Romário analisa os confrontos das quartas de final da Copa do Brasil, destacando o equilíbrio dos jogos e a superioridade do Palmeiras sobre o Santos. Ele também comenta sobre a importância financeira da competição e relembra sua própria trajetória como artilheiro do torneio.
Fala, Galera! Romário na área! Já temos os confrontos definidos para as quartas da Copa do Brasil. Serão três clássicos regionais (Cruzeiro x Atlético-MG, Grêmio x Inter, Palmeiras x Santos) e o duelo entre Vasco e Vitória por uma vaga nas semifinais.
No geral, ficaram bem equilibrados, não só pelas rivalidades, mas pelo momento de cada um. Acho que a única exceção é Palmeiras x Santos, pois o primeiro é muito superior e tem um dos melhores elencos do futebol brasileiro. O Santos tem apenas Neymar para desequilibrar. Não é pouco, estamos falando de um dos melhores jogadores do futebol brasileiro. Mas como uma andorinha só não faz verão, com certeza vão ter muita dificuldade pra passar.
- O campeão da Copa do Brasil fatura quase 100 milhões de reais em premiação e cotas de TV.
- A competição dará duas vagas para a Libertadores do próximo ano: uma direta e outra para a fase preliminar.
- O Vasco enfrenta o Vitória, que eliminou Flamengo e Athletico-PR, times que estão no topo do Brasileirão.
- Romário foi artilheiro da Copa do Brasil duas vezes: em 1998, com 7 gols, e em 1999, com 8 gols, dividindo a artilharia com Petkovic.
- Em 44 jogos pela competição, Romário marcou 36 gols.
Sobre o Vasco, vai pegar um Vitória embalado na competição, após ter eliminado o poderoso Flamengo e o Athletico-PR, segundo e terceiro colocados do Brasileirão, na sequência. É um time bem treinado por Jair Ventura, especialista em tirar leite de pedra em clubes menores. Mal no Brasileiro, mas bem na Copa do Brasil, o Vascão vai ter de jogar tudo para superar o time baiano, que decidirá em casa a vaga, onde sempre faz belas partidas.
Na minha época de jogador, a Copa do Brasil tinha a sua importância, mas não como hoje. Neste ano, além da bela grana em cotas de TV por premiação, onde o campeão fatura quase 100 milhões de reais, a competição dará duas vagas para a Libertadores do próximo ano, uma direta e outra pra fase preliminar. Para clubes ainda em reestruturação e com dificuldades financeiras, essa grana pode fazer toda a diferença. Além de ser um título nacional que conta pra caralh@, também.
Tem time que, pelo histórico, pela característica do elenco e pelo estilo do treinador, se dá melhor nessas competições. É o famoso estilo copeiro! Meu amigo Renato é um desses treinadores "especialistas" em Copas. Normalmente, é o cara que sabe preparar o time pra um jogo decisivo, que no geral se ganha não apenas na técnica e na bola, mas na atitude e no espírito dos jogadores em campo. Já vi muitos craques e times técnicos se apagarem na hora H, e já vi outros tantos de pouca ou nenhuma técnica se superarem. É a graça do futebol.
É isso, galera, eu acho que o Palmeiras larga na frente, pela qualidade do elenco, mas o título está em aberto. Bora ver!
Na trave, mas artilheiro
Por falar em Copa do Brasil, taí uma competição que não levantei a taça, mas em 1997 bati na trave. Eu estava no Flamengo e fazia com Sávio a dupla de ataque. Empatamos com o Grêmio, em Porto Alegre (0x0) e tivemos outro empate no Maracanã (2x2), com gols meu e de Lúcio. O Grêmio, dirigido por Evaristo de Macedo, conquistou o título porque teve o melhor desempenho fora de casa. Sebastião Rocha era o nosso técnico. Em compensação fui o artilheiro da Copa do Brasil duas vezes, ambas pelo Flamengo: sete gols em 1998 e oito em 1999, sendo que nessa última competição eu dividi a artilharia com o sérvio Petkovic, do Vitória. Em sete temporadas disputei 44 jogos da Copa do Brasil jogando pelo Flamengo, Vasco e Fluminense, marcando um total de 36 gols. Nada mal, né


Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, um dos times vivos na Copa do Brasil (Foto: Divulgação/Miguel Schincariol/AFP)





