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09 de setembro de 2026

Senador Carlos Fávaro acusa governo de espionar candidatos em MT

Geral Eleições 09/09/2026 15:17 Folhamax folhamax.com

O senador Carlos Fávaro (PSD) denunciou à Polícia Federal que grupos estariam monitorando adversários políticos com escutas clandestinas durante as eleições de 2026 em Mato Grosso, temendo a repetição do esquema conhecido como 'Grampolândia Pantaneira'.

O senador Carlos Fávaro (PSD), candidato à reeleição em Mato Grosso, formalizou uma denúncia na Polícia Federal (PF) acusando o uso de arapongagem para monitorar rivais políticos durante as eleições de 2026. A ação foi motivada por um alerta sobre a existência de estruturas clandestinas de espionagem no estado.

De acordo com informações públicas, o parlamentar prestou depoimento pessoalmente na terça-feira, dia 8, e entregou às autoridades uma denúncia recebida anônimamente. O alerta descrevia a formação de grupos destinados a realizar escutas telefônicas e acompanhar adversários políticos, levantando sérias preocupações sobre a segurança do processo eleitoral no estado.

  • Senador Carlos Fávaro denuncia à PF possível espionagem de candidatos.
  • Medida ocorre em meio ao histórico de grampo ilegal em Mato Grosso.
  • PF deve investigar se há interceptações sem ordem judicial.
  • Denúncia cita grupos criminosos montados para monitorar campanhas.
  • Ação visa evitar a repetição de esquemas do passado recente.

O temor da repetição da Grampolândia

A maior preocupação de Fávaro é que os fatos atuais representem uma repetição de práticas semelhantes às que originaram o esquema conhecido como Grampolândia Pantaneira. Este caso de interceptações clandestinas ganhou notoriedade em Mato Grosso durante o governo do então governador Pedro Taques. Apesar da repercussão, todos os inquéritos abertos contra o ex-governador foram posteriormente arquivados pela Justiça.

Mesmo diante dessa história de impunidade, Fávaro decidiu encaminhar o caso diretamente à Polícia Federal. Optou por essa rota em vez de promover uma apuração própria com sua equipe ou assessoria. A decisão tem como principal objetivo transferir às autoridades competentes a responsabilidade de investigar se, de fato, existe uma estrutura clandestina de monitoramento em atividade, garantindo a imparcialidade e a legalidade do procedimento.

Vale ressaltar que, por se tratar neste momento de uma denúncia formalizada, ainda não há confirmação pública de que as supostas escutas tenham efetivamente ocorrido. Também não há, até o momento, informações concretas sobre quem seriam os responsáveis por essa suposta estrutura. Cabe à Polícia Federal a análise inicial para verificar a procedência das informações e decidir sobre a abertura de uma investigação formal.

Histórico de espionagem no estado

O episódio atual ocorre em um contexto estadual marcado por um longo histórico de denúncias de espionagem política. As investigações da Grampolândia Pantaneira, que vieram à tona publicamente em 2017, apontaram indícios de que técnicas de arapongagem poderiam ter sido utilizadas em diversas disputas eleitorais anteriores. Essas investigações cobriram os pleitos de 2012, 2014 e 2016.

Relatos anteriores já envolviam a cidade de Lucas do Rio Verde. Em 2012, durante a eleição municipal da cidade, a publicitária Tatiane Sangalli relatou à Polícia Civil a existência de uma estrutura clandestina de monitoramento. Segundo o seu depoimento, uma conversa do então juiz eleitoral André Gahyva teria sido gravada utilizando o dispositivo conhecido como caneta espiã.

O mesmo depoimento mencionava a presença de computadores e fones de ouvido em um imóvel que era utilizado durante a campanha política. Esse episódio provocou uma apuração eleitoral após a divulgação de um áudio que envolvia o magistrado. Contudo, a versão contada pela publicitária apresentava divergências em relação à denúncia original que havia circulado na época, criando dúvidas sobre a veracidade do relato sobre os participantes da suposta conversa.

Alvos incluem políticos e jornalistas

As suspeitas de espionagem também alcançaram a eleição de 2014. Conforme o histórico reunido pela investigação sobre a Grampolândia, coordenadores jurídicos de campanhas de adversários políticos do então governador Pedro Taques teriam sido incluídos entre os alvos de interceptações telefônicas. A lista de monitorados incluía advogados ligados a essas campanhas.

Entre os nomes citados figura o jornalista e então candidato ao governo José Marcondes, conhecido pelo apelido de Muvuca. Um dos mecanismos de espionagem apontados nas investigações ficou conhecido popularmente como barriga de aluguel. Trata-se de uma prática ilícita em que os números de telefones de pessoas que não eram alvos diretos da apuração eram incluídos em pedidos judiciais de interceptação, que eram, na verdade, destinados a outros investigados.

Em 2016, a cidade de Lucas do Rio Verde voltou a constar no histórico de suspeitas. Segundo depoimento do então secretário de Justiça e Direitos Humanos, coronel Airton Siqueira, o comitê da campanha de Otaviano Pivetta, que era o prefeito à época, teria sido monitorado durante a disputa municipal. O relato detalhou medidas intrusivas realizadas contra o candidato.

O depoimento mencionava a instalação de escuta ambiental e câmeras de vídeo dentro do comitê de campanha. Além disso, Siqueira relatou uma suposta invasão ao escritório jurídico da campanha, cujo objetivo seria a obtenção de informações confidenciais. Tais dados poderiam ser utilizados de forma indevida em uma eventual contestação eleitoral contra o rival.

Novas revelações e o papel da PF

Em 2020, o veículo de imprensa Grupo Dourados (GD) voltou a abordar o caso, revelando novos áudios relacionados à eleição daquele ano em Lucas do Rio Verde. Segundo a reportagem, Edgar Savaris, que foi secretário de Comunicação da gestão de Pivetta, descreveu em uma gravação a montagem de uma estrutura de arapongas que teria a função de atuar em campanhas políticas.

A publicação também divulgou um áudio no qual Paulo Franz, irmão do ex-prefeito Marino Franz, afirmava que um suposto serviço de inteligência havia identificado o posicionamento eleitoral de um eleitor específico. O caso Grampolândia Pantaneira veio à tona em 2017 após reportagens revelarem a existência de interceptações telefônicas clandestinas em Mato Grosso. Os alvos incluíam políticos, advogados profissionais e jornalistas. O caso deu origem a investigações policiais e judiciais para identificar quem era responsável e dimensionar a extensão total do esquema.

Agora, é papel da Polícia Federal verificar se existem elementos concretos que confirmem a nova denúncia apresentada. A corporação precisa identificar eventuais responsáveis e apurar se houve interceptações sem a necessária autorização judicial. A investigação também deve analisar outras práticas que possam ter sido destinadas a monitorar candidatos de forma ilegal.

A posição do senador Carlos Fávaro

Procurado pelo veículo FolhaMax, o senador Carlos Fávaro emitiu uma nota oficial através de sua assessoria de imprensa. Na mensagem, ele alegou que, após receber a denúncia anônima, decidiu procurar imediatamente a Polícia Federal para não correr o risco de cometer o crime de prevaricação, que consiste em deixar de agir quando o dever funcional exige.

O senador Carlos Fávaro recebeu uma denúncia anônima de que grupos criminosos estão sendo formados para monitorar candidatos com escutas. Como o senador não poderia prevaricar, levou a informação até o conhecimento da Polícia Federal, que é a instituição que fiscaliza, investiga e cuida das eleições, afirmou a nota enviada à imprensa.