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07 de outubro de 2026

Institutos erram feio em pesquisas para presidente, governos e Senado

Geral Eleições 07/10/2026 06:48 Metrópoles pautadiaria.com.br

As eleições de 2026 tiveram resultados diferentes do que as pesquisas de opinião mostravam. Os principais institutos, como Datafolha, Quaest e Atlas, erraram nas previsões para presidente, governos estaduais e Senado, gerando debate sobre a confiabilidade dos levantamentos.

Os resultados do primeiro turno das eleições revelaram cenários diferentes dos projetados pelas pesquisas de opinião divulgadas nas últimas semanas em alguns estados. Tanto no nível nacional quanto no estadual, os principais institutos do país previram situações divergentes do que foi observado nas urnas, no domingo (4/10).

Os institutos minimizaram os erros, alegando que as pesquisas mostram um retrato do momento e que houve até indicação de forte voto útil de direita a favor de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.

  • Nenhuma pesquisa previu o resultado final da eleição presidencial, com Lula liderando nas últimas sondagens.
  • No primeiro turno, Flávio Bolsonaro venceu Lula com 47% contra 45% dos votos.
  • A diferença foi de 2,2 milhões de votos a favor do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
  • As pesquisas também erraram nas disputas estaduais, como no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.
  • No Senado, os institutos não acertaram os eleitos em vários estados, como Brasília, Rio e São Paulo.

Mas o fato é que nenhuma das últimas pesquisas feitas para a disputa presidencial conseguiu prever o resultado real de domingo. Levantamentos feitos por Datafolha, Quaest, Atlas, CNT e Real Time Big Data, dias antes da votação, mostravam o presidente Lula na frente das intenções de voto.

Ao fim da apuração, já na madrugada de segunda-feira (5/10), as urnas apontavam vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL), com 47% dos votos, seguido por Lula, com 45%.

A diferença foi de 2,2 milhões de votos a favor do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Projeções do 1º turno para presidente

As últimas pesquisas feitas antes do pleito mostraram cenários diferentes do resultado final. Veja os números:

Datafolha

  • Lula (PT): 45%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 42%

Pesquisa Quaest

  • Lula (PT): 46%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 45%

Real Time Big Data

  • Lula (PT): 43%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 39%

Pesquisa Atlas/Intel

  • Lula (PT): 47%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 44,1%

Pesquisa CNT

  • Lula (PT): 47,8%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 42,1%

Governos

Os erros também se repetiram nas pesquisas para os governos estaduais. Situações semelhantes foram registradas no Distrito Federal e no Rio de Janeiro, por exemplo.

Governo do Distrito Federal

No Distrito Federal, a maioria das pesquisas mais recentes para o primeiro turno indicava vitória tranquila da atual governadora Celina Leão (PP) sobre o petista Leandro Grass, já no primeiro turno.

No entanto, ao fim da apuração, as urnas mostraram a necessidade de um segundo turno entre os dois. Celina recebeu 49,9% e Grass ficou com 34,4% dos votos válidos.

As pesquisas no DF

Quaest

  • Celina Leão (PP): 53%
  • Leandro Grass (PT): 32%

Real Time

  • Celina Leão (PP): 52%
  • Leandro Grass (PT): 29%

Datafolha

  • Celina Leão (PP): 55%
  • Leandro Grass (PT): 27%

Atlas

  • Celina Leão (PP): 45,3%
  • Leandro Grass (PT): 34%

Governo do Rio de Janeiro

O resultado do primeiro turno no Rio de Janeiro mostrou uma grande diferença em relação aos últimos cenários projetados pelos institutos. A maioria dos levantamentos trazia o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) na frente, seguido por Douglas Ruas (PL).

No entanto, a apuração terminou com Ruas liderando com 49% dos votos, seguido por Paes, que ficou com 42%. A decisão para o próximo governador carioca ficou para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Se a desistência do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) de um recurso for confirmada pela Justiça Eleitoral, e os votos dele forem considerados nulos, Ruas poderá vencer já no primeiro turno. O caso está sendo analisado.

