O governo do Nepal voltou atrás e passou a aceitar ajuda da comunidade internacional para reforçar as operações de busca e salvamento após as enchentes provocadas pelo colapso de uma geleira na região do Himalaia. Cerca de 3 mil pessoas continuam desaparecidas entre Nepal e China, e o número de mortos já chega a 676.
O governo do Nepal voltou atrás e passou a aceitar ajuda da comunidade internacional para reforçar as operações de busca e salvamento após as enchentes provocadas pelo colapso de uma geleira na região do Himalaia.
A mudança ocorreu horas depois de as autoridades afirmarem que conseguiriam conduzir sozinhas os resgates.
Resumo rápido:
- Mais de 3 mil pessoas estão desaparecidas entre Nepal e China, incluindo turistas, peregrinos e trabalhadores.
- O número de mortes subiu para 676, com 669 no Nepal e 7 no Tibete.
- As operações de resgate foram retomadas após melhora do clima, com apoio da Índia e da China.
- Equipes buscam sobreviventes isolados e tentam alcançar um túnel com cerca de 100 pessoas presas.
- A reconstrução pode custar entre US$ 4 e US$ 5 bilhões.
As operações, que chegaram a ser suspensas temporariamente por causa da chuva intensa e do nevoeiro, foram retomadas neste sábado (29) após melhora das condições climáticas.
Enquanto isso, cerca de 3 mil pessoas continuam desaparecidas entre Nepal e China. São 2.426 desaparecidos no Nepal e 554 no Tibete chinês, entre moradores, turistas, peregrinos e trabalhadores de usinas hidrelétricas. Pelo menos 540 deles são estrangeiros.
Na sexta-feira (28), o Ministério das Relações Exteriores do Nepal havia informado que o país não precisava de equipes internacionais para as operações gerais de resgate.
Segundo o ministro Shisir Khanal, o governo necessitava apenas de apoio técnico especializado para ações como resgates em túneis, identificação de corpos e exames de DNA. "Achamos que não há necessidade de repetição nisso", disse à Reuters.
Horas depois, porém, o governo mudou de posição e passou a aceitar ajuda internacional. Equipes especializadas da Índia já participam das buscas, enquanto outro grupo enviado pela China é aguardado.
As operações seguem concentradas na retirada de sobreviventes isolados e na tentativa de alcançar um túnel de uma usina hidrelétrica onde cerca de 100 pessoas permanecem presas.
Número de mortos sobe para 676 no Nepal
O balanço mais recente divulgado neste sábado aponta que 669 pessoas morreram no Nepal. No Tibete chinês, outras sete mortes foram confirmadas, elevando o total para 676 vítimas.
Segundo as autoridades, o número de mortos pode aumentar à medida que novas áreas se tornam acessíveis às equipes de resgate.
O desastre começou na quarta-feira (26), quando o colapso de uma geleira lançou uma grande quantidade de gelo, rochas, lama e detritos sobre os rios da região de fronteira entre Nepal e China, destruindo vilarejos, pontes, estradas, escolas, hospitais e usinas hidrelétricas.
Corpos serão enterrados após coleta de DNA
Três dias após a tragédia, parte dos corpos recuperados já está em avançado estado de decomposição, impossibilitando a identificação visual.
Segundo a administração do distrito de Chitwan, amostras de DNA serão coletadas antes do sepultamento para preservar a possibilidade de identificação futura e reduzir riscos sanitários.
Em Katmandu, familiares seguem procurando notícias de desaparecidos e tentam reconhecer vítimas por fotografias afixadas nos muros do Campus Médico de Maharajgunj, para onde parte dos corpos foi levada.
Sobreviventes aguardam resgate
Na cidade de Bidur, a cerca de duas horas de Katmandu, centenas de moradores aguardam helicópteros para retornar às comunidades atingidas.
Uma base militar foi transformada em centro de atendimento aos sobreviventes resgatados por via aérea.
As aeronaves priorizam a retirada de pessoas ainda isoladas, enquanto algumas estradas começam a ser reabertas para permitir o acesso por terra.
O risco de novas enchentes, porém, permanece. Dois lagos formados após o colapso da geleira seguem sob monitoramento das autoridades nepalesas e chinesas.
Um deles começou a escoar lentamente neste sábado, reduzindo o risco imediato de transbordamento, mas especialistas alertam que o perigo só diminuirá quando ambos estiverem completamente esvaziados.
Reconstrução deve custar bilhões de dólares
O ministro das Finanças, Swarnim Wagle, estima que a reconstrução custará entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões (cerca de R$ 20,8 bilhões a R$ 26 bilhões), embora os prejuízos ainda estejam sendo contabilizados.
Além dos recursos financeiros, o governo pediu assistência técnica para resgates em túneis, recuperação da infraestrutura, identificação de vítimas, realização de exames de DNA e ampliação da capacidade de armazenamento de corpos.
A Índia já enviou cerca de 60 toneladas de suprimentos de emergência, incluindo alimentos, medicamentos e cobertores, além de oferecer equipes técnicas e pontes pré-fabricadas para ajudar na recuperação da infraestrutura.
Segundo a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, aproximadamente 93 mil pessoas foram afetadas pela tragédia.


Deslizamento no Nepal





