Imagens do Instituto Impacto em Poconé (MT) mostram a fauna silvestre concentrada nos últimos pontos de água durante a seca de 2026. A redução de recursos atraiu espécies como antas e macacos, criando oportunidades para a caça, com a onça-pintada Baía capturando dois jacarés.
Um vídeo divulgado pelo Instituto Impacto mostra como a seca severa de 2026 tem transformado a paisagem do Pantanal de Mato Grosso. Gravações realizadas na Pousada Piuval, localizada em Poconé a 104 km de Cuiabá, revelam uma cena incomum: diversos animais silvestres concentrados nos poucos pontos de água que restam na região.
Segundo a equipe, a escassez de recursos hídricos forçou a fauna a migrar para essas áreas específicas. Os locais se tornaram centros vitais onde as espécies se reúnem para beber, se refrescar do calor extremo e, em alguns casos, até para a prática da caça.
- Concentração da Fauna: A falta de água fez com que antas, macacos e aves se aglomerassem nas lagoas remanescentes.
- Caça em Áreas Rasas: A onça-pintada Baía, filha da famosa Nina, capturou dois jacarés presos em uma área com pouca profundidade.
- Filhote Acompanhando: Baía foi vista com seu filhote de três meses, batizado de Maia, durante o ato predatório.
- Monitoremento Extensivo: O Instituto Impacto monitora 30 mil hectares e já registrou mais de 40 onças-pintadas na reserva.
- Espera por Chuvas: As precipitações só devem chegar entre outubro e novembro, dependendo das condições climáticas da temporada.
Especialistas explicam o comportamento animal na estiagem
O presidente do Instituto Impacto, o médico-veterinário Paul Raad, confirmou que os registros datam da seca atual de 2026. Ele explicou que a área permanece em estado de estiagem crítica e a equipe aguarda o retorno das chuvas, previstas para ocorrer entre os meses de outubro e novembro, condicionado à variabilidade do clima regional.
O biólogo e guia de turismo Marcos Ardevino, que atua na região, destaca que a disponibilidade de água é o fator principal que define a distribuição dos animais. Com a diminuição das fontes hídricas, a fauna não tem alternativa a não ser se concentrar nos locais que ainda oferecem umidade. Essa mudança altera completamente a rotina diária da vida silvestre local.
Para Ardevino, a relação da natureza com o líquido é direta: Tudo que é vida depende de água. Na seca, a bicharada vai ficar mais concentrada perto de fontes, afirmou o especialista, reforçando a dependência absoluta dos organismos vivos desses recursos escassos.
Onças-pintadas usam a concentração de presas para caçar
A aglomeração de diferentes espécies nos mesmos pontos de água cria um ambiente rico para os predadores. Um dos momentos mais marcantes documentados pelo Instituto Impacto neste ano envolve a onça-pintada Baía. Acompanhada de sua filha Maia, um filhote de aproximadamente três meses, Baía foi flagrada explorando um ponto de água que também servia como zona de caça.
Segundo os registros, a onça capturou dois jacarés que estavam presas em uma área rasa, onde não conseguiam nadar ou fugir. Após se alimentar das presas, a mãe permaneceu com a filhote às margens do local, demonstrando a dinâmica familiar e predatória em tempos de escassez.
Paul Raad explica que essa concentração transforma os pontos de água em áreas cruciais para a relação entre predadores e presas. No entanto, ele alerta que o comportamento das onças não é de passividade: elas não ficam paradas esperando as presas chegarem, mas aproveitam as oportunidades apresentadas pela aglomeração de animais em um espaço reduzido.
Marcos Ardevino corrobora essa visão técnica. Para ele, os predadores são estratégicos e aproveitam as facilidades criadas pela seca, mas mantêm sua mobilidade pela mata. Certamente predadores podem sim se aproveitar dessas oportunidades, mas não é como se eles ficassem concentrados ali esperando, explicou o biólogo.
Retorno das chuvas e a importância da conservação
Quando as chuvas retornarem e novos pontos de água surgirem, a distribuição dos animais deve mudar novamente. A fauna deixará de depender exclusivamente dos poucos locais secos e passará a se espalhar pela região, diluindo a concentração de espécies em áreas específicas.
O Instituto Impacto mantém um monitoramento constante de cerca de 30 mil hectares no Pantanal. Durante o período, a equipe registrou mais de 40 onças-pintadas na área monitorada. A presença e a distribuição dessas felinas servem como indicadores importantes das condições do ambiente e da disponibilidade de presas naturais.
A manutenção de pontos de água durante os períodos críticos de seca é vista pelo instituto como uma ferramenta de conservação. Ao preservar esses recursos, evita-se que as onças, com a redução de presas selvagens, migrem para áreas habitadas e acabem caçando animais domésticos, reduzindo os conflitos entre a fauna silvestre e as comunidades locais do Pantanal.


Animais se refrescam durante seca no Pantanal de MT (Ajustada por IA)






