Juíza diz que frase foi dita em discussão acalorada e sem intenção de ofender
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que a Corregedoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) apure a conduta da juíza Mônica Catarina Perri Siqueira durante o julgamento do investigador Mário Wilson Gonçalves, acusado de matar o policial militar Thiago Ruiz, em Cuiabá. A decisão foi assinada na sexta-feira, 14 de agosto, pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques.
O episódio ocorreu no terceiro dia do júri, em 15 de dezembro de 2025. Segundo reclamação da OAB, a magistrada teria dito "que se dane a OAB" ao advogado Cláudio Dalledone e determinado a retirada de advogados e representantes da entidade do plenário.
- O CNJ pediu que a Corregedoria investigue a juíza.
- Juíza teria ofendido a OAB durante uma audiência.
- Ela mandou retirar advogados do plenário.
- O caso envolve o assassinato de um PM.
- Juíza nega intenção de ofender.
O caso
O julgamento tratava do assassinato de Thiago Ruiz, ocorrido na madrugada de 27 de abril de 2023, em uma conveniência de posto de combustíveis na região central de Cuiabá.
Segundo a denúncia do Ministério Público, os dois policiais discutiram após uma desconfiança sobre suas identidades funcionais. Ainda de acordo com a acusação, Thiago levantou a camisa para mostrar uma cicatriz e, nesse momento, Mário Wilson teria tomado a arma dele. Os dois entraram em luta corporal e o policial militar acabou atingido por vários disparos.
O investigador foi denunciado por homicídio qualificado por motivo fútil e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. A defesa sustenta que Mário Wilson agiu sob ameaça e dentro das prerrogativas da atividade policial.
A confusão no júri
A confusão entre a juíza e os advogados ocorreu durante o julgamento. Segundo a OAB, a defesa pediu a presença de representantes do setor de prerrogativas da entidade. Mônica Perri teria reagido com as frases "que se dane a OAB" e "pode chamar a presidente".
Na sequência, conforme a reclamação, a magistrada teria determinado à Polícia Militar a retirada de três advogados e representantes da OAB do plenário. No dia seguinte, 16 de dezembro, a presidente da OAB-MT, acompanhada de integrantes da diretoria e conselheiros, foi ao Fórum de Cuiabá para acompanhar a continuidade do júri.
Segundo a entidade, o grupo foi inicialmente impedido de entrar no prédio e só conseguiu acesso após intervenção do presidente do TJMT e do corregedor-geral de Justiça.
A defesa da juíza
Em manifestação ao CNJ, Mônica Perri afirmou que os advogados tumultuavam o julgamento e tentavam provocar o adiamento ou a anulação do júri. Segundo a magistrada, os defensores fizeram perguntas repetitivas e proibidas durante os depoimentos, desrespeitaram advertências e dirigiram ofensas a integrantes do Ministério Público.
A juíza também afirmou que a retirada dos três advogados ocorreu porque eles estariam incentivando tumulto na plateia e se recusaram a manter a ordem. Sobre a frase atribuída a ela, Mônica disse que a declaração ocorreu em meio a uma discussão intensa e sem intenção de ofender a OAB.
A magistrada negou ainda ter determinado o bloqueio da entrada de advogados no Fórum no dia seguinte. Segundo ela, a restrição teria partido da Assessoria Militar para evitar desordem ou em razão do horário de funcionamento do prédio.
Ao analisar a reclamação, Mauro Campbell Marques decidiu encaminhar o caso para a Corregedoria do TJMT. O corregedor nacional considerou que o órgão local tem melhores condições de apurar os fatos por acompanhar diretamente a atuação da magistrada.


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