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17 de setembro de 2026

Soja vira combustível e alimento animal: caminho para lucrar mais

Geral Soja 17/09/2026 15:06 Hildeberto Jr. - Canal Rural canalrural.com.br

O presidente da Aprobio afirmou que a transformação da soja em biocombustível é essencial para o lucro dos produtores. O debate ocorreu na Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27 em Mato Grosso, focando na indústria de biodiesel, etanol e proteína animal como formas de agregar valor ao grão e reduzir dependência da exportação.

O crescimento do uso de energia limpa feita a partir de plantas (biocombustíveis) e a transformação da soja em produtos industriais são vistos como caminhos importantes para garantir o lucro dos agricultores nos próximos anos. Essa foi a ideia central de um debate realizado nesta quinta-feira (17) durante a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27, no município de Ipiranga do Norte, em Mato Grosso.

O encontro reuniu especialistas para discutir como a soja pode ser usada para fazer biodiesel, etanol e ração para animais. Eles também falaram sobre a 'economia circular', um modelo onde os resíduos de uma produção viram insumos para outra, evitando o desperdício dentro das fazendas e fábricas.

  • O evento discutiu a criação de energia a partir da soja em Ipiranga do Norte (MT).
  • O líder da Aprobio disse que o biocombustível ajuda a garantir a renda do agricultor.
  • Há preocupações com a possível redução da compra de soja pela China, o que exige novos mercados internos.
  • A 'economia circular' transforma resíduos animais em fertilizante para os campos.
  • A indústria de biodiesel exige leis claras e estabilidade para receber investimentos.

Problemas com a demanda da China exigem novas saídas

Miguel Daoud, comentarista do Canal Rural e moderador do painel, explicou que o Brasil está crescendo no uso de energias renováveis e a soja pode ter um papel grande nesse cenário. Ele alertou que, se a China reduzir suas compras de soja do Brasil, ficará sobrando muita produção aqui dentro. Nesse caso, a indústria de biocombustíveis poderia ajudar a consumir essa quantidade extra.

Tiago Stefanello, da empresa Evermat, concordou que é fundamental processar a soja dentro do Brasil em vez de apenas enviar o grão cru para outros países. Ele citou que, além do biodiesel, o etanol, o DDGS (um resíduo usado em ração) e a carne são formas de transformar o que vem do campo em produtos que valem mais dinheiro.

Stefanello chamou atenção para as dificuldades de transporte e infraestrutura no país. Ele sugeriu que, em vez de só exportar matéria-prima, o Brasil deve transformar o produto antes que ele chegue aos portos. Para ele, etanol e diesel precisam ser considerados peças fundamentais da nossa economia agrícola.

Indústria cobra regras claras para investir

Um dos pontos mais levantados pelos empresários foi a necessidade de certeza para planejar o futuro. Jerônimo Goergen, presidente da Aprobio, pediu que o governo cumpra as metas da Lei do Combustível do Futuro e aumente a quantidade de biodiesel misturada no diesel comum dos carros e caminhões.

Segundo Goergen, é preciso ter regras estáveis para que as empresas possam decidir investir, independentemente do preço do petróleo no mercado internacional. Ele afirmou ainda que a indústria brasileira trabalha para provar a qualidade do seu produto e, em breve, tentar vender para outros países.

O executivo ressaltou que é preciso calcular com cuidado a oferta e a demanda de biocombustível. Se a indústria crescer demais sem que o mercado agüente, o produtor rural não terá lucro. O objetivo é que a expansão da indústria de energia também beneficie quem planta a soja.

Do grão à lavoura: a economia na prática

Outro tema debatido foi a criação de cadeias que não desperdiçam nada. Fernando Pozzobon, da Fermap, explicou como sua empresa usa o grão para alimentar animais. Hoje, 99% da ração dos bichos vem da própria fazenda.

Depois que os animais excretam, esses dejetos são tratados para virar adubo e biogás, que volta a fertilizar o solo. Isso transforma o grão em carne de alto valor e reaproveita tudo dentro da mesma terra. Pozzobon disse que o agro se adapta rápido às novas necessidades, mas alertou que a produção só rende se o consumo também aumentar junto.

Paulo Lucion, da Nutribras, apresentou um modelo semelhante. A empresa pega o milho e a soja, faz ração para os animais e usa o que sobra para fazer fertilizante, fechando o ciclo de volta ao campo. Essa é a definição prática da economia circular: em vez de plantar e vender só o grão, o produto muda várias vezes de forma, gerando energia e insumos.

A conclusão do evento em Ipiranga do Norte foi que a soja tem muitas saídas. Além de ser exportada, ela pode abastecer fábricas de combustível, ração animal e outros produtos. Quanto mais se transforma o grão dentro do Brasil, mais valor ele ganha e mais segura fica a renda do produtor.