As pesquisas no Rio

Quaest

  • Eduardo Paes (PSD): 49%
  • Douglas Ruas (PL): 40%

Real Time Big Data

  • Eduardo Paes (PSD): 37%
  • Douglas Ruas (PL): 31%

Datafolha

  • Eduardo Paes (PSD): 49%
  • Douglas Ruas (PL): 40%

AtlasIntel

  • Eduardo Paes (PSD): 46,4%
  • Douglas Ruas (PL): 38%

Erros no Senado

Os erros não aconteceram só na disputa presidencial e nos governos estaduais. Também ocorreram em várias unidades da Federação. Três casos chamaram a atenção: Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

As pesquisas mostravam disputas acirradas, mas o resultado nas urnas foi bem diferente.

Senado em Brasília

Na capital federal, os institutos mostravam Michelle Bolsonaro (PL) quase sempre liderando, com a segunda vaga oscilando entre Bia Kicis (PL) e Leila do Vôlei (PDT), e a petista Erika Kokay pontuando bem em alguns cenários.

No resultado final, Michelle ficou com 29,05% e Bia com 27,44%, sendo eleitas. Leila terminou com 21,25% e Erika com 18,91%.

Pesquisas Senado DF

Quaest

  • Michelle: 31%
  • Leila: 27%
  • Bia: 24%
  • Erika: 17%

Datafolha

  • Michelle: 30%
  • Bia: 24%
  • Leila: 21%
  • Erika: 18%

AtlasIntel

  • Bia: 27,2%
  • Michelle: 26,1%
  • Leila: 21,3%
  • Érika: 21,3%

Senado no Rio de Janeiro

A corrida para o Senado no Rio também não foi diferente. Os senadores Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL) foram reeleitos com 26% e 24% dos votos, respectivamente. As últimas pesquisas apontavam a candidata do PT, Benedita da Silva, como uma das eleitas.

Em alguns levantamentos, Benedita até aparecia com a maior vantagem numérica, mas no fim ela não foi eleita pelo estado.

Quaest

  • Carlos Portinho (PL): 23%
  • Carlos Jordy (PL): 22%
  • Benedita da Silva (PT): 21%
  • Pedro Paulo (PSD): 13%

Real Time Big Data

  • Carlos Jordy (PL): 18%
  • Benedita da Silva (PT): 15%
  • Carlos Portinho (PL): 14%
  • Pedro Paulo (PSD): 12%

Datafolha

  • Benedita da Silva (PT): 26%
  • Carlos Portinho (PL): 19%
  • Carlos Jordy (PL): 18%
  • Pedro Paulo (PSD): 13%

AtlasIntel

  • Carlos Jordy (PL): 23%
  • Benedita da Silva (PT): 21,8%
  • Carlos Portinho (PL): 21,8%
  • Mônica Benicio (PSOL): 11,6%

Senado em SP

As pesquisas de véspera sobre o Senado em São Paulo mostravam uma situação bem disputada, com empate técnico entre os quatro principais candidatos. Pelos números, não era possível prever quem venceria.

No entanto, o resultado das urnas foi bem diferente: Guilherme Derrite (PP) teve 30,59%, André do Prado (PL) somou 29,28%, Simone Tebet (PSB) registrou 19,23% e Marina Silva contabilizou 18,12%.

As pesquisas recentes para o Senado em SP

Quaest

  • Guilherme Derrite (PP): 25%
  • André do Prado (PL): 23%
  • Marina Silva (Rede): 22%
  • Simone Tebet (PSB): 22%

Datafolha

  • Derrite: 22%
  • André: 22%
  • Marina: 21%
  • Tebet: 20%

AtlasIntel

  • Derrite: 25,9%
  • André: 24,2%
  • Tebet: 22,2%
  • Marina: 21,5%

Retratos de momento

Procurado pelo Metrópoles, o diretor executivo do instituto Real Time Big Data minimizou as diferenças e explicou que as pesquisas eleitorais são retratos do momento, e não previsões de futuro. O conceito de pesquisa é diferente do resultado da urna, explica Lucas Thut Sahd.

