A gigante chinesa do agronegócio adquire ativos no interior de São Paulo, aumentando sua capacidade de processamento de cana e disputando posição no topo do setor sucroenergético do país.
O mercado de açúcar internacional está passando por uma fase de recuperação dos preços. Nesse cenário, grandes companhias buscam reforçar suas posições para aproveitar as oportunidades de lucro no setor.
Na última terça-feira, 1 de setembro, a chinesa Cofco anunciou a compra de duas usinas de açúcar que pertenciam à americana Bunge. Os ativos estão localizados no interior do estado de São Paulo.
Essas usinas, chamadas Rio Vermelho e Nova Unialco, chegaram a ter na mão da Bunge depois que a empresa se fundiu com a canadiense Viterra, em julho de 2025. As duas unidades juntas conseguem processar até 7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra.
Principais pontos sobre a negociação
- A compra é a segunda vez que a Bunge sai do setor de açúcar e álcool.
- A capacidade total da Cofco no Brasil passa a ser de 25,5 milhões de toneladas.
- A chinesa busca se igualar às empresas líderes do setor, mas atrás da Raízen e da BP Bioenergy.
- Os valores pagos pelas duas usinas não foram revelados publicamente.
- A decisão faz parte de uma estratégia ampla da Cofco para crescer no agronegócio brasileiro.
Um movimento estratégico para a Cofco
Para a Cofco, essa aquisição é um passo importante para ampliar sua presença no país. Antes dessa compra, a empresa já operava quatro usinas em São Paulo, com capacidade para processar 18,5 milhões de toneladas de cana. Com a entrada das duas novas unidades, o total sobe para 25,5 milhões de toneladas.
Esse crescimento faz com que a Cofco se aproxime de lideranças do setor. A empresa deve ficar próxima da Atvos, que é o terceiro maior grupo em capacidade de processamento, perdendo apenas para a Raízen e a BP Bioenergy.
Daniel Pagnani, Diretor Geral de Usinas de Açúcar da Cofco International, explicou que a compra segue o plano de longo prazo da empresa. Segundo ele, a aquisição fortalece a presença industrial da chinesa no Brasil e permite que ela atue de forma mais integrada em regiões agrícolas importantes.
A Bunge foca em outros negócios
Enquanto a Cofco avança no açúcar, a Bunge continua seu processo de retirada do setor. Antes dessa venda, a americana já havia se livrado de uma participação em uma sociedade com a britânica BP voltada para o etanol. A empresa sinalizou que quer concentrar esforços em seus negócios principais: grãos e óleos vegetais.
Outros investimentos da Cofco no Brasil
O interesse da empresa chinesa no Brasil não para por aí. Além do setor canavieiro, a Cofco tem buscado diversificar seus investimentos. No final de agosto, a companhia enviou o primeiro carregamento de sorgo brasileiro para a China, saindo do Porto de Santos. Foram 69 mil toneladas enviadas em apenas uma carga.
Este é o primeiro lote exportado após os dois países assinarem um acordo sanitário, em novembro de 2024, para liberar a exportação desse grão. Além disso, em junho, a Cofco assinou um acordo com o Pátria Investimentos para apostar em agricultura sustentável, especialmente na cadeia do café e na venda de créditos de carbono, usando fundos internacionais especializados no assunto.


Usina Rio Vermelho, 'herdada' pela Bunge com a compra da Viterra





