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15 de agosto de 2026

Marinheiros pulam de porta-aviões dos EUA: entenda a crise

Geral Crise 15/08/2026 08:22 Da CNN Brasil cnnbrasil.com.br

Relatos de tripulantes que pularam no mar expõem condições extremas a bordo do USS Abraham Lincoln, que está há mais de 250 dias em missão. Entenda o que está acontecendo.

O porta-aviões USS Abraham Lincoln, que atua no Oriente Médio em apoio às operações dos EUA na guerra contra o Irã, virou alvo de questionamentos sobre as condições enfrentadas pela tripulação depois que relatos de marinheiros que pularam no mar vieram à tona.

O navio está há meses longe de sua base, sem escalas prolongadas em portos, enquanto familiares de militares e parlamentares democratas levantam preocupações sobre o impacto da missão na saúde mental dos tripulantes.

  • O USS Abraham Lincoln está há mais de 250 dias em missão contínua, com mais de 200 dias sem atracar em um porto.
  • Pelo menos dois casos de marinheiros que caíram no mar foram registrados, um deles em agosto e outro em abril.
  • Veículos especializados como Stars and Stripes e Navy Times relataram múltiplas tentativas de pulos ao mar.
  • O Pentágono decidiu substituir o Lincoln pelo USS George Washington, mas afirma que a troca já estava planejada.
  • O presidente Trump negou que haja problemas de saúde mental entre a tripulação, chamando os relatos de "distorcidos".

Em meio às denúncias, o Pentágono decidiu substituir o Lincoln pelo USS George Washington. Segundo uma autoridade americana, a troca já estava prevista e não foi necessariamente motivada pelos episódios envolvendo a tripulação.

O que aconteceu com os marinheiros

A CNN informou que pelo menos duas ocorrências envolvendo integrantes do grupo de ataque do Lincoln ocorreram nos últimos meses.

Em agosto, um marinheiro teria pulado no mar a partir do próprio USS Abraham Lincoln em um episódio relacionado à saúde mental. Ele foi rapidamente resgatado e passou por avaliação médica.

Um segundo caso ocorreu em 12 de abril, envolvendo um marinheiro do USS Frank E. Petersen Jr., um contratorpedeiro que integra o grupo de ataque do Lincoln. O militar caiu no mar, foi resgatado e levado ao porta-aviões para receber atendimento médico antes de ser transportado de avião para cuidados adicionais.

Não ficou claro se o marinheiro do Petersen caiu acidentalmente ou pulou na água.

Além desses episódios, os veículos especializados Stars and Stripes e Navy Times relataram múltiplas tentativas de integrantes da tripulação de pular no mar, citando marinheiros e familiares de militares a bordo.

Por que a tripulação está sendo questionada

O principal ponto de preocupação é a duração da missão.

O Lincoln deixou San Diego em novembro do ano passado e já acumulou mais de 250 dias de missão. Depois, foi redirecionado para o Oriente Médio para apoiar as operações americanas na guerra contra o Irã.

Segundo o senador democrata Richard Blumenthal, o porta-aviões, que transporta cerca de 5 mil marinheiros e fuzileiros navais, passou mais de 200 dias sem atracar em um porto, um recorde moderno de dias consecutivos no mar.

Relatos de marinheiros e familiares apontam que o período prolongado longe de terra teria provocado exaustão e agravado problemas de saúde mental entre integrantes da tripulação.

A Marinha, porém, contesta a existência de uma crise crescente.

Uma autoridade afirmou que não foi observado aumento de ideação ou tentativas de suicídio a bordo e destacou que o navio conta com profissionais religiosos, médicos e especialistas em saúde mental para atender os militares.

O que diz o Pentágono

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, rejeitou os relatos sobre as condições a bordo do Lincoln.

Segundo ele, as informações sobre uma suposta deterioração das condições do navio foram "totalmente distorcidas".

Hegseth também afirmou que o governo garante que os navios, suas tripulações e seus comandantes tenham os recursos necessários durante as missões.

O secretário reconheceu que algumas operações são mais longas do que outras, mas exaltou o trabalho dos militares que permanecem durante longos períodos em alto-mar e com poucas escalas em portos.

Trump também rejeitou as preocupações

O presidente americano Donald Trump também negou, na sexta-feira (14), que familiares de militares a bordo do Lincoln estejam preocupados com as condições enfrentadas pela tripulação.

Questionado por jornalistas sobre as preocupações relacionadas à saúde mental e às condições de vida dos marinheiros, Trump respondeu: "Não, não estão".

O presidente também confirmou que o Lincoln deixará a região e será substituído por outro porta-aviões.

Ao ser questionado se os mais de oito meses de missão do navio seriam tempo demais, Trump respondeu que não.

"Não, não, não. Não é tempo suficiente", afirmou.

USS George Washington vai substituir o Lincoln

O Pentágono decidiu substituir o grupo de ataque do Lincoln pelo grupo de ataque do USS George Washington.

O porta-aviões concluiu uma visita ao Vietnã em 5 de agosto e está atualmente a caminho do Oriente Médio. Ainda não está claro quando a embarcação chegará à região.

Segundo uma autoridade americana ouvida pela CNN, a substituição já estava planejada.

A mudança, portanto, ocorre ao mesmo tempo em que aumentam os questionamentos sobre o bem-estar da tripulação, mas o Pentágono não afirmou que os episódios envolvendo os marinheiros tenham provocado a decisão.

Caso isolado ou uma crise

Marinheiros caírem no mar acidentalmente não é algo inédito, e navios militares também lidam regularmente com questões relacionadas à saúde mental e tentativas de suicídio.

As embarcações realizam exercícios de "homem ao mar" justamente para responder a situações desse tipo.

O que chamou atenção no caso do Lincoln foi a combinação entre os incidentes relatados, a duração excepcional da missão e os relatos de marinheiros e familiares sobre o impacto psicológico do período prolongado no mar.

Enquanto parlamentares democratas cobram explicações do Pentágono, as autoridades militares e a Casa Branca negam que exista uma deterioração generalizada das condições a bordo.

Por enquanto, a substituição pelo USS George Washington deve encerrar uma das missões mais longas do Lincoln, que permanece no centro do debate sobre os limites impostos às tripulações americanas durante a guerra no Oriente Médio.

Como é o USS Abraham Lincoln

  • Comissionado em 1989, o Lincoln é o quinto dos dez porta-aviões da classe Nimitz da Marinha dos EUA.
  • Com quase 335 metros de comprimento e deslocando mais de 100 mil toneladas, os porta-aviões da classe Nimitz estão entre os maiores navios de guerra do mundo.
  • O Lincoln possui dois reatores nucleares, que alimentam quatro turbinas a vapor que acionam quatro eixos de hélices, conferindo velocidade máxima de cerca de 56 km/h.
  • A bordo estão mais de cinco mil marinheiros e tripulantes para suas 90 aeronaves, incluindo caças F-35 e F/A-18, jatos de guerra eletrônica EA-18G, aeronaves de alerta aéreo antecipado E-2D e aeronaves de transporte CMV-22.
  • Os jatos são lançados usando quatro catapultas a vapor, que podem acelerar os aviões de 0 a 290 km/h em três segundos.
  • O navio produz sua própria água doce, com quatro unidades de destilação produzindo 1.514.000 litros por dia a partir da água do mar.