As pesquisas representam um cenário daquele espaço do momento em que foram feitas e podem apontar tendências, afirma. Segundo Sahd, as sondagens conseguiram captar o crescimento de Flávio Bolsonaro nos últimos meses, inclusive apontando o senador com vantagem numérica em segundo turno contra Lula.

Todas as pesquisas captaram a subida de Flávio. Não mostraram ele passando Lula, mas nesses resultados também pesam o sentimento do eleitor no dia e no momento da votação, que as pesquisas quantitativas não conseguem captar. O que vimos foi os candidatos de terceira via perdendo força e, como representada por candidatos vistos mais como de direita, podem ter migrado para Flávio. A questão do voto útil e a totalização dos votos que é feita com contagem das abstenções, analisa o diretor executivo do Real Time.

Em post no X, Felipe Nunes, diretor da Quaest, falou em poucas surpresas e disse que as pesquisas captaram voto útil de direita em Flávio. Quem acompanhou a eleição brasileira pelas tendências das pesquisas da Quaest teve poucas surpresas na noite de ontem [4/10]. Os levantamentos publicados conseguiram captar tendências que se confirmaram nas urnas, incluindo o voto útil da direita na eleição presidencial, um recorde de vitórias em primeiro turno nos estados e o desfecho de algumas disputas estaduais mais apertadas do país, disse.

Na eleição para presidente, a Quaest divulgada na véspera captou forte voto útil de direita em favor de Flávio Bolsonaro. Caiu de 14% para 7,8% a votação dos outros candidatos na última semana, enquanto Flávio foi de 40% a 47%. Lula ficou estável. As urnas apenas confirmaram a tendência que já aparecia na pesquisa, defendeu.

Distorções no Senado

Em relação à votação para o Senado, o professor do curso de ciência política da Universidade Federal do Piauí (UFPI) Elton Gomes pontua que é difícil fazer projeções para a Casa Alta do Congresso Nacional. O brasileiro, via de regra, se importa muito pouco com a eleição de senador e, portanto, leva a essas distorções nas pesquisas, pontua.

Esse tipo de comportamento, profundamente arraigado no Brasil, traz dificuldades para os institutos de pesquisas. Além do baixo interesse, há um nível muito grande de indecisos e muita gente opta por só escolher o senador nos últimos dias ou até no dia da eleição, mesmo sem entender muito bem o que ele faz, avalia Gomes.

Já o cientista político Antônio Lavareda chama a atenção para o recorte feito nas pesquisas, ressaltando que os levantamentos retratam a distribuição das preferências entre os eleitores considerados na amostra, e não necessariamente o resultado final da votação.

O analista ainda registra que o índice de abstenção pode ter prejudicado mais o presidente Lula do que o senador Flávio Bolsonaro. Segundo Lavareda, a abstenção é historicamente mais alta entre a população de baixa renda, que é a que vota no candidato petista.

Quem perde voto nesse contingente é o Lula, pelo largo quantitativo dos votos dos pobres e baixa escolaridade que formam esse bloco, e faixa em que se dá a abstenção, pontua Lavareda, ao explicar que estimativa das abstenções também é desafiadora, já que um eleitor pode declarar uma intenção de voto na pesquisa, mas não comparecer às urnas no dia da eleição, o que pode gerar diferenças entre as projeções e o resultado efetivo.

Ao Metrópoles, o diretor executivo da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, explica ainda que o instituto suspendeu as sondagens para o Senado nos últimos dias antes das eleições devido à dificuldade de medir a intenção de voto real para a Casa Alta do Congresso Nacional. Tínhamos um índice de 35% a 45% de eleitores que escolhia o primeiro candidato, mas não declarava voto para a segunda vaga, pontua Hidalgo, ao explicar que este é um hábito comum do eleitor brasileiro, que tende a decidir o voto para o Senado perto do dia da eleição, prejudicando as projeções.