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22 de agosto de 2026

Caroço de açaí vira nanotecnologia que aumenta sorgo em 164%

Geral Nanofertilizante 22/08/2026 14:52 Victor Faverin, Canal Rural canalrural.com.br

Cientistas da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará criaram um adubo feito do resíduo do açaí que faz crescer mais rápido o milho e o sorgo. O produto, chamado nanofertilizante, pode revolucionar a agricultura, baratear custos e poluir menos o meio ambiente. Os pesquisadores agora querem testar em feijão, batata-doce e outras plantas.

A Embrapa e a Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um novo fertilizante a partir do caroço do açaí, capaz de ajudar milho e sorgo a crescerem de forma surpreendente.

Nos testes, a aplicação de apenas 10 miligramas por litro aumentou o crescimento do milho em 24% e do sorgo em 164%. As raízes também ficaram bem maiores: 23% no milho e 59% no sorgo, se comparado com as plantas que não receberam o produto.

  • O caroço de açaí é um resíduo que sobra muito na indústria, mas normalmente é descartado ou queimado.
  • O novo fertilizante usa síntese hidrotermal para transformar o pó do caroço em partículas minúsculas.
  • Essas partículas funcionam como antenas que captam luz sol e ajudam a planta a produzir mais energia.
  • O nanofertilizante é mais eficiente que os adubos comuns e causa menos danos ao meio ambiente.
  • No futuro, os pesquisadores esperam testar também em feijão, batata-doce, abóbora e outras culturas.

O açaí é um coprocesso pouco aproveitado no processamento agroindustrial. Para cada 1 tonelada de açaí usado na extração da polpa, chega a gerar 700 quilos de resíduos, que normalmente viram lixo ou vão para caldeiras.

Os testes foram feitos com variedades de milho BRS-Gorutuba e sorgo 2502, indicadas para o clima semiárido. O aumento das raízes faz as plantas buscarem água e nutrientes no tubo com mais eficiência, deixando-as mais resistentes.

O fertilizante é produzido a partir do pó da semente do açaí em um processo chamado síntese hidrodermal. Ele gera nanopartículas fluorescentes, chamadas de pontos quânticos de carbono, com apenas 4 nanômetros de tamanho.

Essas partículas penetram nas folhas e são como pequenas antenas que pegam a luz do sol, dão o sistema de fotossíntese e aumentam a capacidade delas produzirem alimento.

Eficiência maior

Para o pesquisador Cláudio Carvalho, o tamanho pequeno das partículas permite que ele penetre melhor nos tecidos das plantas, fornecendo nutrientes direto nas células, com melhor aproveitamento do que os fertilizantes foliares convencionais.

Ele afirma que os nanofertilizantes atingem resultados superiores com doses menores, reduzindo custos de aplicação e menor impacto ao meio ambiente.

Em comparação aos fertilizantes do comum, ele o escorrimento é menor, então o solo e a água ficam mais limpos, destaca.

De resíduo a riqueza

Carvalho reforça que a semente é um kit de sobrevivência natural, pois ali esse um nutriente que ajuda a planta a nascer até em lugares difíceis. Essa característica faz do caroço do açaí um forte candidato para criar um adubo nobre.

Este é um destino muito inteligente, que dá valor a uma biomassa quea o ambiente e economiza minerais, afirma.

O grupo de pesquisa pretende testar o fertilizante em outras espécies, incluindo feijão, batata-doce, abóbora e hortaliças, além de mudas de própria açaí.

O professor Pierre Fechine, coordenador da equipe, diz que no Brasil há grande quantidade de resíduos agroindustriais, principalmente na Amazônia, o que representa uma riqueza barata e abundante.

Depois de terminar os estudos e escalonar a produção, poderemos usar esse nutriente em viveiros, estufas e até na cultura do açaí, ajudando mais auto do produtor, finaliza.