja e milho. Nas áreas com maior Índice Regenerativo, a população de fungos causadores de doenças foi menor, e houve melhora na infiltração de água e na estrutura do solo, além de maior biodiversidade de abelhas.

Marcelo da Costa Ferreira, professor da Unesp de Jaboticabal, destacou o uso de drones e pulverizações localizadas para melhorar a eficiência e reduzir desperdícios e exposição a defensivos.

Guilherme Sanches, especialista em inteligência artificial, mostrou como essas ferramentas já podem apoiar o trabalho dos profissionais do agronegócio, mas alertou que a capacitação será necessária para o setor incorporar a tecnologia sem perder produtividade.

Estudos regulatórios e conexão internacional

Terry Chow, da ALS, e Diogo Zoltay, do Laboratório de Toxicologia da ALS, falaram sobre estratégias regulatórias para produtos biológicos e agroquímicos. Lahys Caetano Tomaz, da SCI-AGRO, apresentou as diferenças entre estudos de five batch para genéricos e novos ingredientes ativos.

Maria Fernanda Cáceres Sanabria, do Paraguai, explicou que o registro de pesticidas no país é feito pelo SENAVE, com prazo de 12 a 15 meses para avaliação.

Arrecadação de alimentos

As inscrições para o evento foram feitas com doação de cestas básicas, totalizando 22.800 kg de alimentos (R$ 180.000), que foram doados para a ONG Crê-Ser de São Paulo. Desde 2005, o evento conecta empresas estrangeiras a profissionais da cadeia nacional de insumos agrícolas.