O Ministério do Esporte cancelou o encontro com clubes de futebol devido à forte insatisfação dos dirigentes com a medida do governo que veda as apostas online (bets), impactando diretamente as finanças dos times.
O Ministério do Esporte cancelou a reunião que faria com os clubes nesta terça-feira (29), em Brasília. A mudança na agenda aconteceu após os clubes ensaiarem um esvaziamento do encontro em razão da indignação pela medida recente de veto às bets no mercado brasileiro.
Quando formalizou o convite, o ministro Paulo Henrique Cordeiro citou que o encontro teria como pauta o "fortalecimento dos clubes e do futebol brasileiro".
- O Ministério do Esporte cancelou a reunião agendada para terça-feira (29) em Brasília com os clubes de futebol.
- A decisão seguiu uma reação de esvaziamento pelos times, revoltados com o veto presidencial às apostas online (bets).
- O governo justificou o cancelamento oficialmente por "questões logísticas", mas a insatisfação era o verdadeiro motivo.
- Um dirigente questionou sob anonimato o que uma reunião a uma semana da eleição poderia fazer pelo futebol.
- Apesar do clima tenso, grupos de clubes ainda negociam linhas de crédito e descontos de dívidas com o governo.
Justificativa oficial e bastidores da irritação
Oficialmente, a justificativa para a remarcação - segundo documento enviado a clubes e federações, via CBF - aponta questões logísticas.
Mas ao longo do dia, o UOL apurou que os clubes já tinham sinalizado que haveria um esvaziamento do encontro.
Os dirigentes estão revoltados com a medida do presidente Lula de acabar com as bets, sobretudo pela imediatez dos efeitos da medida provisória assinada sexta-feira passada.
Os cartolas já tinham conversado entre si ao longo do dia e o cenário que se desenhava era de baixa adesão ao encontro.
Críticas à conduta do governo e à proximidade da eleição
Um dirigente de clube fez um questionamento ao UOL, sob anonimato: "O que uma reunião a uma semana da eleição pode fazer pelo futebol".
As federações estaduais, inseridas no convite inicial, tampouco se mobilizaram para aparecer em Brasília nesta terça-feira (29).
Entre os clubes, há uma corrente de quem vê no governo uma incoerência por chamar uma reunião neste momento, com a MP já publicada e a corda no pescoço, em termos financeiros.
Setores jurídicos também apontam que houve problemas ao longo da condução de outros casos envolvendo o futebol, como vetos parciais à Lei Geral do Esporte.
Futuro das negociações entre clubes e governo
O Ministério do Esporte não marcou nova data para o encontro.
Os clubes não cortaram relações com o governo em definitivo, até porque há um bloco encabeçado por Corinthians, Internacional e Atlético-MG que negocia um apoio financeiro, por meio de uma linha de crédito e descontos em dívidas.


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