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04 de setembro de 2026

Deputada denuncia empresário por golpe com emendas falsas na Bahia

Geral Estelionato 04/09/2026 09:36 Maurício Leiro e Victor Hernandes / Bahia Notícias bahianoticias.com.br

Lídice da Mata denunciou Uryel Lima por estelionato após ele tentar vender recursos parlamentares que não existem e aplicar fraudes usando documentos falsos do Ministério das Cidades em prefeituras baianas.

A deputada federal Lídice da Mata, do PSB, registrou uma denúncia contra o empresário e administrador Uryel Victor Lima de Santana na Polícia Civil. O crime em questão é o de estelionato, que envolve fraude e engano para obter vantagens indevidas. A informação foi confirmada por interlocutores da parlamentar nesta sexta-feira, 4 de setembro de 2026.

De acordo com as investigações, Uryel tentou negociar a venda de emendas parlamentares, que são recursos destinados pela bancada de Brasília para obras e melhorias nos estados. Ele teria cobrado dinheiro de amigos da ex-prefeita de Salvador com a promessa de ajudá-los e conseguir esses fundos, o que resultou em uma queixa-crime formal contra o gestor.

Além da tentativa de venda de emendas, o empresário é investigado por aplicar golpes em municípios baianos. Ele apresentava documentos falsos, supostamente do Governo Federal, para prefeitos, solicitando pagamentos antecipados em troca de recursos que nunca chegariam. O caso mais recente envolve a cidade de Cipó, na região Nordeste da Bahia.

Esquer da reportagem do Bahia Notícias, a Polícia Civil confirmou que investiga o caso. O crime foi registrado em 16 de junho deste ano. As autoridades afirmaram que estão realizando oitivas e outras diligências para esclarecer os fatos. O contato com Uryel não foi estabelecido pela redação até o fechamento desta matéria.

Para entender melhor o ocorrido, é fundamental conhecer o modus operandi do suspeito. Ele utilizava uma abordagem persuasiva para convencer prefeitos a acreditarem que havia oportunidades de receber verbas federais. Em algumas ocasiões, ele viajava pessoalmente para as cidades, chegando inclusive de avião, para entregar documentos com o timbre do Governo Federal. Esses papéis, no entanto, eram adulterados e fraudulentos.

Como funcionava o golpe do empresário

  • O suspeito criava ofícios falsos atribuídos ao Ministério das Cidades para simular a chegada de recursos financeiros para as cidades.

  • Ele realizava contatos diretos com prefeitos ou usava intermediários para apresentar as falsas oportunidades de verbas.

  • Alegava ter contatos políticos influentes em Brasília para dar uma falsa aparência de legitimidade às negociações.

  • O objetivo final era conseguir pagamentos antecipados sob o pretexto de agilizar a liberação de recursos burocráticos.

  • A fraude era descoberta quando os gestores públicos consultavam os ministérios, que confirmavam a inexistência dos documentos.

Conforme relato do prefeito de Cipó, Marquinhos, do PSD, o Ministério das Cidades confirmou que o documento apresentado por Uryel não era verdadeiro. A suposta destinação de mais de 7 milhões de reais para obras de pavimentação asfáltica não passava de uma invenção do suspeito. O caso gerou um alerta geral para os gestores públicos de todo o estado da Bahia.

O prefeito de Cipó explicou que o suspeito forjou um documento dizendo que o ministério forneceria recursos, mas ao verificar em Brasília, descobriu a fraude. Ele destacou: "Ele começou desde o ano passado e ele vem insistindo. Depois que fiz as denúncias, ele não me ligou mais. No entanto, isso está sendo frequente. Ele forjou um documento dizendo que era do Ministério das Cidades disponibilizando recursos. Só que fui a Brasília e verifiquei com a equipe da pasta. Eles disseram que esse documento não tinha nada a ver com o ministério não, que seria dele, ele que fez, não tinha nada a ver".

A Polícia Civil informou que o caso foi registrado como estelionato. O suspeito alegava ter "conchavos" e trânsito livre nos bastidores de Brasília para pressionar os gestores. A estratégia baseava-se em criar a ilusão de que a burocracia já estava concluída, cobrando valores antecipadamente. Essa prática é um crime grave, pois prejudica a administração pública e a credibilidade do governo.

O mesmo modus operandi teria ocorrido na cidade de Nova Soure, também no Nordeste baiano. O prefeito Alan de Cassinho, do PSD, revelou que o contato inicial ocorreu há três ou quatro meses. Ele afirmou que o empresário ofereceu a intermediação de verbas para pavimentação asfáltica e outras demandas municipais, exigindo adiantamento de valores para viabilizar a suposta liberação.

Para dar credibilidade à ação, o administrador alegava ter trânsito livre no Ministério das Cidades. Em Nova Soure, ele enviou um ofício semelhante ao de Cipó. Uma segunda pessoa, que se dizia funcionário do ministério, também entrou em contato com o prefeito. Contudo, o gestor desconfiou da abordagem e não efetuou nenhum pagamento ou avançou nas negociações, preferindo esperar o desfecho do caso em Cipó.

Além do ofício principal, o suspeito teria feito outras propostas para a cidade de Nova Soure, não se limitando apenas a obras de asfalto, mas abrangendo outras demandas administrativas. O prefeito Alan de Cassinho reforçou a versão de Cipó, indicando que o suspeito utiliza contatos intermediários para chegar aos gestores, criando uma rede de pressão e desinformação.

"Foi essa mesma pessoa. Ele chegou a enviar um ofício também na mesma situação da cidade de Cipó. Mas eu não avancei porque aguardava ver se a situação lá iria se desenvolver. Mas ele chegou a fazer outras propostas também, não só asfalto, mas outras demandas", contou o prefeito. A desconfiança dos gestores foi crucial para não cair no golpe em Nova Soure, servindo como exemplo de atenção necessária.

"Foi algo para o Ministério das Cidades também. Até uma outra pessoa entrou em contato dizendo ser do Ministério das Cidade. Mas aí eu sou um pouco desconfiado, não avancei não", completou o gestor. O caso destaca a importância da verificação direta com os órgãos federais antes de aceitar qualquer promessa de recursos extraordinários ou pagamentos antecipados de intermediários.