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15 de agosto de 2026

Cientistas da USP criam IA que detecta cáries em radiografias dentárias

Geral Tecnologia 15/08/2026 08:22 Joisiane Machado, da CNN Brasil cnnbrasil.com.br

Um sistema de inteligência artificial desenvolvido pela USP em Ribeirão Preto analisa radiografias panorâmicas e identifica cáries automaticamente, funcionando como uma ajuda extra para os dentistas. A tecnologia foi criada por pesquisadores das faculdades de Odontologia e de Filosofia, Ciências e Letras da universidade.

Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) em Ribeirão Preto desenvolveram um sistema de inteligência artificial capaz de analisar radiografias panorâmicas dentárias de forma automática, identificando cada dente e detectando lesões de cárie.

A tecnologia foi criada por uma parceria interdisciplinar entre a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e a Faculdade de Odontologia, por meio do Interdisciplinary Research Group in Digital Dentistry, grupo que reúne cerca de 30 pesquisadores.

O projeto, publicado na revista científica PLOS Digital Health, utilizou modelos avançados de redes neurais para examinar imagens de exames de rotina. Além de automatizar a análise de dados, a ideia é que a ferramenta atue como uma 'segunda opinião' no consultório, auxiliando cirurgiões-dentistas a tomarem decisões mais rápidas e precisas.

  • 5 pontos-chave:
  • A IA é capaz de identificar cáries em radiografias panorâmicas com alta precisão.
  • Ela foi desenvolvida por pesquisadores da USP em Ribeirão Preto.
  • O estudo foi publicado na revista científica PLOS Digital Health.
  • A ferramenta não substitui o dentista, mas atua como uma segunda opinião.
  • O projeto é financiado pela Fapesp e Capes.

Como funciona o aprendizado da máquina

Para identificar as lesões, o sistema passa por um processo de aprendizado supervisionado.

  • Base de dados: o programa é alimentado com milhares de radiografias previamente analisadas por especialistas;
  • Ajuste contínuo: a IA compara suas análises com essa 'base de verdade' e corrige os próprios erros durante o treinamento;
  • Acurácia: gradualmente, o sistema aprende a reconhecer os padrões de cáries nas imagens com alta precisão.

Além da análise radiográfica, a ferramenta também pode automatizar tarefas administrativas, auxiliar no agendamento, responder dúvidas de pacientes e apoiar o planejamento de tratamentos.

Apoio ao diagnóstico, não substituição

Apesar dos avanços, os pesquisadores enfatizam que a ferramenta funciona como uma segunda opinião e não substitui o cirurgião-dentista.

'A responsabilidade pelo diagnóstico sempre será do profissional. Nenhum modelo é perfeito e sabe-se que eles sempre irão errar, mesmo que pouco. Por isso, a decisão clínica precisa continuar nas mãos do dentista', destaca a professora Camila Tirapelli, da Faculdade de Odontologia, na página de notícias da USP.

Para os pacientes, a expectativa é de exames mais ágeis e diagnósticos mais precisos. Na área acadêmica, o sistema deve acelerar pesquisas populacionais e estudos epidemiológicos.

Financiado pela Fapesp, o projeto possui código registrado pela USP e reúne alunos de graduação, pós-graduação e docentes. A ferramenta segue em fase de aperfeiçoamento antes de ser adotada amplamente na prática clínica.

O projeto é financiado pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Brasil) e pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).